Política

Movimentos monárquicos propõem a volta do regime

Recuperar a história e buscar um plebiscito são os objetivos dos movimentos

Com o clima de insatisfação política no país atualmente, um movimento tem se manifestado com grande força nas ruas. Desde o início das manifestações de 2013, simpatizantes do movimento monarquista pedem a volta do regime monárquico. Embora cientistas políticas enxerguem com ressalvas o movimento, militantes seguem promovendo suas ideias.

O cientista político Marcelo Suano explica que a monarquia pode ser absoluta ou constitucional. O regime monárquico pode ser absolutista, quando o rei é o chefe de estado; ou parlamentarista, onde eleições determinam a figura do estadista. Segundo ele, quando pensamos em monarquia, logo lembramos de rei ou rainha, mas muitos países usam essa forma de governo com um poder parlamentarista, o que significa que existe um monarca mas a constituição dos poderes não se limita apenas a ele. Para Marcelo, as pessoas ainda precisam entender as formas de governo e os regimes políticos. “No Brasil, especialmente os conceitos de política, administrativo e regime político ainda são confundidos”, diz o cientista.

Hoje, 40 países ainda são governados por monarquias. Países como Inglaterra, Holanda, Canadá, Espanha e Austrália são governados por monarquias parlamentares. Para Bruno Lima Rocha, cientista político, diz que em geral, nas monarquias parlamentaristas europeias, o que ocorre é a figura do rei ou da rainha como chefes de governo, e não como chefe de Estado. Ele ainda afirma que as transformações da monarquia podem mudar de regiões e culturas.

O movimento na internet

Os militantes do movimento monarquista do Brasil encontram na internet um local ideal para a propagação de suas ideias. Umas das páginas desse perfil com mais curtidores é o Movimento de Restauração da Monarquia no Brasil, que conta com mais de 40 mil curtidores no Facebook.

O movimento, criado por Bruno Freire, busca a restauração sociopolítica da monarquia, em que eles buscam resgatar a história do Brasil. Bruno diz que o objetivo é “mostrar aos brasileiros que  podemos sim nos orgulhar de nosso país e que nem sempre vivemos nessa bagunça atual. Nós queremos  mostrar  como era o Brasil”.   Para isso, eles compartilham e explicam em sua fanpage a  estrutura da monarquia constitucional parlamentarista, trazendo exemplos das atuais monarquias,  como a da Espanha,  e como funcionam frente às repúblicas. “Com isso apresentado e com a pessoa vendo os dois lados de maneira justa, aí sim ela decidirá se quer a monarquia restaurada, ou apenas apoia o resgate histórico’’, diz o administrador da página.

A proposta do movimento monárquico é conscientizar as pessoas para que elas entendam sobre a monarquia e incentivar através das redes sociais um plebiscito popular. Bruno diz que tem consciência que isso pode demorar e leva tempo para legitimar o público.

O movimento é formado por voluntários de vários lugares do Brasil. Cada um é responsável por um local e deve  promover iniciativas no seu estado, trazendo debates e ideias novas sobre cada região. Segundo os administradores, desde o início os jovens vem mostrando grande apoio, mas Bruno conta que ainda está longe de uma conscientização total e ainda precisam trabalhar muito para isso.

Os movimentos e opiniões políticas se tornaram intensas em meio a tudo que o país está enfrentando. Bruno Lima Rocha, que também é professor de relações internacionais na Unisinos, afirma que “o movimento pela monarquia brasileira é típico do ressurgir da nova-velha direita. É como uma espécie de charme reacionário de uma juventude conservadora”, afirma.

 

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