Economia

Macuco, empreendedorismo cervejeiro sobre rodas

Plataforma tuk-tuk de chope, que funciona como um bar itinerante, foi apresentada ao mercado em agosto

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Macuco TukTuk leva cervejas artesanais a eventos corporativos ou sociais. Foto: Juliana Cupini

 

A cerveja artesanal vive seu auge no Brasil: a cada dia, surgem novas cervejarias, bares e lojas especializadas. Há, inclusive, empresários que aproveitam da boa fase da bebida para desenvolver souvenirs, aplicativos e subprodutos – de alimentos, como molhos e picolés, a cosméticos, como sabonetes e shampoos. Dessa onda de novas ideias surgiu o Macuco, um triciclo motorizado com cabine, pensado para levar chope a eventos corporativos ou sociais. O ousado empreendimento foi apresentado ao mercado em agosto, mas já passou por algumas feiras de Porto Alegre.

A novidade funciona como um bar itinerante: possui quatro torneiras de chope adaptadas a um tuk-tuk, como é popularmente conhecido o automóvel. Conta com iluminação solar, oferece copos ecológicos e, o melhor, vai até o cliente. Os apreciadores que quiserem contratar o Macuco podem escolher até quatro estilos da bebida, entre rótulos nacionais e importados, que é servida na temperatura certa de consumo.

 

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Projeto foi apresentado ao mercado em agosto. Foto: Juliana Cupini

 

Quem visitou a feira organizada pela Casa de La Madre, café e loja de artesanatos, na Capital, em outubro, pôde conhecer pessoalmente o projeto e degustar as delícias engatadas nas torneiras. Para Valéria Nieto, proprietária do espaço e curadora do evento, cerveja em feiras de artesanato é uma tendência, já estando presente em algumas das quais tem participado. Ela conta que também tem um carrinho com cabine, que era utilizado para expor seus produtos. “Quando eu soube que essa plataforma também era utilizada para servir cerveja, decidi na hora que a chamaria”, destaca.

À frente da iniciativa estão as sócias Fernanda Nascimento, que é doutora em História e professora, e Michelle de Lara Ferraz, advogada e estudante de Tecnologia em Alimentos. O interesse profissional pela bebida, segundo contam, começou em 2013, quando participaram de um congresso acadêmico em Belém do Pará e descobriram as cervejas da Amazon Beer, fábrica local. De lá para cá, a paixão aumentou, visitaram cervejarias, fizeram cursos, aprenderam a produzir cerveja em casa e, em 2014, viajaram à Europa, passando pela Bélgica, considerada um dos “berços” da cerveja, e também por Portugal e França. Por lá conheceram o formato de negócios que que mais tarde serviria de inspiração para o Macuco. O veículo, também chamado de riquixá (que tem origem na Ásia, onde era amplamente utilizado como meio de transporte pela elite), é bastante usado principalmente na Índia, mas tem ganhado espaço em diversos países para o transporte de mercadorias e venda de produtos.

 

"Feirinha da Casa", organizada na capital, contou com a presença da marca (Foto: Victoria Silva)

“Feirinha da Casa”, organizada na Capital, contou com a presença da marca. Foto: Victoria Silva/Beta Redação

 

“Quando voltamos ao Brasil, começamos a pesquisar, encontramos este modelo e pensamos ‘por que não?’” O projeto, adquirido de Minas Gerais, foi desenvolvido pela Motocar, montadora de Manaus (AM), que possui concessionárias em todo o país. O triciclo chegou rapidamente a Porto Alegre, tanto que as sócias, na época, não tinham nem a carteira de habilitação para pilotá-lo. “Tínhamos apenas o planejamento estratégico que eu fiz. Sou mestre em Agronegócio, o que me trouxe uma certa bagagem para estruturar o empreendimento”, revela Michelle. A advogada diz que não contaram com apoio de investidores, “foi uma iniciativa própria, fizemos uma poupança e investimos”.

 

 Michelle de Lara Ferraz e Fernanda Nascimento estão à frente do negócio. Foto: Juliana Cupini

 

A arte para o Macuco foi feita pela própria Fernanda, inspirada na ave homônima, originária da Mata Atlântica brasileira. Espécie em extinção e, para as sócias, “símbolo de resistência e tradição”, também dá nome à fazenda no interior de São Paulo onde nasceu a avó de Michelle, Dona Augusta. Por enquanto, as empreendedoras cervejeiras estão preenchendo a agenda e participando de feiras em Porto Alegre e região, mas já prometem voos mais altos ao Macuco. “Queremos promover eventos próprios, engajados a causas sociais e, em 2017, pretendemos ter uma torneira da marca”, destaca Fernanda. Inquietas, nutrem ainda planos para uma segunda plataforma, diferente do tuk-tuk, para locais ainda menores. Alguém aí ficou com sede?

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