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Muito além de redes sociais: grupo reúne vizinhos em Porto Alegre

Apaixonados pelo Centro Histórico da capital utilizam grupo no Facebook para integração com vizinhos e até mesmo para fechar negócios

Um grupo no Facebook chamado “Vizinhos do Centro Histórico – Poa” reúne mais de 25 mil pessoas em torno de um assunto em comum: a região central da Capital. Neste espaço, todos têm uma ligação com o bairro – é morador, ex-morador, trabalha, tem negócios ou apenas gosta das diversas atrações do bairro.

O grupo é palco de uma série de atividades: compra e venda de produtos; oferta e procura de serviços (eletricista, pedreiro, pintor, faxineira). Há também quem apresente sua empresa, projeto ou até mesmo procure um amor.

Moderadores do grupo verificam a ligação do membro com o bairro. Foto: Reprodução

Moderadores do grupo verificam a ligação do membro com o bairro. Foto: Reprodução.

 

O especialista em Business Intelligence Maicon Rodrigues de Freitas, 27 anos, é um dos que utiliza o grupo para pequenos negócios. “Já contratei diversos serviços pelo grupo, de diaristas a profissionais de reforma. Já vendi alguns itens de casa que não estavam mais em uso – coisas pequenas como secadores de cabelo e paletes de madeira”, conta. Maicon – que é morador do Centro Histórico – descobriu o grupo por meio de colegas e amigos. “A acolhida no grupo foi muito bacana. Não é apenas compra e venda. Há quem poste fotos lindas da cidade ou que usa o bom humor para movimentar o grupo. Gosto muito de participar. Me sinto integrado com o bairro e com Porto Alegre”, ressalta.

maicon

Maicon mora no coração do Centro Histórico. Foto: Arquivo pessoal.

 

A supervisora administrativa Sazi Menger, 37 anos, participa do grupo há mais de dois anos.  Em 2015, ela começou com o projeto de uma loja virtual – www.compredicas.com –  e viu no grupo a oportunidade de impulsionar seu negócio. “Trabalho com produtos importados, de valores bem acessíveis, como acessórios para casa e cozinha. E esse perfil de itens se enquadrou muito bem com a necessidade dos membros do grupo”, afirma. Ela anuncia uma ou duas vezes por mês e diz que já fidelizou clientes. “Todas vezes em que postei consegui fechar pedidos. Tanto fidelizei os clientes que os próprios vizinhos me trazem sugestões do que buscar lá fora e revender por aqui. Fiz amigos e consumidores”, ressalta.

Sazi encontrou no grupo o impulso que faltava aos eu negócio. Foto: Arquivo pessoal

Sazi encontrou no grupo o impulso que faltava aos eu negócio. Foto: Arquivo pessoal.

 

Pelo alto número de participantes, não raramente os itens são negociados rapidamente. “Às vezes me interesso por um produto anunciado e quando vou me manifestar para comprá-lo já foi vendido. Também exige sorte”, brinca Maicon.

Além de proporcionar negócios – para quem procura e para quem oferece – um aspecto chama a atenção: a cooperação entre os vizinhos. Não raramente algum morador do bairro cria um post pedindo ajuda para, por exemplo, consertar o chuveiro e rapidamente outro membro se disponibiliza a ensinar e, em alguns casos, até realizar o serviço. Ou seja, as relações que iniciam no ambiente digital – em torno de um assunto em comum – ganham as ruas e modificam o dia a dia das pessoas, em pequena ou grande escala.

A publicitária Márcia Alves, 34 anos, vê no grupo a forma de criar laços com os vizinhos. “Muitas vezes surgem conversas em alguns posts e a partir dali nos adicionamos e vamos conversando. Mais de uma vez já conseguimos levar o contato para fora do grupo”, conta.

E um destes momentos é o tradicional churrasco realizado todos os meses por alguns dos vizinhos do Centro Histórico. Geralmente há um responsável por criar um post no grupo chamando os demais membros a participarem da atividade. A regra é uma só: cada um leva a sua comida e sua bebida. Algumas churrasqueiras improvisadas são espalhadas por algum parque ou praça do bairro (Açorianos ou Antiquários), ponto de encontro para os interessados.

Descontração é marca dos encontros entre os vizinhos. Foto: Reprodução Facebook

Descontração é a marca dos encontros entre os vizinhos. Foto: Reprodução Facebook.

 

Maicon finaliza e sintetiza o espírito do grupo. “Com raras exceções, as discussões são calorosas, mas respeitosas e todos são muito educados na hora de postar ou comentar. O acolhimento é muito bacana e me fez conhecer melhor o centro pelos ‘olhos’ de quem está no grupo. É gratificante saber que mesmo em uma capital, em um centro tão movimentado, as pessoas queiram manter esse tipo de laço com sua vizinhança.”

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