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Mobilidade estudantil: viagens ao exterior complementam formação acadêmica

Desde o dia 2 de abril, intercâmbios na graduação são oferecidos apenas pela iniciativa privada,

“Quando cheguei, fiquei encantada. Essa cidade foi amor à primeira vista.” É assim que a estudante Bianca Kaini Lazzaretti, aluna do 8º semestre de Direito na Unisinos, descreve o seu amor por Porto, cidade em que faz intercâmbio desde fevereiro.

A mobilidade acadêmica é uma forma de o aluno complementar a sua formação contando com experiências no exterior. As atividades são organizadas com programas que têm apoio de órgãos governamentais e privados e seus processos seletivos ocorrem através de editais que ficam disponíveis no site da universidade.

“Eu recebi uma bolsa da Unisinos em convênio com o Programa de Bolsas Ibero-americanas do banco Santander. Desde que entrei na faculdade eu tinha o desejo de fazer um intercâmbio, mas pensava que era um sonho impossível, por conta de todos os gastos que se tem. Depois, conheci pessoas que já tiveram bolsa ou que viajaram bancando tudo por conta própria mesmo. Foi por aí que fiquei sabendo que, periodicamente, a universidade abre inscrições para os programas de mobilidade”, explica.

 

Foto: Bianca Lazzaretti

Bianca Lazzaretti estuda na Universidade do Porto, em Portugal, através de um intercâmbio. Foto: Acervo pessoal

 

Bianca conta que na Universidade do Porto, em Portugal, alguns métodos de ensino são bem parecidos com os do Brasil, mas também nota algumas peculiaridades do ensino português: “Estou fazendo quatro cadeiras. A diferença é que aqui quase todas as disciplinas têm um período prático. Por exemplo: na disciplina de Métodos Qualitativos, em que estudamos como fazer pesquisa qualitativa em criminologia, com uso de entrevistas e observações, temos duas horas de aula prática, com exercícios sobre esse tema, e duas horas teóricas logo em seguida. O mais interessante é que aqui não é um costume ter provas durante o semestre, e sim no final. Ou seja, as aulas terminam em maio e as provas acontecem em junho. Há trabalhos durante o semestre, que também valem nota, mas não prova”.

A estudante ressalta que o período de intercâmbio também serve como um momento para conhecer novos lugares e culturas: “Para aproveitar o tempo aqui quando não estou estudando vou para algum parque, como os Jardins do Palácio de Cristal, que ficam ao lado da minha casa e que são maravilhosos. Já viajei pra alguns outros lugares também. Fui para a Espanha no carnaval e conheci quatro cidades: Ávila, Salamanca, Segóvia e Ciudad Rodrigo. São lindas e históricas, que conservam o estilo da idade média. Em Portugal, já fui para a Serra da Estrela, onde tem neve, Nazaré, terra das maiores ondas do mundo, Fátima, no santuário, e Aveiro, que é considerada a Veneza portuguesa”.  Bianca ainda tem planos para aproveitar cada momento na Europa: “Temos férias de uma semana aqui na páscoa, então vou para Paris, Amsterdã, Bruxelas e Bruges”, conta animada.

Curso de Relações Internacionais promove viagens à Suíça

No próximo dia 21, mais uma turma do curso de Relações Internacionais da Unisinos embarca para a Suíça. A viagem faz parte do componente curricular obrigatório do Projeto Pedagógico do curso e ocorre sempre no quinto semestre.

O aluno do sétimo semestre do curso Artur Naiditch integrou a terceira turma a viajar para a Suíça, no ano passado. Segundo ele, o intercâmbio acadêmico é uma grande experiência, tanto do ponto de vista acadêmico, quanto profissional. “O que eu mais gostei foi visitar as representações do Brasil em Genebra porque tivemos contato com os embaixadores e dava para sentir que eles também queriam conversar conosco”, conta.

