Política

Impeachment: o que dizem as nuvens

Descubra quais as palavras mais usadas por cinco senadores em seus discursos na sessão que afastou Dilma da presidência

Às 6h38min da última quinta-feira (12), o Senado definiu o afastamento da presidente Dilma Rousseff por até 180 dias. Dos 78 parlamentares presentes na votação, 55 se posicionaram a favor da continuidade do impeachment e 22 se manifestaram contra o processo — apenas o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), absteve-se do julgamento.

No total, foram mais de 20 horas de sessão, com 71 senadores inscritos para falar por, no máximo, 15 minutos cada. Ao microfone, tentaram explicar quais os motivos que os levariam, em seguida, a votar contra ou a favor da saída de Dilma do Palácio do Planalto para o prosseguimento do processo de impeachment.

Abaixo, a Beta Redação separou cinco discursos que, por diferentes motivos, chamaram a atenção. Confira a síntese dos posicionamentos e as palavras mais utilizadas por Aécio Neves (PSDB-MG), Cristovam Buarque (PPS-DF), Fernando Collor de Mello (PTC-AL), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Roberto Requião (PMDB-PR).

Fernando Collor de Mello (PTC-AL):

 

As palavras mais usadas por Collor em seu pronunciamento

As palavras mais usadas por Collor em seu pronunciamento

 

Se havia alguém no Senado que poderia falar com conhecimento de causa sobre o processo de que Dilma é alvo, era o ex-presidente e agora parlamentar Fernando Collor de Mello. Durante os quase 15 minutos em que discursou aos colegas, não titubeou ao recordar o que viveu em 1992, quando foi aberto o rito de impeachment contra ele. “Desculpem-me por voltar no tempo, mas o momento exige”, sublinhou o senador, que votou a favor do afastamento da petista.

O pronunciamento de Collor, aliás, representou um dos escassos momentos de silêncio e atenção. “Alertei-a (Dilma) sobre a possibilidade de sofrer impeachment, mas não me escutaram. Coloquei-me à disposição, (fizeram) ouvidos de mercador. Desconsideraram minhas ponderações, relegaram minha experiência. A autossuficiência pairava sobre a razão”, sintetizou.

 

 

Cristovam Buarque (PPS-DF):

 

As palavras mais usadas por Cristovam em seu pronunciamento

As palavras mais usadas por Cristovam em seu pronunciamento

 

Com atuação política atrelada às bandeiras esquerdistas, Cristovam se posicionou contra Dilma. Nas redes sociais, o voto pela continuidade do processo de impeachment acabou questionado por seguidores — insultos ao parlamentar brotaram em postagens feitas após a sessão no Senado.

Em sua argumentação, Cristovam criticou os governos petistas, mencionando, por exemplo, a corrupção do país. “Não fui eu que mudei. Foi a esquerda que envelheceu, não eu. A esquerda que está há 13 anos no poder, o que demonstra um desapego à democracia, manipulando, cooptando, criando narrativas em vez de análises. Com a preferência pelo assistencialismo em vez de uma preferência pela transformação social. Com um apego ao poder que consegue, inclusive, driblar a Constituição, fazendo com que o presidente Lula tenha quatro mandatos: dois em seu nome e dois em nome da presidente Dilma Rousseff”, sentenciou.

 

 

Roberto Requião (PMDB-PR):

 

As palavras mais usadas por Requião em seu pronunciamento

As palavras mais usadas por Requião em seu pronunciamento

 

Apesar de integrar o PMDB, a exemplo do agora presidente interino da República, Michel Temer, Requião votou contra o afastamento de Dilma. Para sustentar a posição, argumentou que possíveis mudanças econômicas do governo peemedebista não serão capazes de tirar o Brasil da penúria. Além disso, o senador disse não ver crime de responsabilidade plausível para retirar Dilma do poder.

“A proposta arquitetada pela assessoria do Michel Temer é uma proposta neoliberal, que fala em cortes. É a mesma proposta que desgraçou a Europa, que trouxe a crise na Itália, em Portugal, na Espanha e que praticamente liquidou a Grécia”, sublinhou Requião.

 

 

Aécio Neves (PSDB-MG):

 

As palavras mais usadas por Aécio em seu pronunciamento

As palavras mais usadas por Aécio em seu pronunciamento

 

Ferrenho crítico do governo petista, Aécio relembrou o ano de 2014 em seu discurso. Aos colegas de Senado, comentou sobre a disputa eleitoral que travou com Dilma à época e relatou que a gestão dela cometeu atos de irresponsabilidade. Mais uma vez, disse que o Brasil deseja a mudança no Planalto.

“Foi lá atrás, com irresponsabilidade, com a sensação absoluta de impunidade de que estava este governo acima da lei e da ordem, que foram tomadas medidas atentatórias à estabilidade da economia e à melhoria da qualidade de vida dos brasileiros”, avaliou Aécio.

 

 

Lindbergh Farias (PT-RJ):

 

As palavras mais usadas por LIndbergh em seu pronunciamento

As palavras mais usadas por Lindbergh em seu pronunciamento

 

Lindbergh aproveitou o tempo em que esteve na tribuna para defender o oposto do que Aécio sustentou. Em seu discurso, o senador petista comparou o processo de impeachment de Dilma a um golpe de Estado. Conforme a sua tese, no futuro o país se arrependerá do momento político vivido atualmente.

“Presidenta Dilma Rousseff, saia amanhã (quinta-feira) daquele palácio com a cabeça erguida, porque a História lhe absolverá com toda a certeza, como a História deu razão a Getúlio Vargas, como a História deu razão a Juscelino Kubitschek, como a História deu razão a João Goulart. Estão eles hoje no panteão dos heróis nacionais”, salientou o petista.

 

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