Economia

Na crise, como anda nosso mercado imobiliário?

Em Portão, queda nos registros de imóveis é estimada em 20%, mas corretor diz que a situação no município ainda é melhor do que em outras cidades

Em 2009, nos Estados Unidos, bancos decretavam falência enquanto a bolha imobiliária americana tragava parte do dinheiro da nação mais rica do mundo. No Brasil, o governo federal lançava o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que iria impulsionar o setor imobiliário gerando um dos melhores momentos para a construção civil nacional.

Passados seis anos, as coisas mudaram, o dólar disparou e as turbulências políticas minam a confiança no governo brasileiro. A economia do país deu visíveis sinais de enfraquecimento, com PIB em declínio, desemprego subindo e os setores industriais em baixa.

Nas cidades do Vale do Sinos, o crescimento do mercado imobiliário nos últimos anos ainda deixa marcas sólidas. Bairros tiveram a incorporação de mais residências, loteamentos, condomínios e prédios, e o cenário em algumas cidades mudou. Mas com o declínio econômico, como anda nosso mercado imobiliário?

Para Valdecir Rodrigues Vieira, oficial dos registros públicos de Portão, órgão responsável por registrar a compra e venda de qualquer bem ligado ao mercado imobiliário na cidade, houve uma diminuição perceptível nos registros desse tipo desde o começo do ano. “Nos últimos seis meses diminuiu no mínimo 20% o número de registros de imóveis por aqui.” Rodrigues relata que o órgão registra em média de quatro a cinco imóveis por dia, e que as mudanças do Minha Casa Minha Vida acabaram influenciando na queda desse número, o que confirma um recuo no mercado imobiliário do município.

 

Empreendimento imobiliário em São Leopoldo, com oito casas em construção. O proprietário aguarda a venda de algumas casas já prontas para investir na conclusão do restante. / Foto: Thiago Santos

Joel Miranda, corretor imobiliário há mais de 11 anos em Portão, explica que também já percebeu a crise, mas argumenta que vem conseguindo contornar o problema. “A crise existe, mas aqui na imobiliária a gente não está sentindo porque estamos sempre buscando negócios, clientes. Eu atendo em sábado, domingo, tô sempre buscando oportunidade.” O corretor reforça que ainda não percebeu diminuição de movimento no trabalho: “Nos últimos meses teve alguma variação, às vezes mais, às vezes menos, mas o movimento não chegou a diminuir”. A imobiliária de Joel fica no centro de Portão, fator que segundo ele contribui para o fluxo de negócios.

Joel Miranda, corretor imobiliário. / Foto: Thiago Santos

Apesar da crise, Joel também destaca outros fatores que vêm atraindo investimentos para Portão, e consequentemente impulsionando o mercado imobiliário local. “Portão é uma cidade em expansão devido à construção da BR-448 e do aeroporto. O plano piloto aqui está melhor do que em outras cidades, o que chama mais investimentos.”

Confira em áudio a explicação de Joel sobre a situação do mercado imobiliário e algumas mudanças nos financiamentos ligados ao setor.

 

E a busca pelo imóvel?

Mas não são apenas os profissionais envolvidos com o mercado imobiliário que perceberam mudanças. Para a encarregada de logística Michele Silva da Silveira, a compra da tão procurada casa em São Leopoldo já dura seis meses, e as dificuldades não estão apenas na escolha. “O complicado é que os preços subiram muito de uns tempos pra cá. Com esse programa do Minha Casa Minha Vida, a meu ver, ficou ruim. Porque antes tu comprava um terreno por 40 mil, por exemplo, e agora não baixa de 120 mil só o terreno.” Michele também explica que a falta de concorrência nesse mercado acaba deixando o consumidor na mão da instituição financeira. “A Caixa parcela em até 360 meses a dívida e os juros são baixos, o problema é que eles não têm concorrência de outros bancos, assim colocam o preço que querem porque nos outros (bancos) os juros ficam entre 9% e 11%.”

 

Construção civil teve também teve um recuo de 8,2% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2014, seguindo baixa no mercado imobiliário. Fonte: CBIC / Foto: Thiago Santos

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  • Publicado em: 28/09/2015

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