Geral

Mil razões e uma só causa

Conheça a história de grupos e associações de doadores voluntários

Thais Ramirez e Roberto Caloni

Doação de sangue em São Francisco de Paula

Associação Chico Viale em doação de sangue em São Francisco de Paula. (Reprodução/Facebook)

Doar sangue mobiliza pessoas ao redor do mundo. No Rio Grande do Sul, não seria diferente. Mas, mais do que iniciativas individuais, o Estado conta com grupos de pessoas que estão dispostas a ajudar ao próximo. Os motivos para o surgimento destes projetos são inúmeros, mas o objetivo é sempre o mesmo: auxiliar na captação de doares. Conheça um pouco da trajetória de três grupos e duas associações de doadores aqui do Estado.

Associação Chico Viale – São Francisco de Paula

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A história da Associação Chico Viale teve um começo triste, mas que possibilitou, em seus dez anos, muitas conquistas. Em 12 de janeiro de 2007, Chico Viale foi internado às pressas no HPS de Canoas após sobreviver a um grave acidente de carro. Devido aos ferimentos, ele precisou de transfusão sanguínea e, por isso, utilizou várias bolsas de sangue. Para repô-las, foi solicitado à família que conseguisse doadores de sangue. Mobilizando a comunidade, os familiares reuniram mais de 500 voluntários.

“O pessoal do hemocentro nos perguntou se o Chico era alguma celebridade, pois o número de pessoas era muito grande”, relembra a coordenadora da associação, Patrícia Viale, irmã de Chico. Foi dessa maneira que a Associação teve seu início. Além deste momento, em fevereiro daquele ano, houve uma coleta de sangue do Hemocentro de Porto Alegre em Gramado, também organizada pela família de Chico.

Em março de 2007, Chico faleceu. Mesmo abalada com a morte do irmão, Patrícia ficou motivada com a causa e resolveu criar a associação junto a sua família. “Durante meu luto, muitas pessoas falavam: mas porque tu queres fazer isso? Mas, para mim, essa é uma forma de eu agradecer pela ajuda que tivemos”, relata. Em junho do mesmo ano, então, a Associação Chico Viale foi criada com o objetivo de estimular a doação de sangue.

“Queríamos fazer algo que ajudasse na divulgação e captação de novos doadores. A falta de informação é um dos principais motivos para as pessoas não doarem sangue. Então, queríamos trabalhar com isso: a informação”, destaca Patrícia.

Nestes dez anos de trabalho, muitas ações foram criadas. Palestras, auxílio ao hemocentro com as coletas na cidade, divulgação de material informativo, entre outros. Além do trabalho realizado nas cidades de Gramado, Canela e São Francisco de Paula, a Associação ajuda, sempre que possível, na divulgação das campanhas dos bancos de sangue do Estado. “Como sou jornalista, ajudo comunicando a imprensa quando há alguma ação”, comenta.

Patrícia também reforça a importância de estarem sempre em contato com os hemocentros. “Temos uma relação muito próxima com os hemocentros, o que nos possibilita ajudar a todo o estado.”

Para saber mais e acompanhar as atividades da Associação, acesse a página Associação Chico Viale no Facebook.

Grupo de Doadores Voluntários de Sangue (GDVS) – Butiá
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O Grupo de Doadores Voluntários de Sangue (GDVS) de Butiá foi criado em 2003 por Manoel Rosa, ex-vereador da cidade. Durante o mandato de Manoel, ele percebeu que um dos grandes problemas para a doação de sangue era o transporte entre a cidade e a capital. “O pessoal ia de carro, sendo que, às vezes, das quatro pessoas, apenas duas podiam doar, devido a imunidade baixa, febre etc. Sendo assim, percebemos que precisávamos informar e juntar mais pessoas para as doações”, relembra Manoel.

Com o objetivo de viabilizar o transporte entre as cidades, o grupo recebe, até hoje, o apoio da empresa de transporte Planalto, que doa dez viagens por ano para a GDVS. “Sempre lotamos os ônibus. Ano passado, conseguimos doar 500 bolsas de sangue coletadas por seis hospitais da capital”, destaca o coordenador do grupo.

Para conseguirem captador novos voluntários, o grupo realiza palestras informando sobre as doações, ressaltando o quanto é importante doar – não só no município, mas em outras cidades. Ao longo dos 14 anos do grupo, Manoel já visitou todos os oito hemocentros do Estado. “Procuramos sempre divulgar essa causa. Pensamos que, se cada um dos municípios do Estado tivessem um grupo de doadores, não faltaria sangue nos hospitais”, acrescenta Manoel.

