Esporte

Lesões interrompem precocemente a carreira de jogadores de futebol no Brasil

Vida de jogador de futebol no Brasil é como uma loteria, onde pouquíssimos tem chance de conseguir o bilhete premiado

No Brasil, o futebol é paixão nacional, sendo um dos poucos modos de um jovem prosperar financeiramente antes mesmo de chegar a fase adulta. Entretanto, existem vários fatores que mostram o quão ilusório é esse mecanismo capaz de enriquecer adolescentes de 16 anos. O que a mídia mostra, no entanto, são atletas ganhando milhares de reais por mês para fazer o que grande parte dos jovens sonha: jogar futebol. Mas, para alcançar esse patamar, é preciso superar diversas etapas, que mostram um lado “B” dessa glamourização do esporte.

Fonte : CBF

Fonte : CBF

Segundo levantamento de 2015 da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), dos mais de 28 mil atletas profissionais do Brasil, 82,4% ganham salários até mil reais, ou seja, menos que um emprego como servente de pedreiro ou metalúrgico. Portanto, financeiramente pode-se dizer que o futebol é uma loteria, onde pouquíssimos são premiados. Além disso, é fácil ouvir o torcedor brasileiro se referir aos jogadores da seguinte maneira: “por 500 mil eu até cortava a grama do estádio”, indicando que lesões, problemas pessoais e de adaptação são um simples detalhe.Mas, não são.

O atual treinador da Seleção Brasileira de futebol masculino foi vítima de um desses problemas, responsável por encerrar sua carreira precocemente: as lesões. Aos 28 anos, o camisa 10 clássico, que já havia atuado por clubes como a Portuguesa e Guarani, ambos de São Paulo, teve que encerrar sua carreira devido a repetidas lesões no joelho. Provavelmente, Tite só esteja sendo citado pelas conquistas que alcançou como treinador ao longo dos anos. No entanto, quantos jogadores profissionais e aspirantes têm suas carreiras encerradas sem nem ao menos virar um dado de alguma pesquisa?

 

 

 

Até o momento, esse é o caso de Gustavo Zimmer, morador da cidade de Feliz, no interior gaúcho. O jovem de 16 anos está há 17 meses contundido, sem poder praticar nenhum tipo de atividade física. Há mais de 1 ano e meio, o garoto integrava a equipe de base do Esporte Clube Juventude, de Caxias do Sul. No entanto, o lateral esquerdo começou a sentir dores na região próxima ao púbis, que em princípio não preocupavam. “Eu tinha uma rotina bastante corrida. Jogava futebol de manhã na escola, a tarde tinha treino no clube, em Caxias do Sul. Chegando em casa, muitas vezes eu ainda jogava futsal a noite. O corpo não aguentou”, contou Zimmer.

Alcançando seu limite, o atleta foi diagnosticado pelo departamento físico do Juventude com uma lesão no púbis e instruído a fazer fisioterapia durante dois meses. “Não adiantou nada, parecia que só piorava. Eu cheguei a ficar usando muleta durante vários dias, pra não forçar, mas a dor continuava”, relatou o jovem. Como não se recuperou, teve que se afastar do clube para tratar do problema.

 

Gustavo não sabe se poderá voltar a praticar esportes. Foto:Guilherme Rossini / Beta Redação

Gustavo não sabe se poderá voltar a praticar esportes.  Foto: Guilherme Rossini / Beta Redação

 

O fisioterapeuta Erneus Lorenzi, 64 anos, diz que já viu vários problemas como esse e que, em geral, são falhas da fisioterapia, que feita de forma errada levam o atleta a ter que realizar procedimentos cirúrgicos. “Muitas vezes, o fisioterapeuta faz exatamente o que o médico manda. Eu sempre atesto o que os médicos indicaram, pois tenho o meu direito de analisar o problema do paciente segundo minha visão”, disse Lorenzi, proprietário da Clínica Santa Cecília, em Garibaldi. Ele ainda explica que um dos problemas é que há um grande número de casos que os fisioterapeutas tratam a dor, e não o foco da lesão. “Tem uma coisa que um monte de gente faz, que é só tratar a dor. Temos um exemplo bem comum, que são os problemas no joelho. Certa vez, eu tive uma dançarina de danças típicas alemãs que tinha uma viagem pra Alemanha pra fazer uma apresentação, mas tinha uma lesão no joelho que já vinha se arrastando há tempos, segundo ela. Conforme o laudo do médico, era um problema no ligamento, indicando uma grande carga de medicamentos pra tomar, além de fisioterapia no local, que não estava resolvendo. Quando ela veio ao meu consultório, percebi que ela não tinha nenhum problema no joelho, mas sim, nas costas. Ela pisava errado, o que gerava a dor no joelho. Com exercícios focados no problema, e não na dor, resolvi a lesão do joelho dela em menos de um mês”, relatou Lorenzi.

Há 2 meses, Zimmer precisou passar por um procedimento cirúrgico, para corrigir uma hérnia inguinal que está associada ao seu quadro clínico. “A lesão do Gustavo é bem complexa, além de ser crônica e antiga, tendo repercussões na parte de traumatologia e ortopedia”, disse o cirurgião que operou o jovem, pedindo sigilo sobre seu nome, devido aos próximos desdobramentos da lesão.

 

 

 

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