Cultura

A música como aliada no fortalecimento feminino

Criatividade, amizade e muito Rock 'N' Roll para colocar a autoestima lá em cima

Neste ano nasceu um projeto focado a promover o autoconhecimento e empoderamento para uma nova geração de meninas que se forma. Trata-se de Girls Rock Camp, que encontra na música o principal facilitador para trabalhar com essas meninas as suas desinibições, o trabalho em equipe e o respeito. Durante o acampamento é estimulado o pensamento de que elas podem ser o que quiserem. As meninas são incentivadas a questionar os padrões impostos às mulheres e a refletirem sobre isso.

Com a técnica fanzine são feitas revistas com recorte e colagem (Foto: Divulgação/Facebook Girls Rock Camp Porto Alegre)

Com a técnica fanzine, são feitas revistas com recorte e colagem (Foto: Divulgação/Facebook Girls Rock Camp Porto Alegre)

As garotas que participam do acampamento diurno que ocorre em janeiro, nas férias escolares, devem ter entre 7 e 17 anos. Durante cinco dias elas aprendem a tocar um instrumento, cantar e formam uma banda.  No sexto dia, elas se apresentam para a comunidade. Mas os valores construídos no acampamento não se encerram nos seis dias, e as meninas saem com uma bagagem enriquecedora para a sua personalidade.


Primeiro dia do Girls Rock Camp Porto Alegre realizado em
23 de janeiro deste ano

Uma das organizadoras do projeto é Julia Barth, que conta como a iniciativa chegou à capital. “O Girls Rock Camp é um projeto internacional que começou a partir de um acampamento de Rock ‘n’ Roll para meninas, em 2007 em Portland, EUA. No Brasil, o acampamento pioneiro começou em Sorocaba, em 2013, chama-se Girls Rock Camp Brasil. Várias das mulheres voluntárias que estão executando o Girls Rock Camp Porto Alegre foram voluntárias em diferentes edições do de Sorocaba e daí surgiu a vontade de trazer o projeto aqui para o sul”.

Julia ainda conta que para promover um Camp é preciso apresentar o projeto e ter ele aprovado pelo Girls Rock Camp Alliance, que fica na Filadélfia, Estados Unidos.

As práticas exploradas

A maioria das meninas que participam tem pouco mais de sete anos, por isso as voluntárias conduzem as atividades da forma mais leve e divertida possível. Além de discussões sociais, elas precisam trabalhar em suas composições. Muito novas ainda para entender exatamente as lutas feministas, o empoderamento vêm exatamente da experiência de fazer parte do grupo com tantas meninas e mulheres fora do padrão estético e social vigente, com voluntárias de todas as cores, tamanhos, estilos e sexualidade.

Oficina de stencil ajuda a reproduzir palavras e ilustrações (Divulgação/Facebook Girls Rock Camp Porto Alegre)

Oficina de stencil ajuda a reproduzir palavras e ilustrações (Foto: Divulgação/Facebook Girls Rock Camp Porto Alegre)

É através da identificação e representatividade que o acampamento busca influenciar as meninas para serem livres. É com a banda e com grupo que elas veem que podem confiar em outras mulheres e não disputar para serem a mais bonita ou a mais talentosa.

Como a ideia do acampamento é poder ser o que você quiser, inclusive uma estrela do rock, o ambiente entre mulheres é de cooperação e de acolhimento. “Enquanto mulheres, para nos encontrarmos, precisamos da possibilidade de experimentar sem rótulos, de extravasar, de não ter que cuidar pra se portar ‘como uma mocinha’”, comenta Julia. Entre as oficinas exercidas tem a de expressão corporal, trabalhos de recorte e colagem e o uso da técnica stencil para reproduzir figuras e ilustrações.

Oficinas criam a oportunidade de se expressar (Foto: Oficinas criam a oportunidade de se expressar)

Oficinas criam a oportunidade de se expressar (Foto: Divulgação/Facebook Girls Rock Camp Porto Alegre)

Bianca Rosa é jornalista e mãe da Helena, de 12 anos. As duas participaram do Camp e gostaram muito de tudo que viveram juntas. “Para nós duas foi uma experiência única e transformadora. Descobrimos potencialidades que nunca imaginávamos e fizemos amigas para a vida, mas o mais importante é que nos sentimos em casa, em um ambiente acolhedor”, destaca.

Para Helena foi gratificante ver a evolução dela e das companheiras de banda. Eu gostei muito do Rock Camp porque eu adoro tocar bateria e acho que todas as meninas que estavam no piano, guitarra gostaram também pois elas não sabiam tocar, mas foram lá e arrasaram. Foi muito legal porque era um espaço só pra gente, então eu sentia que se falasse qualquer coisa eu não ia ser julgada, elas iam me entender de qualquer jeito”, conclui.

Ações de hoje refletem para o amanhã

Julia percebe no projeto uma maneira de colaborar com o desenvolvimento das meninas. “Acho que esse tipo de atividade é fundamental pra enfrentarmos o futuro e criarmos mulheres mais fortes e seguras, principalmente seguras. Seguras para serem felizes sem deixarem a sociedade impor como elas devem ser e o que devem fazer.” Explorar o pensamento crítico e de colaboração também são pilares fundamentais do acampamento.

Em um ambiente onde a representatividade masculina domina, como o da música, o Rock Camp mostra que tudo bem “tocar como uma garota”, que não é preciso se comparar com os outros, seja você mesmo, pois todos são únicos, tanto homens e mulheres.

O Girls Rock Camp Porto Alegre é uma organização comunitária sem fins lucrativos que conta com trabalho voluntário, doações e eventos beneficentes. O maior deles é o Festival Vênus em Fúria, que coloca no palco somente bandas com e de mulheres. A próxima edição do evento é neste domingo, 18, a partir das 16h, no Bar Ocidente. Quem quiser ajudar e doar instrumentos, amplificadores, baquetas, palhetas ou o que for é só entrar em contato com a equipe pelo site grcportoalegre.com, ou levar no dia do Festival.

Rock também é coisa de menina (Foto: Divulgação/Facebook Girls Rock Camp Porto Alegre)

 

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