 “Se quiserem que eu já até uma cidade dar uma palestra ou ajudar a formar um grupo, podem me chamar”, Manoel Rosa, coordenador do GDVS.

Entre as diversas atividades do grupo, uma delas é estar atento ao município e buscar ajudar sempre que algum morador necessitar de ajuda. Manoel deixa claro, ainda, que não recebem nenhum auxílio público; todo o dinheiro é arrecadado pelo grupo por meio de ações como meio frango, brechó e rifas. “Nosso trabalho vai além da doação de sangue, trabalhamos sempre tentando auxiliar a todos. Também auxiliamos no cadastro de doadores de medula óssea e de órgãos”, acrescenta.

Por todo o trabalho realizado na cidade e no estado, em 2015, Manoel recebeu o troféu de “Multiplicador de Doação de Sangue” durante o Encontro de Troca de Experiências dos Profissionais de Captação de Doadores de Sangue do Brasil e Países das Américas em Brasília.

Para acompanhar e saber mais sobre o grupo, acesse a página da GDVS no Facebook.

Grupo Vampiros Sangue Bom – Eldorado do Sul

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Fundado há um ano, o Grupo de Doadores de Sangue de Eldorado do Sul realizou 11 visitas ao Hemocentro de Porto Alegre e uma coleta na cidade. Cada viagem a capital contou com mais de 15 doadores.

O grupo foi criado após Beatriz dias Viera postar fotos suas doando sangue, em janeiro de 2016. “Vários amigos comentaram que deveríamos criar um grupo de doadores. Então, reuni algumas pessoas e criamos o grupo”, relembra Beatriz.

Ela é doadora há mais de quatro anos, desde quando morava em Butiá. “Meu marido já doava sangue e eu sempre tive medo de agulha. Mas, depois da primeira doação, perdi o medo e agora doo sempre que posso”, conta.

Quanto ao nome do grupo, ela explica que:

“O coordenador de doadores de Butiá, Manoel, sempre fala que somos vampiros, pois estamos à procura de sangue. Como é para uma boa causa, colocamos o nome do grupo de Vampiros Sangue Bom.”

O grupo no Facebook, Vampiros Sangue Bom, conta com mais de 1,8 mil membros. Porém, Beatriz lembra que vários ali não participam das atividades. “Temos muitas pessoas que entraram por curiosidade e muitos são de outras cidades, mesmo assim sempre divulgamos nossas ações ali”, comenta.

Para reunir mais doadores, Beatriz reforça algumas das principais iniciativas que devem ser feitas, como, por exemplo, ir de porta em porta para incentivar mais pessoas a se voluntariar. “É um trabalho difícil. Batemos nas casas buscando por novos doadores e informando sobre a coleta de sangue”, destaca.

Além desta atividade, o grupo também realiza outras atividades voluntárias que não são necessariamente ligadas à doação de sangue. “Nosso foco é sempre a doação de sangue, mas nosso grupo ajuda que possível”, acrescenta.

Para fazer parte do grupo, ou saber mais sobre as ações e campanhas, acesse ao grupo no Facebook Vampiros Sangue Bom.

Associação Sapucaiense de Doadores de Sangue  – Sapucaia do Sul

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A Associação Sapucaiense de Doadores de Sangue (ASADS) foi fundada em 17 de março de 2005. A iniciativa de criá-la partiu de Alberi Nunes, atual presidente do grupo, que se sensibilizou com a causa após doar sangue para um amigo. Junto com outros três parceiros, criaram o projeto com o objetivo de trabalharem em prol da vida.

O trabalho realizado pelos 12 membros da associação é totalmente voluntário e destinado a captar doadores de sangue. Para manter um grupo ativo de doadores, a ASADS criou, também, um grupo de WhatsApp, no qual avisam sobre as ações que serão realizadas, além de informar quando há um determinado paciente em cirurgia ou transplante, necessitando de doações. Por meio desse grupo, são agendados os transportes até o hemocentro de Porto Alegre.

Todos os anos, a Associação realiza uma ação no município. “O Hemocentro e nós, da ASADS, nos unimos para coletar sangue em Sapucaia. Juntamos equipes de médicos e técnicos de enfermagem, Samu, Rotary Club, parceiros voluntários e equipes de estudantes em enfermagem para auxiliar no dia. Esse planejamento começa a ser feito com seis meses de antecedência, para que, na data, esteja tudo certo para sua realização”, explica a secretária da ASADS, Renata Vieira.

Por meio do trabalho voluntário realizado no Rotary Club de Sapucaia do Sul, Renata recebeu o convite de Alberi para integrar no cargo de secretária da Associação Sapucaiense de Doadores de Sangue. “Desde então, se vão três anos, e o amor que cresce a cada dia, por ter certeza que, dentro dos hospitais, o paciente que dependia de uma ajuda para sobreviver poderá estar são e salvo”, conta Renata. Ela acrescenta que a ASADS também realiza ações voluntárias junto à cidade, sempre lutando em prol da vida.

