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Mônica Bergamo: uma conversa sobre jornalistas na política

A jornalista da Folha de São Paulo e da Rádio BandNews esteve em Porto Alegre para contar suas experiências na profissão

Texto: Guilherme Engelke e Johnny Oliveira

Na noite de terça-feira, 25, a jornalista Mônica Bergamo participou do evento Em Pauta ZH, na sede do Grupo RBS, para conversar sobre as práticas da profissão nas áreas em que atua.

Mônica fala sobre política, cultura e até sobre o mundo das celebridades. Inclusive, essa é uma das principais características da sua coluna na página 2 do jornal Folha de São Paulo: a diversidade dos temas. Durante o evento, ela explicou que essa diversidade só é possível porque ela delega a cada membro da sua equipe uma função. Atualmente, ela trabalha com três repórteres e uma secretária.

Ainda assim, o cenário político atual deu o rumo da conversa. Uma das primeiras perguntas veio de um convidado. Ele queria saber como Mônica havia conseguido dar o furo sobre a possível soltura do ex-ministro José Dirceu, na sua coluna na Folha e no programa na rádio BandNews FM, onde ela também tem um espaço todas as manhãs. Segundo ela, a pauta surgiu a partir de uma ligação despretensiosa sobre outro assunto para um ministro do STF, na qual Mônica foi alertada sobre o possível julgamento que ocorreria naquela terça-feira.

Mônica também comparou as coberturas do Mensalão e da Lava Jato e afirmou que a segunda está sendo bem mais desgastante, por conta de seu tamanho e pela quantidade de envolvidos. Um dos principais desafios de cobrir a operação é tentar se antecipar quanto ao conteúdo das delações, segundo a jornalista. Sobre a dificuldade de portar notícias que envolvem corrupção, Mônica comenta: “As pessoas acham que quando escrevemos sobre política, estamos falando do bem contra o mal. Às vezes você dá uma notícia que o bem não é absoluto”. Ela completa dizendo que as pessoas podem pensar que o repórter é aliado de bandidos e que os próximos estágios da Lava Jato devem atingir outros setores da economia brasileira, como o sistema financeiro.

O evento aconteceu no Salão Nobre do Grupo RBS, na noite de terça-feira, 25. Foto: Johnny Oliveira

O evento aconteceu no Salão Nobre do Grupo RBS, na noite de terça-feira, 25. Foto: Johnny Oliveira

 

Outra questão abordada sobre o cenário político atual foi um panorama sobre a possível candidatura do prefeito de São Paulo, João Dória, e as possibilidades de ele não cumprir o seu mandato até o final e se lançar para a presidência em 2018. A jornalista contou que a cidade de São Paulo “é um moedor de carne”, e que dificilmente um prefeito consegue chegar ao final do mandato com uma avaliação positiva. Mônica comentou ainda sobre a atuação do jornalista na tomada de posição ou não durante o seu trabalho. “Todos nós temos posição. A própria escolha do tema, a ordem das notícias, o espaço que você dá, acaba sendo o seu posicionamento”, diz Mônica.

Frente a frente com Rosane de Oliveira, colunista de política em Zero Hora, que expressa opiniões em seus textos, Bergamo afirmou que jornalistas não devem dar opinião, e que, se fosse dona de jornal, só daria espaço para tal se fossem profissionais como Jânio de Freitas, experiente jornalista brasileiro, ou para um que outro articulista ou amigo.

Mesmo com uma participação bastante ativa dos assinantes do jornal Zero Hora, a maioria dos presentes eram jornalistas, estudantes ou ligados a comunicação profissionalmente, e a conversa focou nas práticas jornalísticas executadas por Mônica em seus 32 anos de carreira. Uma delas foi a relação com as fontes. Ela destacou que, muitas vezes, um furo ou uma pauta podem surgir de uma conversa informal de alguém que você procurou, ou a qualquer momento, mesmo quando você não está esperando. Durante o evento, ela recebeu algumas ligações e mensagens de WhatsApp de fontes.

Por fim, a jornalista Rosane de Oliveira fez uma pergunta em nome dos estudantes de jornalismo: “Se você pudesse voltar no tempo, escolheria o jornalismo de novo?” E a resposta de Mônica foi: “Sim. Com certeza”.

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