Economia

Uma babá para o seu bichano

Os pet sitters são uma opção mais acessível para o cuidado dos animais de estimação

Estamos no segundo trimestre de 2017 e ainda teremos cinco feriados prolongados ao longo do ano. As famílias aproveitam esses momentos para poder viajar, sem estar de férias. Porém, quem têm animais de estimação enfrenta um dilema nessas datas: Com quem deixá-los? Irei gastar muito dinheiro? Levo junto? Alternativas como hotéis e creches, são uma possibilidade, mas pet sitters estão sendo cada vez mais procuradas.

Dona de uma cadelinha e uma gata, Mel e Léia, respectivamente, Débora Palhares acredita que na hora de viajar, o tutor dos animais deve pensar sempre no bem-estar do pet, pois não há nada mais estressante do que tirá-los do local onde eles estão acostumados. “Quando eu viajo, tenho sempre duas opções, ou a tia do meu namorado cuida delas quando saímos ou contratamos o serviço da Mary Doggins. O bom é que a pet sitter vai na residência cuidar e por um preço acessível, R$ 20 a visita”, ressalta.

Léia e Mel costumam ser cuidadas em casa através do serviço da Mary Doggins. Foto: Arquivo pessoal

Léia e Mel costumam ser cuidadas em casa através do serviço da Mary Doggins. Foto: Arquivo pessoal

 

Paloma Rodrigues, uma das idealizadoras do Mary Doggins, afirma que o projeto começou quando, no recesso de final de ano da empresa onde trabalha, os colegas queriam viajar, mas não tinham com quem deixar seus pets. “Como eu ficava sempre na cidade, comecei a cuidar dos gatos dos meus colegas. Foi aí que resolvemos criar a empresa, em novembro de 2015”. Para Paloma, o que chama a atenção do serviço prestado é que elas cuidam dos pets na casa do cliente, sendo a quantidade de visitas e horas combinadas previamente. “Para cães e gatos, o normal é R$ 20 por visita, de uma hora (até dois pets), para animais de menor porte, como roedores e coelhos, é R$ 15 e para peixes e tartarugas é R$ 10”, afirma.

A estudante de veterinária Fernanda Rossi conta que durante as férias de verão,  uma colega da faculdade perguntou a um grupo de amigos quem poderia hospedar uma cadelinha que precisava de cuidados durante alguns dias, com administração de medicamentos e troca de curativos.  “Me ofereci para hospedá-la, me apeguei muito à cadelinha e gostei da experiência. Ali, vi uma oportunidade de fazer algo que eu realmente me apaixonei dentro da veterinária”, confessa. Fernanda pretende, depois de formada, trabalhar com bem-estar e comportamento animal.

No ano passado, a cadelinha Nina, “adotada” pela empresa onde Luciane Tabbal trabalha, foi atropelada e necessitou de cuidados especiais após uma cirurgia na patinha. Luciane decidiu hospedá-la em sua casa para que ela se recuperasse de forma mais rápida, visto que ela não tinha um lar. Porém, Luciane tinha uma viagem de férias com a família planejada há meses e não teria como deixar Nina sem cuidados. “Ela ainda estava em processo de recuperação. Só podia ser carregada no colo, não podia correr nem pular, fora outros cuidados com a patinha e medicação”, conta.

A tutora da cadelinha Nina percebeu que precisaria de alguém para ajudar e decidiu ligar para a equipe de fisioterapia do Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde a cadelinha fez todo o seu tratamento, e assim recebeu algumas indicações de pet sitters e acabou conhecendo o trabalho de Fernanda. “Levamos a Nina na casa da Fernanda, onde ela foi muito bem acolhida. Todos os dias eu recebia fotos e relatos, tanto da parte clínica, como da comportamental”, conclui.

