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Mulheres buscam espaço em áreas como TI

Especialistas consideram o campo de informática promissor para o sexo feminino

Os cursos de informática têm sofrido um crescente aumento em número de alunos e egressos anualmente. De acordo com levantamento da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), através da base de dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), filtrada pelo Censo de 2014, naquele ano foram 39.342 formandos dos cursos de informática no Brasil.

Segundo a pesquisa, as mulheres sofreram um significativo aumento de concluintes nos cursos de Tecnologia da Informação no ano de 2014 em relação a 2001. Entretanto, os anos que apresentaram alto índice são 2009 e 2010.

De acordo com os dados, o recorde no número de concluintes no Brasil nos cursos de informática ocorreu em 2009, com 45.319 graduandos, sendo 8.855 mulheres e 36.364 homens. Esse número diminuiu em 2014, sendo 39.342 o total de formandos, correspondendo a 6.404 mulheres e 32.938 homens.

Para a professora doutora Margrit Reni Krug, coordenadora executiva de Graduação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Unisinos, o número de conclusões dos cursos de Tecnologia da Informação se manteve estável. “O motivo para este crescimento vem ao encontro do que o mercado está mostrando e pelos novos cursos da área de informática, onde se prepara profissionais para diferentes colocações (funções) relacionadas à informática”, destaca.

Os números de matrículas nos cursos de informática em 2008 também foram expressivos: 54.662 mulheres e 241.683 homens. Entretanto, em 2014 houve uma diminuição no número de mulheres matriculadas, passando para 49.042, enquanto os homens somaram 272.078.

De acordo com professora PhD Patrícia Jaques Maillard, do Programa Interdisciplinar de Pós-graduação em Ciência da Computação (PIPCA) da Unisinos, em pesquisas realizadas em 2014 estimava-se que, em 2020, nos Estados Unidos, haverá 1,4 milhão de postos de trabalho para apenas 400 mil profissionais formados. “No Brasil a situação não é muito diferente”, diz Patrícia, salientando que “entre 2009 e 2014, na Unisinos, em média, apenas 12% dos alunos egressos dos cursos da área de informática foram do sexo feminino”, analisa.

Ainda segundo a professora, dados apontam que os ingressos no ensino superior no país têm cada vez menos os cursos de Tecnologia da Informação como opção. “Esses cursos sofrem grande evasão por parte dos alunos. Dados do Censo de Educação Superior de 2011 revelam que apenas 13% dos alunos que ingressam em cursos de Ciências, Matemática e Computação se formam. Acredita-se que esse número se aproxime de 35,1% especificamente nos cursos voltados à computação”, salienta.

BetaGeral-Sociedade Brasileira Computação

(Gráfico: Sociedade Brasileira de Computação)

 

Patrícia revela que o curso de Ciência da Computação se encontra entre os seis cursos brasileiros com maior concentração de homens, sendo 85,4% – os cinco primeiros cursos são de engenharias. “A carência de profissionais nas áreas de tecnologia em geral, e especialmente em cientistas de computação, tem motivado o interesse de vários órgãos, governamentais ou não, em aumentar a participação feminina nesses cursos”, destaca.

Conforme Patrícia, o mercado é promissor para as mulheres, e existe um consenso entre empresas de informáticas para que o corpo de funcionários seja heterogêneo. “O mercado para as mulheres pode crescer fortemente. Isso se deve ao fato de que grandes empresas de tecnologia buscam equalizar o número de homens e mulheres”, revela. “No setor de Tecnologia da Informação já existem mais vagas para o sexo feminino do que mulheres formadas”, conclui.

Margrit também avalia o mercado de informática como auspicioso e passível de aumento da mão de obra feminina. “As empresas percebem, especialmente na área de análise e desenvolvimento de sistemas, que a mulher apresenta algumas características relevantes para a função, como ser detalhista, cuidadosa, organizada e paciente ao tratar com colegas de trabalho e com usuários. Outro fator que percebo é que as mulheres costumam permanecer por mais tempo no mesmo emprego.”

A coordenadora Margrit relembra que muitas vezes foi a única mulher em sala de aula, porém, durante a carreira trabalhou com mais mulheres. “Iniciei minha carreira onde 100% do público era feminino, inclusive a grande maioria dos gestores era de mulheres. Isso ocorreu no início dos anos 90, quando informática parecia uma profissão apenas para homens.” Ela também salienta que o número de acadêmicas dos cursos de informática na Unisinos têm aumentado, sendo uma média de quatro alunas para 30 homens nas turmas.

Selma Fraga trabalha há 40 anos com Tecnologia da Informação. É graduada no curso de Tecnólogo em Processamento de Dados da Unisinos e pós-graduada em Informática da Educação na Ulbra. Ela analisa que o mercado de tecnologia ainda precisa crescer para as mulheres. “No geral, são poucas as oportunidades em relação a outros países, mas as mulheres estão se qualificando mais e a tendência é a mulher ocupar um espaço expressivo”, destaca. Segundo Selma, que coordenou o curso de Informática da Faculdade de Tecnologia de Gravataí (FAQI), são poucas as mulheres em sala de aula. “Como educadora, percebi que nos últimos anos aumentou, porém ainda é menor que a presença masculina nas aulas”, observa.

As mulheres têm ocupado grandes cargos em empresas de tecnologia, como Meg Whitman, CEO da Hewlett-Packard (HP), que ocupa o 14º lugar em uma lista elaborada pela Forbes, uma revista americana conhecida pelos rankings dos mais ricos e influentes do mundo.

Marissa Mayer foi vice-presidente da área de buscas e experiências de usuários do Google. Anos mais tarde, tornou-se CEO do Yahoo. Ela ocupa a 22ª posição entre as mulheres mais influentes do mundo. Uma das gigantes da tecnologia, a IBM é uma das poucas empresas lideradas por uma mulher, Ginni Rometty, que está na 13ª posição entre as mulheres mais influentes da tecnologia, em virtude das mudanças implantadas na área de computação.

As mulheres enfrentaram anos de luta por igualdade de direitos em diversas áreas. Ocupar posições de trabalho em um mercado majoritariamente masculino faz repensar a busca de direitos do sexo feminino em comparação aos homens. Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), o nível de empregos com carteira assinada em 2014 cresceu 5,93%, em comparação a 2012. Outra pesquisa, apontada pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), revelou que salários entre homens e mulheres passaram para 85,97%, com crescimento de 4,94% para elas contra 4,74% para os homens.

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