Esporte

Na ginga da capoeira

Esporte surgido durante a escravatura ainda está presente em mais de 160 países e ganha destaque entre os jovens

Considerada a única arte marcial brasileira, a capoeira é um esporte caracterizado pela mistura de dança, luta e musicalidade. Surgido no Brasil por volta de 1700, o esporte teve início com os escravos, oriundos da África, como forma de luta, e hoje existe em mais de 160 países do mundo.

Por ser considerada uma prática violenta, chegou a ser proibida por lei no país, com pena de de seis meses até cinco anos para quem fosse visto praticando a capoeira. Para não levantar suspeitas sobre a luta, os escravos adaptaram os movimentos de artes marciais a dança e cantos africanos, fazendo com que a capoeira parecesse uma dança. Por volta da década de 30, ao ser apresentada ao então presidente Getúlio Vargas, a capoeira deixou de ser considerada ilegal e passou a ser tratada como patrimônio brasileiro.

Mesmo com a falta de divulgação na mídia e o pouco conhecimento sobre o esporte, a capoeira vem se consolidando por meio de grupos que se expandem pelo país. Quem tem a oportunidade de praticar o esporte dificilmente desiste dele.

Foi o caso da pedagoga Daiane Cristina Griebeler, de 24 anos. Por influência da irmã, Daniele, praticante da capoeira há um ano, Daiane compareceu a uma aula experimental e de cara gostou do esporte. “É diferente dos outros esportes. Faz pouco tempo que pratico a capoeira, mas é muito bom e gosto bastante. Além disso, temos a oportunidade de participar realizar eventos também”, relata.

A estudante de Letras Emannuelle Pedroso de Souza, de 17 anos, é capoeirista há pouco mais de um ano. Segundo ela, o maior desafio foi ter que lidar com a força física que o esporte exige. “Eu era muito fraca. Frequentava academia, fazia força na musculação e achava que não ia exigir mais na capoeira, mas é bem diferente. Depois acostumei com o ritmo”, comenta.

Daiane e Emannuelle são integrantes do grupo Berimbau Tchê, da cidade de Bom Princípio, interior do Estado. As duas destacam que a prática da capoeira é benéfica em muitos sentidos. “A capoeira exige disciplina e trabalha o equilíbrio, força e coordenação motora. Realizando 1 hora de capoeira perde 700 calorias em média por aula. Trabalha a tonificação e definição muscular, resistência e ajuda na integração a sociedade pois se trabalha em grupo”, comenta Daiane.

Para Emannuelle, além dos benefícios físicos, o esporte também é responsável pela criação de laços. “A interação com o grupo é fundamental. Fiz novos amigos, e uns vão ajudando os outros com objetivo de todos crescerem”, aponta.

Professor há 23 anos e coordenador do grupo, o capoeirista Fabricio Ferraes descreve a capoeira como uma ferramenta de inclusão na sociedade e uma espécie de terapia. Ele lamenta, porém, que o esporte não seja tão incentivado no país. “O estrangeiro valoriza mais a capoeira do que o próprio brasileiro. Por ser uma prática surgida aqui, poderia e deveria ser mais divulgada”, ressalta.

A prática da capoeira também é incentivada nas escolas públicas, como ferramenta de inclusão social. O esporte faz parte do programa Mais Educação, do Ministério da Educação (MEC), implementado nas escolas públicas de ensino fundamental. Segundo a Secretaria Estadual de Educação, o programa tem como objetivos a redução do abandono, da reprovação, da distorção idade/ano, mediante a implementação de ações pedagógicas para melhoria do rendimento e desempenho escolar.

 

Lida 180 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.