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Leishmaniose gera debate na Capital

Secretaria Municipal de Saúde e protetores de animais divergem sobre prática de eutanásia em cães com a doença

Em maio, a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre confirmou a terceira morte por leishmaniose visceral humana. No mesmo mês uma polêmica foi criada com a contratação de uma clinica veterinária para sacrificar cães com a doença.

Segundo a médica veterinária, Bruna Pamzardi Kappel, a leishmaniose é uma zoonose, causada pelo protozoário leishmania.  A doença, que afeta cães e humanos, é transmitida através da picada do mosquito-palha. “O cão não transmite a doença, quem faz isso é o mosquito. Uma forma de prevenção é sempre tentar combater o mosquito, com atitudes que já deveriam fazer parte do dia a dia da população, como evitar o acúmulo de lixo, por exemplo”.

A deputada estadual Regina Becker Fortunati (REDE) é contra a eutanásia em cães. Foi ela quem ingressou na Justiça para que a Secretaria Municipal de Saúde fosse impedida de sacrificar os animais.

Em maio, o caso foi parar na Justiça, sendo vedada a eutanásia dos cães com a doença. Após essa decisão, as polêmicas prosseguiram com a revogação da decisão liminar. Já em Junho, no dia 2,  a Secretaria Municipal de Saúde ajuizou uma ação no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), para que fosse suspensa a decisão do juiz de primeira instância. No dia 13, o Tribunal manteve a decisão que impede a Prefeitura de praticar eutanásia nos cães com leishmaniose.

“Combater doenças não pode ter como política a imposição da morte, precisa ser, antes de tudo, um dever do poder público, o de proporcionar tratamento para a cura, tanto da pessoa humana, quanto da não-humana. O único animal que precisa ser exterminado para que a leishmaniose não represente perigo à vida é o mosquito-palha”, afirmou a deputada estadual em nota divulgada nas suas redes sociais.

A tentativa da Secretaria Municipal de Saúde de adotar a prática de eutanásia levou um grupo de protetores de animais a criar o projeto “LeishManinhos – Quem ama não mata, trata”. Segundo a jornalista e voluntária da Vila dos Peludos, Gelcira Teles, um dos grupos da ação, os participantes defendem a vida dos animais, já que a doença tem tratamento.

 

Projeto Leishmaninhos tenta evitar a prática de eutanásia. (Foto: Arquivo Leishmaninhos)

 

“A Prefeitura deveria focar na educação ambiental e conscientização da população sobre a importância da prevenção, limpeza urbana, combate ao desmatamento e ao foco do mosquito. Entendemos que a administração deve se responsabilizar pela solução dos problemas ambientais que geraram esta emergência quanto à saúde pública, não eleger o cão como vilão. Se a Secretaria tem dinheiro (cerca de R$ 65 mil, conforme levantamos) para matar 300 cães supostamente contaminados, deve utilizar esses recursos para tratá-los”, explica a protetora dos animais.

Outra alternativa sugerida pela veterinária Bruna Kappel para o combate da doença é o uso da coleira antiparasitas nos animais, mesmo que eles já tenham sido contaminados. “A coleira é indicada porque ela atua matando e repelindo o mosquito-palha. Então, ela não só protege o cão, como acaba com o vetor da doença”, afirma. Segundo Gelcira Teles, o LeishManinhos já entregou coleiras para alguns cães da Vila das Laranjeiras, onde atua uma das protetoras integrantes do projeto e pretende fazer mais ações semelhantes.

A jornalista também explica que o projeto auxiliará os donos dos cães com a doença que não tem condições financeiras de tomar os cuidados adequados: “Emergencialmente, o LeishManinhos  vai buscar padrinhos para custear o atendimento (testes + tratamento) dos cães com suspeita de Leishmaniose de tutores que não possuam condições financeiras e adoção especial para os cães contaminados que não tenham tutores e necessitem de acompanhamento veterinário”.

Enquanto a polêmica persiste, a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre anunciou medidas de segurança a serem adotadas para conter a doença. Por hora, a Secretaria definiu que os donos dos cães infectados ou as entidades voluntárias devem assumir a responsabilidade pelos animais.

Dentre as medidas, estão: acompanhamento veterinário, o uso da coleira repelente, a manutenção dos cães a pelo menos 500 metros de distância de áreas de mata nativa, a manutenção do tratamento e a apresentação de exames dos animais a cada quatro meses. Quem fiscalizará as regras será a Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde.

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