Economia

Novos e usados: brechós são caminho para consumo sustentável

Compra e venda de roupas usadas fazem sucesso tanto em lojas físicas quanto online

Casa da Traça promove venda de peças usadas desde 2008, em Porto Alegre. Foto: Divulgação

Casa da Traça promove venda de peças usadas desde 2008, em Porto Alegre. (Foto: Babi Andrade)

 

A moda agora é desapegar: os brechós, lojas de roupas novas e usadas, tornam possível a compra, venda e troca daqueles itens que ficaram esquecidos nos armários. O conceito já é antigo, mas o tipo de negócio tem se renovado através da internet e das redes sociais, que fortalecem os vínculos com clientes e ajudam cada vez mais na divulgação da proposta do consumo sustentável.

A Casa da Traça, que existe desde 2008, foi criada com este objetivo. De acordo com Babi Andrade, proprietária e “faz tudo” da loja, era raro encontrar brechós com peças interessantes, bonitas e em bom estado. “Na época da inauguração da loja, este segmento era bem escasso. Haviam pouquíssimos lugares no Rio Grande do Sul com uma proposta bacanas e boas peças”, expôs. Foi conversando com amigos que a ideia surgiu. “Vários buscavam um lugar com essas características e, resolvi unir o útil ao agradável”, conta a empreendedora.

A loja trabalha tanto com roupas usadas, em estilo vintage, quanto novas. Babi explica que o processo de compra é variado. “Geralmente, visitamos casas de famílias nas quais mães/avós guardaram peças de roupas por muitos anos. Nestes locais selecionamos as peças vintage que se encaixam em nosso perfil e montamos um lote dessas. Também temos algumas meninas que fazem o serviço de “garimpo” para nós e outras instituições parceiras, que nos repassam lotes de peças vintage, usando o valor arrecadado em obras sociais”, afirma. As peças novas, segundo ela, são adquiridas em atacados tradicionais, onde são selecionadas as peças que mais se encaixam no estilo do local.

Na internet, a Casa da Traça aproveita para divulgar as peças e estreitar o relacionamento com a clientela. “É uma relação muito bacana, de parceria. Nos esforçamos para atender todos da melhor forma possível e responder nas redes sociais. O retorno dos clientes é muito bom, criamos um vínculo de carinho que se estende para além das compras, o que nos enche de satisfação”, declara Babi. A loja possui mais de 40 mil curtidas em sua página no Facebook, que está sempre atualizada. As vendas ainda são feitas de forma física: quem se interessar pelas peças postadas pode conferi-las de perto na Avenida Independência 450, em Porto Alegre.

Bom para o empreendedor, bom para o cliente

Maynara Machado, 24 anos, é estudante de relações públicas e uma frequentadora assídua de brechós. Para ela, o maior atrativo é a experiência oferecida pelos locais. “Gosto muito de ir nos brechós pois eles oferecem vários estilos de roupas, algumas que já passaram por várias gerações e, isso é algo que nenhuma loja de fast fashion tem”, opina a jovem, que diz já ter economizado muito por causa do hábito. “Sempre aconselho as pessoas a irem, pois às vezes, enjoamos de umas peças lindas que com certeza iam agradar mais alguém e, podemos trocar por outras que gostamos mais”, explica Maynara.

Jéssica Trajano possui a mesma opinião. A estudante de jornalismo, de 23 anos, já viu suas finanças melhorarem por causa dos brechós. “Estive desempregada por um tempo durante o ano passado. Nessa época, virei fã dos brechós – comprei e vendi várias coisas e, isso me ajudou bastante a estabilizar meus gastos e ter um dinheiro extra”, comenta Jéssica. Ela afirma que fez até uma pequena lojinha própria para vender e trocar peças de roupa com amigas e pessoas próximas. “O brechó tem um conceito muito legal, de dar uma vida nova àquelas coisas que a gente não queria mais e, ao mesmo tempo, ser uma coisa que cabe no bolso de qualquer um. É ótimo tanto pra quem quer comprar quanto para quem quer vender”, ressalta.

 

Brechós virtuais são sinônimo de praticidade

Quem gosta de fazer compras online também possui a opção de comprar nos brechós virtuais. Um dos maiores e mais famosos deles é o Enjoei, site criado em 2009. Nele, é possível também criar sua própria loja e vender peças a outros usuários de todo o Brasil. Ele funciona da seguinte forma: quem está interessado em vender manda imagens e informações dos produtos, que são classificados e postados. Assim que o item é vendido, o vendedor é notificado para fazer a postagem nos Correios. Tudo é supervisionado pelos funcionários da empresa, que fica com 20% do valor no final da transação.

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