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Jornalista cria blog e ajuda pessoas com Síndrome do Pânico

Diagnosticada com a doença, Thayse Lopes decidiu compartilhar experiências em 2015. Hoje, recebe cerca de 25 pedidos de auxílio por dia

A Síndrome do Pânico é um dos transtornos mais comuns dos dias atuais. Devido à violência e ao caos diário, muitas pessoas acabam sendo vítimas desse mal que, por vezes, está aliado à depressão. Com a chegada das festas de final de ano, quem tem essa doença se sente ainda mais acuado, pois a Síndrome do Pânico age de diversas formas, como fobia social, crises de ansiedade fortíssimas e até mesmo taquicardia. Para proporcionar alento a essas pessoas, uma jornalista resolveu criar um blog sobre o assunto.

Thayse Lopes, de 29 anos, foi diagnosticada com a doença em 2012, quando morava em Brasília. “Eu não sabia o que eu tinha, fiz vários exames e todos deram negativos. Foi aí que me orientaram a procuram um psicólogo, onde fui diagnosticada com Síndrome do Pânico”, destaca. A jornalista fez terapia por oito meses e achou que o transtorno nunca mais voltaria. No entanto, a síndrome acabou voltando. Em 2014, Thayse se mudou para São Paulo e, em 2015, foi acometida pelas crises novamente, mas desta vez com mais força. “Fiquei meses sem sair de casa sozinha e um mês inteiro sem sair de casa, porque tinha muitas crises”, conta a jornalista.

Procurando ajuda na internet, Thayse não encontrou pessoas com o mesmo diagnóstico, somente falas de médicos a respeito da patologia. Foi então que decidiu criar o blog Tive Síndrome do Pânico. “Em São Paulo tive crises muito severas e queria encontrar pessoas que já tivessem superado a síndrome, afinal, eu tinha a sensação de que ia morrer a qualquer instante. Como não achei nada, decidi que iria contar a minha vida no Tive Síndrome do Pânico. Foi uma terapia”, salienta a jornalista, que se confortou ao receber mensagens e comentários de outros portadores da doença.

 

A jornalista e administradora do blog Tive Síndrome do Pânico, Thayse Lopes. (Foto: Arquivo Pessoal)

A jornalista e administradora do blog Tive Síndrome do Pânico, Thayse Lopes. Foto: Arquivo pessoal

 

O blog tem uma página no Facebook que é administrada também pela jornalista. Segundo ela, dependendo da época, chegam em torno de 25 pedidos de ajuda por dia, através do seu Facebook pessoal, Instagram, página do blog e e-mail do blog. O objetivo do portal é conscientizar pessoas que têm a síndrome de que não estão sozinhas, e que podem encontrar ajuda através de algo tão acessível quanto as rede sociais.

O arquiteto Ronaldo Marin Pezzo, de 43 anos, foi diagnosticado com Síndrome do Pânico e depressão em 2013, e logo depois teve sua primeira crise. “Na verdade eu ainda não aprendi a lidar com essa condição. O aprendizado é contínuo, demorado e muitas vezes doloroso. Passa por medicações fortes, psicoterapia, exercícios físicos e de respiração”, conta o arquiteto.

Ronaldo conheceu o blog de Thayse e se apoiou muito no projeto para superar as crises que a doença lhe trazia. “A Thay foi de uma coragem absurda ao criar a página, pois expor dessa forma uma condição que ainda é tão pouco compreendida pelas pessoas não é nada fácil”, enfatiza. “Perceba como bastou a criação do espaço e a divulgação de seus textos iniciais e logo começaram a aparecer outras pessoas, com outros relatos, num crescente que só confirma a extensão dessa doença e a falta de espaços adequados para debatê-la”, reflete.

 

Ronaldo Pezzo, colaborador do blog e autor do texto "Pânico? Sim, já sofri". (Foto: Arquivo Pessoal)

Ronaldo Pezzo, colaborador do blog e autor do texto “Pânico? Sim, já sofri”. Foto: Arquivo pessoal

 

O blog é, por vezes, colaborativo. Leitores podem escrever seus relatos e contar suas histórias através de textos. Ronaldo foi um deles, escreveu o texto “Pânico? Sim, já sofri“. “A Thay já me deu a honra de publicar um texto na página do Tive Síndrome do Pânico, e acredito que, ao compartilhar minha experiência, ajudei muitas pessoas com o eu”, conta.

Mariana – nome fictício, pois a entrevistada prefere não ser identificada – foi diagnosticada com Síndrome do Pânico em 2011, quando iniciou seu tratamento através de remédios e muita terapia. “Tive que tomar remédios fortíssimos. Em razão disso, minha gastrite, que já existia por causa das crises de ansiedade, piorou”, relata. Hoje, Mariana não precisa mais dos remédios e aumentou o intervalo entre as sessões de terapia, porém está sempre alerta para que a doença não volte com força total depois de controlada. “Algumas situações ainda me deixam muito ansiosa e apreensiva. Nesses momentos lembro como era ruim lidar com as crises, então procuro me acalmar fazendo exercícios de respiração que aprendi, e assim vou contornando a crise”, conta Mariana.

 

Página inicial do blog Tive Síndrome do Pânico

Página inicial do blog Tive Síndrome do Pânico

 

É importante ressaltar que Síndrome do Pânico é uma patologia grave, que pode vir acompanhada de depressão. Por isso é tão importante a vigília dos sintomas e a procura de um médico, caso não seja possível controlá-la. Entre os tratamentos, na maioria das vezes, estão o uso de remédios e terapia, mas existem outras formas de controlar a ansiedade, como a prática do yoga e técnicas de respiração, que você pode conferir aqui.

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