Luciane e a cadelinha Nina durante consulta no Hospital de Clínicas Veterinárias da UFRGS. Foto: Arquivo pessoal

Luciane e a cadelinha Nina. Foto: Arquivo pessoal

 

Fernanda afirma que como pet sitter, viu a oportunidade de ter uma renda extra nas férias, mas com o tempo, levou o projeto a diante e decidiu investir para torná-lo um negócio. A estudante oferece brincadeiras que entretenham o animal para que ele gaste a energia acumulada durante o período em que ele estiver longe dos tutores, além do manejo da ração e da água, higienização e passeios, no caso de cães. “Além de abrir as portas da minha casa e adequar a minha rotina aos bichinhos que hospedo, dedico um tempinho para selecionar alguns mimos que combinem com a personalidade e necessidade de cada animal”, ressalta. Em média, o preço da hospedagem na casa da estudante é R$ 50 e as visitas não passam de R$ 40.

A administradora, Djuliana Cappellari, que adotou há dois anos o gato Tommy, relata que a rotina da sua casa mudou completamente com a chegada do animal, pois além de ter horários para repor a alimentação e água, ela teve que se preocupar em manter a caixa de areia sempre higienizada e ainda separar alguns momentos do dia para dar atenção ao pet. Uma das preocupações de Djuliana é quando a família precisa fazer alguma viagem, pois, principalmente os gatos, ficam muito estressados quando são levados para um lugar novo. “Não acho legal deixar gatos em hotéis ou creches. Quando a viagem é curta, peço para a minha mãe ir até a minha casa para olhar o Tommy ou chamo a minha dinda, que é pet sitter, e que é alguém de minha confiança para fazer visitas e cuidá-lo”, ressalta.

Tommy e seus tutores. Foto: Arquivo pessoal

Tommy e seus tutores. Foto: Arquivo pessoal

 

De acordo com Fernanda Figueiredo, dinda de Djuliana, ela começou o trabalho de pet sitter cuidando dos bichinhos dos familiares enquanto eles viajavam, e assim, percebeu que poderia buscar cursos para se profissionalizar na área. “No momento que decidi abrir meu atendimento, fui a procura de um curso e maiores informações sobre primeiros socorros, doenças e como dar medicação aos pets”, salienta. O valor cobrado por Fernanda depende do seu deslocamento e das necessidades de cada cliente.

Gilmar da Rosa, possui quatro animais em sua residência, sendo dois cães e dois gatos, e sempre que a família planeja viajar eles fazem o possível para levá-los junto. Hotéis são sempre a última opção. Porém, um de seus cães frequentou diariamente uma creche para pets por um ano. “Eu pagava R$ 490 por mês, valor aproximado ao cobrado para crianças. O valor que era gasto compensava pelo bem-estar do animal”, afirma.

Comparado com o valor cobrado pela estadia por pet sitters, os hotéis e creches tornam-se caros. No entanto, o serviço proposto por ambos é diferente. A proprietária do Refúgio Hotel Pet, Cláudia Gallicchio, conta que os valores para as diárias no hotel variam de acordo com o animal, mas que em média, é cobrado R$ 35 a estadia de gatos e de R$ 40 a R$ 80 para cães. “O valor é referente apenas a estadia, não contempla alimentação para que o animal não estranhe uma refeição diferente”, conclui Cláudia. Já a Pet Creche, possui valores diferenciados para hospedagem e diária da creche. “Para creche, cinco vezes na semana, o valor fica R$ 55 a diária. A hospedagem fica R$ 109 por dia. De acordo com a quantidade de dias na creche ou no hotel, os valores são ajustados”, finaliza Rafaela Graziottin, proprietária.

Isso quer dizer que, para o seu pet ficar hospedado durante um feriado prolongado de três dias com um pet sitter, o gasto seria equivalente a R$ 150. Já, a estadia no mesmo período, em hotéis/creches, fazendo uma média de R$ 75 a diária, o investimento fica em torno de R$ 225, cerca de 50% mais caro, além da alimentação que, para os três casos, fica por conta do tutor do bichinho o fornecimento. Uma escolha mais acessível são visitas na residência, que podem ter o valor combinado, de acordo com o porte do animal de estimação, entre R$ 10 e R$ 40.

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