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OPINIÃO: Mais altruísmo, por favor!

A Europa passa atualmente por uma crise de imigração de grandes proporções. Itália, seguida de Grécia, Espanha e Turquia, têm passado os últimos dois anos recebendo e, infelizmente, enterrando milhares que atravessam os mares em busca de melhores condições de vida. Condições essas que lhes são negadas em seus países de origem, como Líbia e países da África.

A Itália foi notificada há poucos dias que até cinco mil imigrantes vindos do norte da África podem chegar ao país por semana pelos próximos cinco meses. A Marinha tem, frequentemente, resgatado pessoas vindas em embarcações e condições precárias. Muitos morreram afogados, outros sufocados nos porões de navios.

O Mar Mediterrâneo se tornou um cemitério de imigrantes. Este ano já foram registradas 1750 mortes, 30 vezes mais do que em 2014, no mesmo período. E as perspectivas não são boas: o governo italiano estima que 200 mil pessoas tentem chegar ao país em 2015, mas dessas, 30 mil morrerão tentando, segundo a Organização Internacional para as Migrações.

O problema passou a receber maior atenção em 2013  , quando 400 pessoas morreram tentando atravessar o Mediterrâneo. Em 2014, foram mais de 3 mil. Depois disso, a Itália lançou a missão Operação Mare Nostrum, com o objetivo de vigiar o mar e evitar o maior número possível de acidentes. Outras duas operações foram colocadas em prática, também para controlar as fronteiras e evitar as imigrações.

É lamentável a situação pela qual esses seres humanos precisam passar para sobreviver. Como se não bastasse a necessidade de fugir de suas casas e de seus países para viver com o mínimo, muitos deles nem conseguem chegar ao destino. São tratados como animais, empilhados em barcos e navios com capacidades totalmente ultrapassadas. Alguns são traficados, outros fogem da violência na Síria e Iraque, além dos que buscam asilo. Todos torcem para que, ao menos, sobrevivam à travessia.

Enquanto isso, em cidades do Rio Grande do Sul, como São Sebastião do Caí, a 80 quilômetros de Porto Alegre, empresas buscam os imigrantes e lhes oferecem emprego, moradia e a promessa de um futuro diferente. Em 2014, cerca de 40 ganeses e haitianos passaram de refugiados a trabalhadores de uma das maiores empresas de conservas do Brasil, a Oderich Conservas, e moradores fixos da cidade que lhes acolheu.

Me pergunto onde foram parar os conceitos básicos de humanidade, em tempos que nações deportam milhares de imigrantes, criando barreiras egoístas e motivos torpes para evitar problemas aos seus países, ignorando a realidade dessas pessoas. Precisamos urgentemente resgatar o sentido de compaixão e humanidade e agir como seres humanos que somos, que deveriam tratar a todos como iguais e olhar pelo próximo com mais amor.

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