Cultura

Mais que um Sticker. Uma expressão urbana

Adesivos colados em espaços públicos já fazem parte do cotidiano urbano

São marcantes, decorativos, grandes, pequenos, coloridos ou não: eles chamam atenção. Você certamente já viu adesivos colados nas ruas da sua cidade. Mas o que você sabe sobre a sticker art?

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Os stickers são aqueles adesivos facilmente encontrados nas ruas de grandes cidades e fazem parte da cultura underground. Eles podem ser autocolantes impressos em vinil ou em formato lambe-lambe, quando é necessário aplicar com uma espécie de cola caseira. Populares na cultura de rua, este tipo de intervenção é considerada uma modalidade da arte urbana, ao lado de outras manifestações como grafite e estêncil, por exemplo.

 

 

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Essa cultura alternativa teve início nos anos 1990 nos EUA, e no Brasil surge inicialmente como forma de decoração em lojas e centros comerciais.

Um dos precursores dos stickers como arte e manifestação é Shepard Fairey. O artista, que nasceu na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, começou na arte de rua na década de 80, quando fazia artes para skateboards e camisetas. Ele é o criador do mundialmente famoso adesivo André the Giant Has a Posse, que deu origem a série Obey the Giant. Fairey também é o autor do famoso retrato de Obama, usado em sua campanha para a presidência em 2008.

Obey the giant de Shepard Fairey

Obey the giant de Shepard Fairey

Além de sair às ruas para colar seus adesivos , os adeptos desta cultura possuem outra forma muito interessante de ampliar seu alcance: os packs.

É bastante comum que artistas enviem ou troquem seus adesivos pelo correio. Dessa forma, é possível que cada um cole o trabalho recebido em sua região, expandido sua divulgação (e vice-versa). Mas, muito mais do que isso, a troca de stickers via packs é uma experiência única para quem pratica.

Quem na era da internet ainda envia cartas? Para os artistas de stickers, a emoção de receber o trabalho de outras pessoas pelos correios é uma oportunidade de conhecer novas pessoas e diferentes perspectivas artísticas. Nesta arte tudo é muito manual e, por vezes, traz à tona um clima old school dos recortes à mão, da cultura DIY (do it yourself), como se cada peça fosse única – e por vezes é. Há também encontros de stickers, geralmente organizados pela internet, em que artistas se encontram para trocar suas artes e colar adesivos juntos.

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A grande sacada dos stickers está na forma como ela instiga o público, desacostumado com anúncios e cartazes subjetivos, sem intenções publicitárias ou diretas aparentes. Com a disseminação desta cultura e a chegada de novos artistas, os adesivos passaram a ser parte do cotidiano das ruas.

Os objetivos do sticker dependem do artista. Eles podem ter um cunho político, de protesto ou impacto, servir como adorno urbano ou apenas como uma forma de expressão pessoal.

Artista de Sapucaia do Sul, Marquinhos Sick espalha seus adesivos pela região metropolitana como forma de levar seu nome e sua marca para o grande público. Para ele, além de uma forma de arte, o sticker é um modo importante de autoafirmação.

“Eu comeci com os stickers, todos feitos à mão, todos com repetição, feitos um a um. Pego uns adesivos e saio colando. E esse negócio de tu querer aparecer e de ocupar espaço é a necessidade de existência. Eu tenho esse desenho comigo, que eu criei. Vou colar nos lugares, e existo! Estou aqui”, conta.

Por Marquinhos Sick

Por Marquinhos Sick

No caso de Dione Martins, a causa humanitária é essencial. O criador da lendária figura do índio Xadalu, que domina as ruas de Porto Alegre, diz que seus adesivos são uma forma de alerta à preservação da natureza  e da cultura dos povos indígenas do Brasil.

O artista nascido em Alegrete já trabalhou como gari, e foi na rotina das ruas que ele descobriu a arte. Começou com a serigrafia e com o tempo desenvolveu todo tipo de arte popularmente urbana, em especial os seus famosos stickers. Hoje ele ensina a arte e a confecção destes trabalhos para crianças carentes, indígenas e demais interessados.

Dione expõe desde 2012 em diversos espaços culturais e museus do país. Ele tem hoje sua obra espalhada por ele mesmo, amigos e fãs do famoso indiozinho em mais de 60 países.

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Xadalu de Dione Martins na China

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Xadalu de Dione Martins

 

Um livro sobre a trajetória de Dione Martins e o personagem Xadalu foi lançado no dia 11 de abril em edição trilíngue: português, inglês e guarani. “Xadalu – Movimento Urbano” tem textos de Vitor Mesquita, Francisco Dalcol, André Venzon, Patrícia Ferreira e Adauany Zimovski, e pode ser encontrado pelo site oficial.

Livro Xadalu - Movimento urbano

Livro Xadalu – Movimento urbano

Gostou de conhecer o universo dos stickers e quer explorar mais sobre esta cultura? O site britânico Streetstickers reúne uma vasta galeria de fotos de stickers pelo mundo. Confira.

 

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