Política

A nova era de privatizações

Votação para que empresas sejam privatizadas e gerem lucro

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Prefeitura de Porto Alegre. Foto: divulgação.

Desde os anos 1990 não se via uma repercussão tão grande quanto ás privatizações. O estado do Rio Grande do Sul passa hoje por uma onda de privatizações, principalmente em  Porto Alegre. Nos últimos meses, várias sessões da Câmara de Vereadores votaram sobre o futuro de empresas do estado que podem sofrer com a mudança. Na atual gestão do Prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan (PSDB), inúmeras audiências públicas têm discutido a privatização da Carris, a grande empresa pública da capital, relembrando as discussões que permearam boa parte dos anos 1990 no Brasil e no Estado.

O vereador Valter Nagelstein (PMDB) acredita que o Banco do Estado  cumpre um papel de destaque e não tem necessidade de ser privatizado. ”Eu não sou fundamentalmente contra empresas públicas, acho que as vezes elas podem ter um papel inclusive de regulação de mercado. Agora, eu acho que o estado se tornou no Brasil grande demais numa visão ideológica, que acha que o estado pode tudo, a visão paternalista, deve tudo, e que via de regra, muitas empresas não públicas (estatais) não tem eficiência”.

Para a vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), quem perde com as privatizações é a população. ”Eu sou contra as privatizações de empresas públicas. Acho que  todas a experiências que aconteceram sempre beneficiaram o setor privado e não o estado.  As privatizações diminuem o  que o estado tem, e que é direito da população”.

Todas essa mudanças geram altos custos para o Estado. O vereador Idenir Cecchin (PMDB) diz que as é a favor das privatizações mas também das Parcerias Público-Privadas (PPPs) e das concessões, desde que sejam feitas com total responsabilidade. ”Acredito que há uma confusão entre essas três possibilidades  em nossa sociedade. São instrumentos diferentes. O Estado deve agir em suas competências, como na segurança pública”, disserta.

As privatizações no Brasil

Os anos 90 ficaram marcados como uma época em que diversas empresas públicas foram vendidas para o setor privado. No governo de Fernando Henrique Cardoso, conhecido como a era da privatizações, muitas das empresas importantes na época, como Telesp, Companhia do Vale do Rio Doce, Banespa entre outras foram privatizadas. O filósofo político  e professor da Unicamp José Dari Krein explica que são grupos de multinacionais e organizações que são vendidos para uma esfera privada, o que geralmente se projeta quando não estão gerando mais lucro.

Para ele, existe um conjunto de reformas que apresentam uma relação de investimentos e crise, o que traz claramente uma perspectiva de redefinir o papel do estado na economia, para assim retomar um crescimento de investidores.  Dentre eles estão a privatização, a reforma previdenciária, a reforma trabalhista e a contenção dos gastos públicos, medidas que fazem parte de uma orientação política.

“Esse processo condena o futuro do país, reduzindo qualquer processo que o estado possa fazer para favorecer a sociedade”, afirma o professor.

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