Política

Muito longe do real significado da política

Afinal, o que é política? Ou melhor, o que se faz hoje é política? Da raiz da palavra ao que se tornou hoje.

Sabendo e convivendo com toda essa crise política que se instaurou no nosso município, estado e país, a Beta Redação achou relevante entender se realmente estamos totalmente “fora”, se o que nossos políticos fazem por nós está tão diferente do real sentido da palavra política.

Conversamos com o professor e coordenador do curso de Filosofia da Unisinos, Clóvis Gedrat, que fez uma explanação sobre o sentido da palavra política, com um sentido totalmente diferente daquele que vemos e conhecemos como política hoje.

A palavra política surgiu na Grécia e deriva da palavra “polis” que significa nação, cidade, estado grego. Entendendo também o significado da palavra “cidade”, na Grécia, quando a população atingia um determinado número de habitantes, era obrigatório que o território fosse dividido, fazendo com que fosse criada uma nova cidade, com novos governantes.

Isso se fazia por se entender que se consegue governar bem até certa dimensão territorial, o que se formos pensar, não está errado, pois assim o governante conseguiria estar acompanhando de perto tudo o que era feito dentro da sua cidade.

O homem grego defendia a sua cidade “com unhas e dentes”. Todo o cidadão de determinada localidade era soldado do seu território, defendendo sempre os ideais de todos que ali viviam. O que se distorce nitidamente do que vemos hoje no Brasil, onde as pessoas, os eleitores, são “comprados” facilmente, e trocam seus ideais da noite para o dia.

Podemos dizer que a política hoje virou uma atuação profissional, onde os políticos brigam para estar no governo e impor suas ideias, sendo que na Grécia, de tempos em tempos, era obrigatório que se trocasse o governante para que não se perpetuasse no cargo. Não existia remuneração para aquele serviço, as pessoas “trabalhavam” como políticos do seu povo, para tentar ajudar a comunidade onde estavam inseridos.

A comunidade conversava abertamente sobre seus problemas e tentava resolver o mais rápido possível. Hoje só o que vemos são bandeiras partidárias com ideais de partidos e não uma preocupação real com a saúde, segurança, trabalho e educação daquele cidadão que vive naquela comunidade.

Clóvis citou ainda, como exemplo de homem político, José Mujica, ex-presidente do Uruguai, que trabalhou para o seu povo, e sua vida particular financeira, hoje não é maior do que quando ele entrou para governar o país. Não entrou no governo com pensamento de se perpetuar no cargo, nem de enriquecimento próprio, mas sempre com linhas de pensamento para o coletivo, sem pensar em  si somente, ou ainda com pensamentos partidários, comprando seus eleitores.

No Brasil, a cada quatro anos, muda-se governo e governantes, isso faz com que não haja ou siga um fluxo de crescimento da nação, e que muitas vezes são ideias totalmente contrárias de um para o outro. Entramos novamente na questão partidária. Vemos, como se faz política pelo partido – que é particular, são ideias particulares, e não para o crescimento e desenvolvimento de uma população.

Clóvis finalizou comentando sobre o discurso dos políticos de hoje em dia, que usam da retórica – astúcia para convencer os eleitores, para que acreditem no que ele quer que as pessoas acreditem. Facilmente se elabora um discurso para pessoas de baixa renda, ou de condição social menos favorável, compra-se a briga de melhores condições na saúde, na educação, na segurança, melhores condições de trabalho, assim afetando o psicológico daquele povo, muito rápido teríamos inúmeros eleitores a favor daquele político, que nada mais fez do que usar deste discurso para iludir e comprar seus eleitores.

“Acho certíssimo que seja cobrado dos políticos que façam concursos públicos para poder exercer o cargo, afinal, será que poderíamos contratar alguém para administrar uma empresa, por exemplo, sem ter o conhecimento mínimo da academia em gestão empresarial ou administração? Ninguém faria isso. Como podemos colocar uma “analfabeto” para administrar um país, sem o mínimo de conhecimento em administração?”, encerra.

Além da explicação do professor Clóvis sobre o assunto, a Beta Redação, decidiu fazer uma enquete pública online, onde obtivemos vinte e duas respostas e das quais algumas foram selecionadas para compor esta matéria. Entendemos que por querer que os entrevistados fossem o mais realistas e verdadeiros possível, decidimos não identificá-los. Confira algumas respostas:

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