Economia

Lucratividade: faça chuva ou faça sol

Profissões consideradas como sazonais ganham espaço no mercado e se mantêm na baixa temporada

O que faz um sorveteiro durante o inverno? E um vendedor de piscinas? Será que eles trabalham durante o ano inteiro? Como ficam seus rendimentos? Na realidade, as profissões que imaginamos ter a cara do verão têm mostrado grande potencial até mesmo durante a baixa temporada.

Empreendedor há cinco anos, Ânderson Kinas Machado abriu mão da estabilidade da carteira assinada, em uma empresa na qual atuava no ramo administrativo, para se dedicar a algo que considerava ter mais seu perfil. “Eles gostariam que eu continuasse desenvolvendo um trabalho na organização, mas foram francos comigo dizendo que eu tinha um perfil para atender público e que, se buscasse algo nesse sentido, teria excelentes resultados”, enfatiza. Confiante com a própria intuição e o conselho do antigo empregador, Machado resolveu abrir um negócio próprio. A resposta foi positiva. Desde então, o jovem de 27 anos administra uma empresa de piscinas e equipamentos de lazer em Novo Hamburgo.

Mesmo na baixa temporada, loja de piscinas em Novo Hamburgo tem grande volume de vendas. Foto: Arquivo Pessoal

 

Machado conta que o maior lucro da loja, sua única fonte de renda, ocorre na alta temporada. No entanto, ela começa no fim de julho e se estende até março. “A procura por piscinas ocorre o ano inteiro, aliás, a melhor época para se instalar piscina é em agosto. E justamente nesse mês é que temos um dos melhores resultados”, revela. O faturamento chega a ser tão alto que supera o mês de dezembro, considerado pelo comércio o melhor mês para as vendas, por conta do Natal e do 13º salário. Além disso, a loja ainda vende produtos para manutenção, lareiras e banheiras, garantindo público o ano inteiro.

Assim como Ânderson, Marcos Pazzuti, 50 anos, trocou o emprego pelo empreendimento. “Eu trabalhava com vendas de produtos de informática. Eu estava insatisfeito com a minha condição e já tinha uma idade avançada para buscar novos desafios como empregado”, explica. Hoje é dono de uma loja de sorvetes e picolés em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Pazzuti relata que conhecia a qualidade do produto, mas para que tudo desse certo, antes da efetivação da empresa, fez muitas análises e seguiu todos os passos de um Plano de Negócios. Porém, como todo mercado sazonal, ele ressalta que é preciso fazer um bom caixa na alta temporada, pois o movimento cai cerca de 95% durante o inverno. “No meu caso, como sou uma franquia, tenho que seguir as normas determinadas pelo fabricante. Porém, um profissional independente tem a possibilidade de trabalhar com produtos alternativos, como massas e pizzas congeladas”, explica.

Comerciante vende outros produtos para se manter e atrair novos clientes durante o inverno. Foto: Arquivo Pessoal

 

Atuando nesse ramo há três anos e meio, Pazzuti assume que já pensou em desistir, principalmente no começo, quando fez aplicações e obteve pouco retorno. “Cometemos alguns erros, como por exemplo ter que pagar o investimento e ainda fazer reserva de caixa. É muito trabalho, exige dedicação plena, abre-se mão do lazer, da família, e tudo isso influencia”, afirma.

O segredo para o empreendimento se tornar rentável é estar consciente de que são sete meses de média/alta temporada e outros cinco de baixa, para que assim seja possível equilibrar o orçamento, aponta o comerciante. Por isso, mesmo com a demanda maior durante o verão, Pazzuti resolveu abrir inclusive no inverno, como uma estratégia para se estabelecer no mercado.

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