Para saber mais sobre a ASADS e suas ações acompanhe a página no Facebook.

Grupo Sangue Amigo da Vida – Esteio

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No início dos anos 2000, a professora estadual e uma das coordenadoras do Grupo Sangue Amigo da Vida, Ana Maria Tavares da Silveira, foi doar sangue para o seu cunhado. Aquela ocasião foi o primeiro contato da educadora com o Hemocentro de Porto Alegre e foi, também, o momento em que ela percebeu a importância de se voluntariar para este tipo de ação.

Por isso, ao voltar para Esteio, ela conversou com Eliane Nunes, diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Bernardo Vieira de Mello, onde lecionava, e, juntas, decidiram se unir para criar uma corrente de solidariedade, especialmente entre os alunos. Desta forma, foram realizadas campanhas de doações voluntárias, inclusive com palestras, que ocorreram de 2002 a 2006.

Em janeiro do ano seguinte, tamanho o sucesso da iniciativa, foi viabilizada uma Unidade Móvel do Hemocentro de Porto Alegre para buscar as pessoas de Esteio que estavam dispostas a doar. Assim, o projeto ultrapassou os limites da escola e deu lugar ao Grupo Sangue Amigo da Vida, formado por ex-alunos, alunos, doadores voluntários e simpatizantes, todos coordenados pela própria Ana. Em dezembro de 2007, a iniciativa recebeu o apoio do Clube do Comércio, que ofereceu sua sede como local para desenvolver a campanha, mantendo esta parceria nos anos de 2008, 2009, 2010.

  • Ação na Rua Coberta

Em abril de 2011, por solicitação do próprio Hemocentro, foi realizada uma campanha na Rua Garibaldi (Rua Coberta), em Esteio. E, no decorrer de 2012, os grupos eram levados a Porto Alegre quando solicitados. Portanto, o que era apenas um movimento solidário ganhou força ao longo dos anos, atraindo e conscientizando para a importância da doação voluntária de sangue. Tanto que, além dos moradores de Esteio, havia, ainda, um reforço dos doadores das cidades vizinhas, como Canoas, Sapucaia do Sul e São Leopoldo, através das campanhas anuais e dos grupos que eram levados à capital gaúcha.

O ano de 2012 também foi marcado por mais uma conquista: a empresa Real Rodovias de Transportes Coletivos S/A se colocou à disposição para transportar os doadores voluntários de sangue até o Hemocentro, em Porto Alegre.

  • Organizadores entendem angústia

Ana Maria, que organiza a iniciativa desde seu início, afirma saber das dificuldades de se conseguir um doador de sangue. “O meu pai teve câncer em 1999 e utilizou 13 bolsas de sangue. Quem sente isso na pele dá muito valor, aprendi com a dor”, pontua. “Entendo que o nosso grupo muda a forma de pensar sobre a doação de sangue, pois quem necessita de transfusão de sangue – seja por doença, acidente, cirurgia ou outro motivo – sempre se sente acuado à mercê da boa vontade de algum voluntário. Por isso, nós queremos valorizar esse ato de solidariedade através de palestras e conscientização. Só assim o cidadão terá a compreensão desta fidelização para suprir as necessidades dos estoques dentro dos bancos de sangue dos hospitais e do Hemocentro.”

O grupo também faz boas parcerias com “cidadãos comuns”, que começaram a doar para um parente que necessitava de sangue e, depois, compreendem a importância dessa ação. Jane Gaya, que também é uma das coordenadoras do grupo, conta que a principal importância do grupo em sua vida é poder ajudar a quem precisa de forma solidária e receber em troca uma energia que a contagia e faz sempre querer fazer mais.

A iniciativa Sangue Amigo da Vida tem um número de doadores transitório. “Nestes 15 anos de trabalho tivemos mais de 2 mil doações. Temos um cadastro de 1 mil doadores e 400 deles doam regularmente. Os outros 600 doaram apenas uma vez. Mas o importante não é ter um grande número de cadastrado, pois o que qualifica nosso trabalho enquanto captadores é o termo doadores fidelizados. Ou seja, aquele doador que tem por hábito doar regularmente”, acrescenta Ana. Os homens podem doar de 60 e 60 dias ou 4 doações ao ano, enquanto as mulheres podem doar de 90 e 90 dias ou 3 doações ao ano”.

Acompanha a página do grupo no Facebook, Grupo Sangue Amigo da Vida.

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