Economia

Livre-se do que você não utiliza mais

Grupos de troca e venda no Facebook podem ser uma alternativa para quem quer ter uma renda extra

Recentemente, uma pesquisa encomendada pelo site de classificados OLX, realizada pelo Ibope, apontou que a população do Sul do Brasil é a que mais acumula coisas que são comercializáveis. Cerca de 48% das pessoas disseram não conseguir se desfazer de coisas que não utilizam mais. O motivo? A dificuldade de desapegar.

Aos consumistas de plantão, praticar o desapego parece ser a melhor saída para driblar a crise, e participar de grupos de troca e venda de objetos no Facebook pode ser a solução. Além de conseguir uma grana extra, é possível encontrar produtos por um preço acessível.

O Desapegos Unisinos é um exemplo desses grupos de bazar virtual no Facebook. Criado em 2014 por Fabiana Andressa da Silva, estudante do último semestre de Psicologia da universidade, o grupo já possui mais de 1.800 pessoas que utilizam o espaço para vender, trocar e até mesmo comprar objetos.

Fabiana já fazia parte de outros grupos de troca e venda, mas a vida acadêmica exigia que a estudante passasse muito tempo no campus. Quando começou o último estágio do curso decidiu, com uma amiga, criar o grupo para ter uma renda extra.

“Com o tempo percebi que muitas pessoas que estudam na Unisinos ou que moram ali por perto vendiam coisas em outros grupos. Então, eu e a minha amiga decidimos criar um único grupo de troca na universidade para facilitar o processo de entrega, já que todos estudantes e funcionários precisam ir à Unisinos e conhecem o campus”, explica.

Consumista assumida, Fabiana conta que passou a cuidar mais do dinheiro: “De alguma forma o grupo me ajudou a avaliar o que eu realmente estava precisando. Eu consegui me desfazer de muita coisa que eu tinha e aprendi a me controlar mais. Me ajudou a criar uma outra consciência em relação ao consumismo”, relata.

Bolsista de Iniciação Científica da Fundação Zoobotânica, Natália Procksh participa do Desapegos Unisinos há cinco meses. Para ela, é uma oportunidade de passar adiante aquilo que já não lhe agrada mais. “O grupo me ajuda a desapegar de coisas que eu não uso e que podem ser úteis para outras pessoas, facilitando a entrega, pois são pessoas que frequentam a universidade”, conta.

Sobre o consumo consciente, Natália diz que não deixou de gastar: “Acabo comprando mais porque sei onde me desfazer. O grupo me ajuda a comprar coisas novas, como uma forma de substituir aquilo que eu estava vendendo”.

Segundo o professor de Ciências Econômicas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Adalmir Antônio Marquetti, “as tecnologias criam novas possibilidades de fazer comércio, além de aproximar as pessoas”. Ele explica: “À medida que tu crias novos canais de comunicação, tu abres caminhos diferentes para vendas, encontra outra maneira de ganhar dinheiro, não só no Facebook, mas no Mercado Livre também, por exemplo”.

De acordo com Marquetti, essas formas de troca e venda movimentam a população em dois sentidos: ajudam as pessoas a criarem uma consciência de consumir menos, para se desfazer de menos coisas, mas, em contrapartida, estimulam o aumento dos gastos, já que existe a grande possibilidade de existir alguém interessado em comprar aquilo que não se quer mais.

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