Cultura

Encontro artístico em Novo Hamburgo promove feminismo e arte

Evento ocorre em 28 de março e oferece atividades diversas para o público

Com o objetivo de mostrar movimentos artísticos sem exclusões e de fácil acesso, as feiras independentes são cada vez mais comuns na região metropolitana de Porto Alegre. No próximo dia 28, ocorre em Novo Hamburgo a segunda edição do encontro “Todas por uma, uma por todas”, que apresenta produções independentes de mulheres por meio de artes, roupas e gastronomia. O evento disponibilizará uma série de debates, exposições e atividades.

O encontro, que é aberto ao público, ocorre na rua Vinte e Quatro de Maio, 846, das 13hrs às 20hrs. A entrada é franca. Entre as atividades, destacam-se aulas de defesa pessoal, reiki e yoga. Além disso, o público poderá apreciar peças artísticas e desfrutar de cerveja artesanal, doces e comidas vegetarianas e latinas.

Presença feminina na arte

A arte faz parte do mundo desde os primórdios. Com o tempo, ela se moldou e, atualmente, é possível dizer que se divide (pensando em classe) na polarização entre a arte elitista, que domina o mundo artístico de negócios, com obras caras e acesso limitado às pessoas, e a arte que domina as ruas, buscando a democratização e o acesso a todas e todos.

Pode-se ver museus com obras retratadas em diversos movimentos que fazem parte da história da arte, assim como, ao observar as ruas, notam-se grafites e pichações. Com a ideia de dominar as ruas, é habitual que se pense nos muros e prédios com marcas de tinta. Entretanto, a arte não se limita a isso. Ela, por si só, não se limita.

Quando o assunto é arte (neste caso, tendo a pintura em mente), é comum a lembrança de nomes como Leonardo Da Vinci, Van Gogh e Michelangelo. Entretanto, quando se tratam de nomes femininos, é preciso esforço para se pensar no mesmo número de pessoas, apesar de a história reunir mulheres talentosas. É por isso que o evento “Todas por uma, uma por todas” destaca produções artísticas de mulheres.

Uma das artistas que estará presente no encontro será Inaraí Trombini, de 28 anos. Colagista independente, ela faz zines, prints e cards há dois anos. Com a necessidade de se expressar, teve curiosidade e encontrou nas colagens a melhor forma de mostrar suas inquietações. Conforme ela, a colagem é democrática, já que qualquer pessoa pode se envolver e produzir algo. Desde então, ela pesquisa sobre o ramo, pois antes sentia falta de assuntos relacionados ao feminismo. Assim, começou a criar.

Sobre o estilo que adota, Inaraí revela: “As minhas colagens são sempre um pouco mais pesadas, elas não são aquelas coisas bonitinhas e, às vezes, o pessoal demora um pouco para entender ou precisam de uma explicação, uma introdução”.

Foto: Fernanda Salla

Foto: Fernanda Salla/Beta Redação

A quase fotógrafa Edinara Patzlaff tem o projeto “Leveza” há dois anos e também apresentará suas peças no encontro em Novo Hamburgo. A iniciativa surgiu devido à hospitalização de seu pai após um acidente grave, ocasião em que ela frequentou o hospital, sentindo necessidade de uma distração. Foi assim que começou a desenhar, sempre focando no feminino (seus primeiros desenhos retratavam o funcionamento das enfermeiras, por exemplo). Inclusive, o nome Leveza veio também de seu pai, que repetidamente usa o termo e a palavra “leve” em seus diálogos.

Com seu trabalho, Edinara busca mostrar o que vê e revela: “As minhas ilustrações muitas vezes são fotografias que eu não consegui fotografar”. Ela cita um de seus desenhos mais famosos e vendidos, que mostra duas meninas “abraçadas” no trem devido à falta de espaço no vagão. Na hora, não pôde fotografar, mas expôs a situação observada por meio de uma ilustração.

Perguntada sobre o que quer mostrar ao mundo com suas colagens, Inaraí relata: “Eu sempre tentei expressar as dificuldades que as mulheres têm no dia a dia e dentro de si, tudo o que a gente não consegue exteriorizar e que, de alguma maneira, permanece. Daqui a pouco, tu és pressionada e taxada por coisas que tu não correspondes, e as colagens são uma forma de mostrar isso.”

Para ela, a arte ainda é pensada para o gênero masculino e existe um tabu.  Inaraí usa a fotografia como exemplo, questionando: “Será que algum dia a gente vai conseguir transformar o corpo feminino nu em uma coisa que não é hipersexualizada?”

No que se refere ao feminismo, ela acredita que ainda há muitos estereótipos dentro dos movimentos e classifica-os em diferentes níveis. Conforme Inaraí, sua maior dificuldade é fazer algumas representações, já que ela produz material que retrata o feminismo de mulheres brancas. Contudo, questões importantes, como a da apropriação cultural, surgem e a fazem ficar em seu local de voz.

Em dois anos de trabalho, Inaraí participou de feiras, uma curadoria na Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ) e irá à Parada Gráfica, em Florianópolis, que é reconhecida na América Latina. Sempre com o pensamento de que a arte é livre e deve abranger o maior número de pessoas possível, incentiva que amigos e conhecidos façam suas próprias artes e transmitam o que sentem.

Edinara também participa de feiras independentes. Inicialmente mais introvertida, demorou para mandar seus trabalhos para feiras e editais. Já participou de feiras como a Papeleira, Me Gusta e na própria faculdade, sempre dentro do Rio Grande do Sul. Também estará na Parada Gráfica deste ano, o seu primeiro trabalho fora do estado.

Edinara conta que seu trabalho é feitos em folha A5. Ela explica que prefere trabalhos pequenos devido ao seu traço fino e, assim, fica melhor para expô-los. Já Inaraí faz trabalhos manuais com colagens de acordo com coisas que vê pelos sites de redes sociais ou nas próprias situações cotidianas. Quando é na internet, monta uma imagem em sua cabeça, pesquisa e faz o trabalho. Suas produções são compartilhadas no Instagram e Facebook.

SERVIÇO

O que: Encontro “Todas por uma, uma por todas”

Quando: 28 de maio de 2017, das 13hrs às 20hrs

Onde: Rua Vinte e Quatro de Maio, 846, Novo Hamburgo

Quanto: entrada gratuita

*Foto de capa: Fernanda Salla

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