Política

Manifestações Fora Temer seguem ocorrendo em Porto Alegre

Ato contra o governo do presidente Michel Temer é marcado por presença de sindicalistas e confronto com a polícia

Guilherme Engelke e Laíse Feijó

Na última quinta-feira, 22, ocorreu mais um protesto contra o governo do presidente Michel Temer em Porto Alegre e outras cidades do Brasil. Os manifestantes, além de pedirem a saída de Temer, acusaram o atual governo de elitismo e sexismo, criticaram o juiz Sérgio Moro, pediram a união da esquerda pelo enfraquecimento da direita e enalteceram a grande presença das mulheres no movimento.

Um das músicas entoadas pelo grupo  dizia “Nem recatada e nem do lar. A mulherada está na rua para lutar”, fazendo referência a um perfil feito pela Revista Veja em que descrevia a primeira-dama Marcela Temer como uma mulher “bela, recatada e ‘do lar'”.
A concentração do ato foi na Esquina Democrática, no Centro Histórico de Porto Alegre, e reuniu militantes, partidos e alguns representantes sindicais, que haviam realizado protestos durante o dia, reivindicando a manutenção de direitos trabalhistas. Alguns políticos também marcaram presença, como Olívio Dutra, Raul Pont e Sofia Cavedon, ambos do PT.
Segundo a bancária Isis Marques, o que a motiva a ir para rua é a manutenção de direitos conquistados. “Estou aqui pela proteção dos bancos públicos, dos meus direitos como bancária. E também em defesa do SUS e do Pré-Sal. Precisamos salvar a democracia”, disse Isis. Já para Rosa Sthwamdach, a luta é pelos direitos iguais e contra o “golpe” da elite e da “mídia golpista”. “Se vai resultar em alguma coisa, só o tempo dirá. Mas seguiremos na luta”.

 

Isis Marques, representante do Sindibancários, foi uma das sindicalistas presentes na manifestação. Foto: Luis Felipe Matos/Beta Redação

Isis Marques, representante do Sindibancários, foi uma das sindicalistas presentes na manifestação. Foto: Luis Felipe Matos/Beta Redação

 

O encontro, organizado pela Frente da Luta Contra o Golpe, estava marcado para às 18h, mas somente uma hora depois o grupo iniciou o deslocamento pela Rua dos Andradas. Durante boa parte do trajeto, um grupo de manifestantes demonstrou insatisfação com o trajeto escolhido para a passeata, criticando a organização ao dizer que o ato era pensado como um “desfile para os policiais”. O desentendimento foi aumentando conforme o caminho era feito e em vários momentos um grito de guerra dizia ser necessário que a esquerda se unisse para que juntos enfraquecessem a direita. A ideia era acabar com o mal entendido. Enquanto alguns manifestantes, a maior parte deles encapuzados e com os rostos cobertos, derrubaram caçambas de lixo, a outra parte as colocava no lugar. Ficou bastante claro que o movimento estava, de certa forma, dividido em relação a que atitudes tomar.

 

Integrantes do grupo de teatro DAD, da UFRGS, interpretaram deusas gregas que carregavam "as cinzas da democracia."

Integrantes do grupo de teatro DAD, da UFRGS, interpretaram deusas gregas que carregavam “as cinzas da democracia.” Foto: Luís Felipe Matos/ Beta Redação

 

Chegando na avenida Mauá, os manifestantes seguiram até o Gasômetro e de lá foram para a avenida Ipiranga, onde um grupo derrubou e incendiou outros contêineres. Atitude essa que foi repreendida pela maioria dos participantes. Os encapuzados, que depredaram as caçambas e inclusive algumas agências bancárias, foram os primeiros a dispersar quando a BM lançou bombas de gás.

Logo que a manifestação chegou nas redondezas do prédio de Zero Hora a Brigada Militar iniciou um confronto, lançando bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes. O grupo começou a se dispersar, alguns seguiram em direção à avenida Getúlio Vargas e após para a Cidade Baixa. Foi lá que alguns bancos foram depredados, gerando mais um confronto com a Brigada e então a dispersão foi definitiva.

Diversos civis que estavam nas proximidades da Cidade Baixa também foram atingidos pelas bombas de gás. Alguns criticavam a truculência da polícia, enquanto outros defendiam a BM e condenavam a atitude dos manifestantes. Um cliente do Bar Eski, que fica na Rua José do Patrocínio, conta que uma bomba de gás caiu na entrada do estabelecimento. “Acredito que foi um mal entendido entre a polícia e o pessoal que estava manifestando. A bomba caiu bem aqui na frente e no instinto o dono do bar fechou as portas. Acabamos ficando presos com todo aquele gás lá dentro, foi horrível. Não tomo lado nem da BM e nem dos manifestantes pois não sei o que aconteceu de verdade. Mas no fim das contas acabamos pagando pela ação”, disse o cliente, que preferiu não se identificar.

Confira no vídeo as imagens do ato:

 

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