Política

Lista de Fachin: saiba por que os políticos gaúchos serão investigados

Em entrevista à Beta Redação, Onyx Lorenzoni e Yeda Crusius negaram as suspeitas que embasam os pedidos de inquérito. Maria do Rosário se manifestou em nota. A reportagem não conseguiu contato com Eliseu Padilha e Marco Maia

Foto: Carlos Moura, STF.

Foto: Carlos Moura, STF.

Pedro Kobielski, Amanda Moura e José Francisco Ribeiro Júnior

No final da tarde desta terça-feira (11), o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, divulgou 83 inquéritos judiciais da operação para a imprensa – o conteúdo foi publicado em primeira mão pelo jornal O Estado de S. Paulo. Com base nas delações de 78 executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht, um total de nove ministros do governo Temer, 29 senadores e 42 deputados federais foram acusados de crimes como corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, formação de cartel e fraude a licitações.

Ao todo, cinco políticos gaúchos foram citados e serão intimados pelo STF: Marco Maia (PT), Maria do Rosário (PT), Onyx Lorenzoni (DEM), Eliseu Padilha (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB). Ainda houve um inquérito expondo irregularidades no Trensurb. Confira abaixo as acusações feitas:

Marco Maia – O deputado federal do Partido dos Trabalhadores foi acusado pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, de receber uma doação não declarada de R$ 1,35 milhão no ano de 2014, através do Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht. De acordo com Melo, Maia atendia, no Drousys (sistema de controle do “setor de propina” da Odebrecht, sediado na Suíça), pela alcunha de “Gremista”. Confira o Inquérito 4.385.

Maria do Rosário – A deputada federal petista teria recebido uma doação não declarada para a campanha de 2010 no valor de R$ 150 mil. O delator Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, ex-executivo da Odebrecht, disse que “construiu uma sistemática de contribuição financeira a campanhas eleitorais, com a finalidade de ter um bom relacionamento junto ao cenário político nacional”, e percebeu que a parlamentar era “importante liderança política no Estado do Rio Grande do Sul”. Rosário teria o codinome de “Solução” para o sistema de propinas da empreiteira. Confira o Inquérito 4.398.

Onyx Lorenzoni – O ex-diretor da Odebrecht Alexandrino de Alencar teria se aproximado do deputado democrata no ano de 2006. Alencar teria dito a Onyx que “estamos percebendo o seu desempenho, a sua conduta, e nós gostaríamos de termos (sic) aí como um parceiro futuro nas suas atividades como deputado federal”. Foi registrada no sistema Drousys uma doação não declarada à Justiça Eleitoral de R$ 175 mil. Confira o Inquérito 4400.

Eliseu Padilha – O ministro da Casa Civil foi citado por seis diferentes delatores: José de Carvalho Filho, Cláudio Melo Filho, Marcelo Bahia Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho e Paulo Henyan Yue Cesena. De acordo com o documento do STF, “há fortes elementos que indicam a prática de crimes graves, consistente na solicitação por Eliseu Padilha e Moreira Franco de recursos ilícitos em nome do Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB e de Michel Temer, a pretexto de campanhas eleitorais”.

As suspeitas contra Padilha incluem o recebimento de pagamentos ilícitos envolvendo campanhas eleitorais do PMDB. Nesse pedido de investigação figura o nome do então ministro da Aviação Civil, Moreira Franco, que teria fraudado os editais de concessões aeroportuárias em favor da Odebrecht, ganhando em troca o valor de R$ 4 milhões para aplicar nas campanhas de 2014. Padilha teria sido o indicado para receber o valor, atendendo pelo apelido de “primo”.

Confira as outras acusações contra o ministro da Casa Civil no Inquérito 4.462.

Yeda Crusius – A ex-governadora tucana teria recebido doações ilegais da Odebrecht nos anos de 2006 e 2010. Segundo o inquérito de Fachin, “todos os repasses objetivavam propiciar que a Braskem S/A, empresa controlada pelo Grupo Odebrecht, permanecesse recuperando créditos de ICMS no contexto do Estado do Rio Grande do Sul”. Os valores seriam de R$ 400 mil em 2006 e de R$ 550 mil em 2010. Os ex-diretores da Odebrecht Alexandrino de Alencar, Benedicto Júnior e Valter Lana foram os delatores da deputada federal. Confira o Inquérito 4.406.


CONTRAPONTO

A Beta Redação tentou realizar contato com os cinco políticos gaúchos citados nas delações dos executivos da Odebrecht que deram base aos pedidos de inquérito autorizados pelo ministro Fachin. São eles: o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), e os deputados federais Onyx Lorenzoni (DEM), Marco Maia (PT), Maria do Rosário (PT) e Yeda Crusius (PSDB).

onyx

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM), em entrevista por telefone à Beta Redação, colocou-se à disposição da Justiça e da população gaúcha para prestar todos esclarecimentos necessários. “Estou absolutamente tranquilo, não devo e não temo nada. Meu advogado já foi até o Supremo saber quais foram as razões da investigação e pedir a abertura do processo. Inclusive, para acelerar as investigações, estou disposto a abrir mão de meu foro privilegiado. Tenho 24 anos de vida pública sem nenhum arranhão e continuarei assim. Fiz a minha quarta eleição sem nenhum apontamento. Tenho procurado me diferenciar desta lambança toda”, afirmou.

rosário

A Beta Redação também fez contato com a assessoria da deputada Maria do Rosário (PT), que enviou nota:

“A medida é uma mera autorização do STF para apuração dos fatos sobre as delações da Odebrecht. No entanto a mera citação de meu nome me deixa indignada. Não me calarei frente a este episódio e não me afastarei um milímetro sequer das causas que acredito e que o nosso trabalho representa. Vou disponibilizar meus sigilos fiscal, bancário e telefônico ao STF tamanha é minha tranquilidade. Meu nome e minha vida não estão à disposição para serem enxovalhados por ninguém em nenhum lugar.”

yeda

A deputada federal Yeda Crusius (PSDB) falou à Beta Redação: “Estava trabalhando pelo bem do Brasil e, quando vejo, o mundo está caindo na minha cabeça. Já passei por isso outras vezes, não tenho nada a ver com a Lava Jato. É um mercado de destruição de reputação e imagem. Peço celeridade na apuração dos fatos, pois não posso esperar 10 anos para ser inocentada”. Yeda ainda afirmou que espera ter acesso à delação para averiguar se será cabível alguma medida judicial contra os delatores.

A Beta Redação também tentou contato, na noite de terça-feira (11), com a assessoria de imprensa da Casa Civil e com o deputado Marco Maia, mas nenhum dos telefones contatados atenderam as ligações.

 

Lida 905 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.