Esporte

Lei de Incentivo ao Esporte é um dos poucos suportes para o Futebol de cegos gaúcho

Projeto dá incentivo as empresas privadas a patrocinar o esporte paraolímpico no Estado

A Associação Gaúcha de Futsal para Cegos (Agafuc) lançou neste mês de maio o projeto Olhar no Presente Visão de Futuro, que promove o esporte como o Futebol de 5. Modalidade paraolímpica adaptada para deficientes visuais. O projeto foi aprovado pela Lei de Incentivo ao Esporte, conhecida como Lei Pelé, que permite que empresas e pessoas físicas invistam parte do que pagariam de Imposto de Renda em projetos esportivos aprovados pelo Ministério do Esporte.

O presidente da Agafuc, Pedro Antônio Beber, ressalta a importância de programas como esse para promover o esporte de alto rendimento. Uma melhoria financeira significativa, que ajuda na logística da entidade, na compra de fardamento, passagem e a contratação profissionais especializados: professores, terapeutas e massagistas. “Tudo isso nós podemos pagar com as verbas do projeto” afirma o presidente.

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Foto: Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais/ CBDV

Associação foi fundada em 27 de novembro de 2010 se propondo a qualificar e profissionalizar o Futsal para cegos aqui no Rio Grande do Sul. Há 4 anos presidindo a associação, e a 30 anos como jogador, Pedro conta que o patrocínio tem melhorado nos últimos anos, mas está longe do que se precisa. “Ainda encontramos algumas barreiras com os empresários. Os atletas que estão na seleção brasileira têm patrocínio. Mas entidades como nós tem que ir atrás desses projetos”.

Seleção brasileira

Boa parte do time da Agafuc participa da seleção brasileira de Futebol de 5. Mesmo com pouco investimento os atletas gaúchos são destaque internacionalmente. Ricardo Alves, conhecido como Ricardinho, é atacante da Agafuc e foi eleito o melhor do mundo nos anos de 2006 e 2014. Também é tricampeão dos Jogos Paraolímpicos nas edições de 2008 (Pequim), 2012 (Londres) e 2016 (Rio). Foi tricampeão do Parapan (2007, 2011 e 2015).

Junto com Ricardo, também há os craques da bola Maurício Dumpo, campeão Paraolímpico nos jogos Rio 2016; Luan Gonçalves com vitórias em torneios no Japão, Argentina e Canadá e  nos últimos jogos do Rio; Damião Ramos também tem títulos em jogos Paraolímpicos (2004, 2008 e 2016); Raimundo Mendes tem no currículo dois títulos Paraolímpicos (2012 e 2016) além de vitórias em competições no Japão, Canadá e Argentina.

Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais/ CBDV

Foto: Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais/ CBDV

Esses profissionais que participam da seleção recebem a Bolsa Atleta, além do patrocínio da Caixa Econômica Federal, recursos que dão suporte para que esses jogadores vivam somente do esporte. É o que afirma o ala do Agafuc, Edison Josemar Medeiros, 53 anos, que atribuiu a quantidade de craques aos incentivos que a modalidade recebe, mesmo escassos. “Esse movimento se dá pelo incentivo, faz com que esses jogadores possam se dedicar aos treinos. Ter profissionais especializados que possam orientar os jogadores. Em outras épocas não tinha isso”. Servidor público do estado há 24 anos, hoje o futebol para Edison é apenas um lazer. Já competiu em outras equipes, foi Campeão Brasileiro e ganhou cinco títulos regionais, mas agora joga apenas com a “gurizada” quando é preciso.

Além do profissional

Para os outros jogadores da associação o esporte vem mesmo como um complemento. A falta de patrocínio não permite que todos tenham somente o futebol como profissão. Mas, para além da questão financeira, Edison destaca a melhora na qualidade de vida dos deficientes visuais que praticam o esporte. “A pessoa que joga futebol se localiza melhor, é diferente no caminhar. Tu tens que correr, localizar, driblar. Não é só chutar uma bola. ”

Esse é o caso de Mateus Silva, de 21 anos, que está na Agafuc desde sua fundação. Ficou cego aos 7 anos após um acidente de moto. Conta que o futebol veio como uma cereja no bolo. “ O esporte veio em um momento que eu estava muito preso dentro de casa, o futebol me reintegrar na sociedade, afirma o estudante do 2° semestre de jornalismo. Mateus complementa “Ajudou na locomoção, na minha mobilidade. E acho que na questão de manter longe das drogas”.

Foto: Foto: Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais/ CBDV

Foto: Foto: Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais/ CBDV

Patrocínio privado

A Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais – CBDV administra os campeonatos e a seleção Brasileira de Futebol de 5. Cumpre o papel de repassar recursos, disponibilizar equipamentos e capacitação de profissionais para seus clubes filiados, esses são responsáveis por desenvolver o esporte no seu estado.

Helder Maciel Araújo, secretário-geral da CBDV , confirma que há pouco investimento e incentivo no Brasil. “O esporte paraolímpico vem crescendo muito, mas ainda não despertamos a questão do patrocínio das empresas privadas”, complementa. Helder ressalta que esse trabalho precisa ser realizado junto às autoridades governamentais e empresariais. Isso deve abrir portas e facilitar ações para os clubes.

Para o secretário, o Agafuc e outros filiados do CBDV  estão trabalhando a questão da Lei do Incentivo. “É o melhor mecanismo para que as entidades possam consolidar um trabalho, porque através dela alguns clubes conseguem se manter. Ainda não é o que se imagina para o esporte paraolímpico, mas estamos caminhando”, reitera o secretário.

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