Esporte

Lugar de mulher é na luta

Enchendo as academias, mulheres têm conquistado espaço nas artes marciais

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Anelize Sampaio com suas colegas de MMA. Foto: Arquivo pessoal

O mundo das artes marciais, antes visto como um cenário masculino por envolver a força física, tem ganhado cada vez mais adeptas, que encontram na prática dos esportes proteção aliada aos benefícios físicos. O movimento feminino vem modificando o cenário de ringues e tatames e quebrando, principalmente, os estereótipos. Elas ultrapassam as próprias barreiras para mostrar que podem levar a nocaute.

A vontade de praticar exercícios físicos levou a estudante de biologia Talita Ribeiro, 22 anos, a seguir indicações de amigos e começar no taekwondo. Desde então, passaram-se seis anos que frequenta os treinos. Em vista de mudanças de cidade, passou um tempo afastada, mas voltou aos tatames em Porto Alegre. Ela conta que desde que começou a praticar o esporte se sente mais disposta e resistente para praticar outras atividade físicas, além de ter percebido melhora em sua coordenação motora. “Indicaria a arte marcial para quem gosta de lutas e tem vontade de participar de competições, mas principalmente para quem tem vontade de praticar algum exercício mais dinâmico e que dê prazer. A arte marcial traz, além dos benefícios físicos, alguns valores que podem ser aplicados nas nossas vidas cotidianas”, expõe Talita.

As mulheres também começaram a dominar o UFC, esporte com grande visibilidade na mídia, no qual a disputa é pelo grande cinturão. O gosto de ter o título do Ultimate em mãos foi experimentado por Amanda Nunes, primeira brasileira a ser campeã nesse evento em Las Vegas, 2016. De Salvador, Bahia, foi apelida de “leoa” por conta de sua agressividade. Ela estreou no MMA aos 19 anos e, desde então, vem representando o Brasil em lugares como Miami, Florida, onde já nocauteou lutadoras com carreira reconhecida, como Ronda Rousey.

O MMA tem ganhado cada vez mais adeptas. Há um ano, a jornalista Anelize Sampaio, 28, começou seus treinos em Osório. Pesquisando academias em que pudesse se inscrever, conheceu o professor César Ferri e fez uma aula experimental. Na aula, chamaram sua atenção a disciplina e a união das colegas. Desde então, tem sentido a melhora tanto em seu condicionamento físico quanto em seu temperamento: de acordo com ela, o esporte aumenta a concentração e diminui a ansiedade.

 

Defesa pessoal em foco

Numa sociedade na qual o perigo é iminente, esportes de luta são uma boa opção para aprender mais sobre defesa pessoal. Anelize conta que conseguiu se defender de uma tentativa de assalto, imobilizando o criminoso. “(A luta) não traz segurança, mas traz mais tranquilidade, porque na verdade é descontada toda a ansiedade nos treinos. Além disso, você aprende a se defender”, conta a aluna.  Desenvolvendo dentro da academia um estilo de vida baseado no autocontrole, acrescenta: “Não tem nada a ver com apologia à violência. É uma filosofia de vida com disciplina. Durante os treinos, fazemos atividades funcionais, e a nossa turma é só de mulheres”.

Talita Ribeiro ressalta que ganhou confiança através da vivência na academia de taekwondo. “Não é o fato de eu saber lutar que vai impedir que situações de violência ocorram comigo. Além do mais, aprendemos a nunca usar a luta na rua, apenas em casos muito extremos. Mas, com a prática do taekwondo, aprendi algumas estratégias de defesa pessoal, e que é possível que a técnica supere a força. Então, pensando por esse lado, me sinto mais confiante no que eu posso fazer para salvar minha vida, por exemplo”, confessa.

Todas as praticantes de artes marciais são orientadas por seus mestres a não utilizar seu conhecimento fora dos ringues e tatames. “Sempre que possível devemos evitar, até mesmo para a nossa segurança. As artes marciais nos ajudam muito a ter autocontrole, manter a calma, passar por situações difíceis com confiança. Acredito que nesse sentido me sinto mais segura, mais autoconfiante, e é nisso que a luta me ajuda no dia a dia. Em tentar manter o equilíbrio e enfrentar desafios sem medo”, explica Talita.

Para quem busca equilíbrio entre corpo e mente, as artes marciais requerem dedicação. “A aluna que pratica os golpes e frequenta os treinos regularmente certamente vai se aperfeiçoar com maior rapidez. Uma alimentação saudável também faz diferença. Quem pratica alguma arte marcial sabe que é um estilo de vida”, conta o treinador de MMA Sandro Coelho. Os treinos são realizados conforme o preparo físico de cada atleta. Quando uma mulher se torna adepta da luta pode optar por participar de competições – são diversas modalidades e categorias, seguindo a pesagem de cada uma.

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Lutadora de taekwondo Talita Ribeiro com sua turma. Foto: Arquivo pessoal

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