 

Foto: Facebook

Turma do curso de Relações Internacionais da Unisinos em viagem à Genebra, na Suíça (Foto: Reprodução/ Facebook)

 

O coordenador do curso, Augusto Stumpf Paes Leme, explica que o intercâmbio ocorre sempre em Genebra e tem duração de duas semanas: “Ao longo da primeira semana os alunos assistem aulas de disciplinas relacionadas ao campo das Relações Internacionais na Geneva School of Diplomacy and International Relations, instituição que temos um acordo de cooperação. Na segunda semana, são realizadas visitas a organizações internacionais, como ONU, OMS, OMC. Também visitamos representações diplomáticas brasileiras, como a Câmara de Comércio de Genebra, ONGs (Médicos Sem Fronteiras) e a Escola de Direito Humanitário da Universidade de Genebra”.

Ciências sem Fronteiras

Em meio a tantas oportunidades, uma das mais conhecidas e buscadas por estudantes de graduação teve fim. O Ministério da Educação (MEC) encerrou o programa Ciências sem Fronteiras (CSF) para estudantes de graduação. Em nota publicada no dia 2 de abril, o MEC afirma que o CSF continuará funcionando para pós-graduação (mestrado, doutorado, pós-doutorado e atração de jovens cientistas), com até 5 mil bolsas previstas para 2017.

O Ciências Sem Fronteiras foi criado pela ex-presidente Dilma Rouseff em 2011, com o objetivo de promover a consolidação e internacionalização das áreas de ciência e tecnologia do país através da mobilidade acadêmica. O programa, que já enviou mais de 100 mil alunos para intercâmbio fora do Brasil, teve seu último edital para bolsas de graduação publicado em 2014. Segundo o MEC ainda há cerca de 4 mil estudantes fora do país

A analista de sistemas Paula Burguêz participou do programa de janeiro a dezembro de 2012 e estudou na faculdade Colorado School of Mines, na cidade de Gonden, Colorado, nos Estados Unidos. “Meu sonho sempre foi ir para os Estados Unidos, e o CSF surgiu exatamente na época em que eu me planejava para um intercâmbio. Tive alguns percalços no caminho até chegar lá, até porque fiz parte da primeira turma do programa, então a organização ainda apresentava várias falhas, mas no geral a experiência foi incrível, do começo ao fim. É difícil explicar tudo que eu aprendi, o quanto eu cresci nesse um ano morando fora”, conta.

Paula destaca que apesar do método de ensino ser um pouco diferente, se adaptou as aulas nos Estados Unidos: “Uma das principais diferenças que percebi foi na carga horária, que era praticamente metade dos créditos da UFRGS, que foi onde me formei. Lá as atividades e trabalhos para casa eram constantes, pelo menos um por semana, bem diferente se comparado a UFRGS, onde a maioria das disciplinas tem apenas uma prova e um trabalho final. Além disso, achei o nível de exigência menor do que no Brasil, me parece que as disciplinas cobravam um pouco menos do aluno em relação a complexidade do conteúdo”.

 

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Paula Burguêz participou do Ciências sem Fronteiras em 2012, nos EUA (Foto: Acervo pessoal)

 

Sobre os cortes no programa Ciências sem Fronteiras, a analista entende que a situação financeira do país levou o governo a tomar essa decisão, mas destaca que com tempo o programa poderia trazer resultado positivos. “O CSF foi importantíssimo na minha vida, mas não sei avaliar o impacto que ele teve para o país nesses 5 ou 6 anos de existência. Eu acredito que a ideia do programa é excelente e teria resultados positivos para o Brasil, especialmente a longo prazo. Mas considerando a situação da educação no país e que precisamos cortar gastos para nos recuperarmos da crise, eu concordo que a prioridade deve ser os níveis fundamental e médio, pelo menos nesse momento”, pondera.

Para o coordenador do curso de Relações Internacionais da Unisinos, Álvaro Augusto Stumpf Paes Leme, a interrupção do programa tem um impacto negativo. “A oportunidade de viver, estudar e trabalhar fora do seu país permite que o estudante amadureça, amplie seus horizontes, supere eventuais preconceitos, aprofunde conhecimentos e desenvolva importantes competências e habilidades.  Espero que algum programa similar, mesmo que de menores dimensões, seja lançado pelo atual governo”, conclui.

 

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