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O auxílio chega na porta de casa

Prefeitura de Esteio facilita o acesso de medicamentos da Farmácia Municipal aos moradores

Facilitar o acesso de idosos e deficientes aos medicamentos disponibilizados pela Farmácia Municipal de Esteio. Basicamente, este é o papel do programa MedCasa, criado pela Prefeitura da cidade, que desde sua implantação, há um ano,  vem ganhando espaço entre os moradores da cidade. Isso ocorre devido a facilidade proporcionada aos familiares de idosos e deficientes, que não precisam mais se deslocar até a Farmácia Municipal, localizada no centro da cidade, para ter acesso aos medicamentos. Os remédios, fraldas e até dietas especiais chegam na porta de casa de quem necessita.

O programa é inspirado em outros semelhantes, como o “Remédio em Casa”, ofertado pela Prefeitura de Canoas, cidade vizinha. Segundo a Secretaria de Saúde da cidade, Ana Paula Macedo, a Farmácia Municipal de Esteio realizava cerca de 600 atendimentos por dia, o que acabava por superlotar o estabelecimento e tumultuar a vida dos esteienses que necessitavam do serviço. Então, a partir disso, a Secretaria de Saúde da cidade optou por implementar o programa e priorizar os idosos e deficientes.

“Temos elogios no atendimento da Farmácia, mesmo com a falta de medicamentos vindos do Estado. Ampliamos o acompanhamento dos pacientes e reduzimos as internações. A Farmácia antes não tinha controle dos pacientes que usavam medicamentos continuados e também de seus cuidadores”, conta. A secretária também revela que alguns pacientes que reduziram a dosagem de medicamentos, pois antes  faziam o uso inadequado dos mesmos. Junto com o motorista, as entregas são acompanhadas por uma assistente farmacêutica que explica – ou relembra –  aos responsáveis pelo paciente como a medicação deve ser consumida.

O Carro do MedCasa é identificado com a logo do projeto e da Prefeitura de Esteio. (Foto: Divulgação / Prefeitura de Esteio)

O Carro do MedCasa é identificado com a logo do projeto e da Prefeitura de Esteio. (Foto: Divulgação / Prefeitura de Esteio)

Thiago Sperb Machado, diretor de planejamento e estratégias de saúde no município, explica que o projeto não é pioneiro, mas sim feito aos moldes da cidade. “O programa é baseado na equidade. Dar mais a quem precisa mais. Ou seja, vamos chegar até a casa das pessoas que precisam mais e que não têm condições de ir até a farmácia e entregar os medicamentos”. Desde sua chegada ao município, o MedCasa atende 332 moradores cadastrados e já realiza mais de 250 entregas por mês.

O irmão de Ketlin Cristiane Green,  19 anos, é um dos centenas de moradores atendidos. Israel Silva de Lima tem 16 anos e é portador de paralisia cerebral. A família é usuária do programa desde o início do ano e recebe na porta de casa os medicamentos contínuos, fraldas e a dieta especial que o jovem necessita. Segundo Ketlin, antes da chegada do MedCasa, era muito complicado ir buscar os produtos na Farmácia Municipal, devido à falta de carro. “Precisávamos fazer várias viagens, pois é muita coisa. A dieta dele é bem pesada, são várias caixas. As fraldas também vêm numa sacola enorme. Como não temos carro, tinha que trazer tudo no braço, de ônibus”, explica ela.

Ketlin mostra que a quantidade de mantimentos é grande para carregar em ônibus (Arquivo pessoal / Beta Redação)

Ketlin mostra que a quantidade de mantimentos é grande, fator que dificultava o transporte no ônibus. (Arquivo pessoal / Beta Redação)

Israel recebe os medicamentos e demais produtos todo dia 20 de cada mês. São cinco tipos diferente de remédio. Ketlin relata que o programa é ótimo e que o auxílio prestado gratuitamente é muito valioso. “Eu tenho uma hérnia no estômago e minha mãe tem síndrome do túnel do carpo. Para nós é quase impossível andar por aí carregando tanta coisa. Por isso, digo que o MedCasa é uma maravilha”. Ela ainda desabafa sobre o medo de perder o benefício devido à troca de prefeito a partir de 2017. “Eu não sei o que sou capaz de fazer se o novo prefeito tirar o MedCasa. Já soube que ele fará uma série de cortes”, alerta.

O próximo prefeito eleito de Esteio, Leonardo Pascoal, afirmou por nota que a permanência do benefício na grade da saúde municipal ainda não foi debatida. “Estamos conduzindo o trabalho de transição governamental e ainda não temos elementos suficientes para avaliar todos os programas existentes. Essas definições deverão ocorrer no início do governo”, explica ele.

Assistente farmacêutica chegando à casa de morador. (Foto: Divulgação / Prefeitura de Esteio)

Assistente farmacêutica do MedCasa em frente à residência de morador beneficiado pelo programa. (Foto: Divulgação / Prefeitura de Esteio)

Jeci Terezinha Campo de 74 anos tem câncer de mama e sofre com obesidade. Sua filha, Consuelo Campos a inscreveu no programa, porém não o utiliza. “Não precisa vir ninguém aqui. Eles entregam só os medicamentos de uso contínuo, os controlados não. Minha mãe faz uso dos dois. Como preciso ir buscar os controlados na Farmácia Municipal, já busco os de uso contínuo também. Acabo nem fazendo uso do programa”, relata.

Em julho deste ano, o projeto MedCasa recebeu o prêmio na categoria Assistência Farmacêutica durante a Mostra Estadual de Experiências Exitosas no SUS nos Municípios do Rio Grande do Sul 2016 . A gratificação mostra o sucesso que o projeto tem em comparação a outros do Estado.

Como se inscrever no MedCasa?

O diretor conta que as equipes de Saúde da Família são responsáveis por identificar nos bairros pessoas que têm esta necessidade e que se encaixam nos critérios necessários para participar do programa. Elas são identificadas e preenchem um formulário no posto de saúde. O responsável pelo morador que necessita do programa vai até a farmácia e faz o encaminhamento.

A partir daí, o paciente passa a receber em casa os medicamentos de uso contínuo, tratamento para doenças como diabetes e hipertensão. Os remédios são entregues ao morador de acordo com a prescrição médica. Para poder participar do projeto, o paciente precisa ter 80 anos ou mais, ser deficiente, acamado ou estar respirando com auxílio de aparelhos.

Para efetuar a inscrição são exigidos os seguintes documentos: formulário de cadastro devidamente preenchido, assinado e carimbado (disponibilizado no posto de saúde de referência); receita médica atual e original, proveniente de consulta realizada no SUS; atestado da necessidade da entrega em casa; cópia do Cartão SUS; comprovante de residência; cópia do RG; cópia do CPF (para menores, apresentar a cópia da Certidão de Nascimento). Do responsável pelo paciente são exigidos apenas cópia do RG e CPF.

 

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