Economia

Negócio em famíla

Gêmeas canoenses abrem biscoiteria na cidade

Daniela Tremarin, Ellen Renner e Paola Sartori

Buscando se adaptar a realidade do mercado de trabalho, a participação feminina tem aumentado no setor das pequenas e microempresas. Cada vez mais as mulheres têm se lançado no universo empreendedor.

Em 14 anos, o número de mulheres que estão à frente do próprio negócio teve um aumento de 34% no país. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2001 e 2014, a quantidade de mulheres de negócios saltou de 5,9 para 7,9 milhões. Ao mesmo tempo o número de homens empreendedores cresceu apenas 16%.

 

A expectativa é que esse número continue a crescer. De acordo com estudo divulgado pelo Sebrae, em vários países, o número de mulheres que conduzem empresas tem aumentado. Este fator, segundo a instituição, está ligado ao desempenho apresentado pelas empresas, à representatividade da força de trabalho feminino e devido a redução de empregos, o que impulsiona a criação do próprio negócio.

Foto: Daniela Tremarin

Prato cheio

Uma das áreas que tem crescido junto com as empreendedoras é a o ramo gastronômico.  Apesar de estar associada a uma tarefa feminina, no mundo corporativo a profissão é vista como masculina. Ainda assim, mesmo em meio à crise, muitas mulheres têm visto a oportunidade de se dedicar a um negócio próprio e além de se manterem em meio às dificuldades financeiras, elas ainda são exemplos de excelentes resultados.

Um dos fatores que agregam aos resultados positivos desse mercado é de que os consumidores estão buscando alternativas para “terceirizar” a atividade, aponta a professora  de Processos Criativos e chef Ágata Morena de Britto. Além disso, ela acredita que esse seja um bom momento para investir na área. “O mercado está propício para isso, visto a valorização nas mídias sociais e na televisão”, afirma.

Um doce negócio

Desde criança as gêmeas Betina e Bruna Kern adoravam ajudar a avó a fazer doces, porém, nunca enxergaram como uma possível profissão até ingressarem na faculdade. Foi durante o curso de Licenciatura em Letras Português/Alemão que as irmãs começaram a vender brownies na Universidade para ajudar com suas despesas.

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Foto: Arquivo pessoal

As gêmeas se sentiram realizadas com o sucesso que os bolinhos de chocolate fizeram e viram a oportunidade de seguir no ramo gastronômico. “Com o tempo percebemos as limitações que a faculdade perante ao que realmente gostávamos e o que de fato nos dava um retorno financeiro. Decidimos sair da faculdade, montamos uma cozinha semi industrial em casa e começamos a produzindo para cafeterias de shoppings”, afirma Bruna Kern. E assim surgiu as Gurias Doceiras, uma cafeteria e biscoiteria na cidade de Canoas.

As irmãs Kern foram em busca de investidores e locais para abrir o café e contaram com a ajuda de amigos, principalmente com a parte burocrática exigida para abrir um novo negócio. “No início foi realmente complicado, pois não tínhamos muita noção do que precisávamos para abrir um negócio e foram nossos amigos que nos direcionaram ao sucesso. Além disso, tivemos que decidir o local para nossa loja, fornecedores e equipamentos necessários para toda vistoria do local”, ressalta Betina.

Com a crise, elas explicam que tiveram que fazer alguns cortes tanto no departamento pessoal quanto na linha de produtos. “Investimos no marketing e em produtos diferentes para chamar a atenção dos clientes: almoços especiais e encomendas personalizadas, demos foco ao produto produzido na própria loja para o cliente se conscientizar que toda produção é artesanal” enfatizam. Diante disso, os clientes deram mais valor ao produto e não deixaram de consumir por conta da crise já que possuíam um lugar único para ir.

 

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