Cultura

A irreverência de Ney Matogrosso

Cantor volta aos palcos de Porto Alegre para a apresentação "Atento aos Sinais"

Considerado pela revista Rolling Stones como a terceira maior voz da música brasileira, Ney Matogrosso questionou estereótipos de gênero e bateu de frente com padrões de sexualidade. Ao longo de seus mais de 40 anos de carreira, Ney é lembrado por suas maquiagens e vestuários extravagantes e se tornou ícone de irreverência e ousadia.

A pesquisadora Fernanda Nogueira, doutoranda nos departamentos de Teoria da Arte, Estudos Culturais e Prática Artística da Academia de Belas Artes de Viena, define em sua publicação Metamorfose Ambulante – A desidentificação carnavalesca de Ney Matogrosso na militadura brasileira, que sua forma de fazer arte confrontou diretamente o Brasil machista. Contestando tudo aquilo que – em meados dos anos 70 – eram considerados bons costumes.

A violência, o preconceito e a censura instaurados no país, durante o período ditatorial, levaram Ney Matogrosso a ser chamado de homossexual em sua primeira aparição aos palcos. Suas performances contrastavam e confundiam definições conservadoras de homem e mulher, da época.

 

Ney Matogrosso gravou dois álbuns com a banda Secos & Molhados - Foto: Ary Brandi

Ney Matogrosso gravou dois álbuns com a banda Secos & Molhados – Foto: Ary Brandi

Referência na cultura e, principalmente, no cenário musical brasileiro, o ex-integrante da banda Secos & Molhados é reconhecido pela crítica por sua intensidade nas apresentações ao vivo. Revela, através dos singulares e característicos figurinos, maquiagens e movimentos corporais, a luta por liberdade presente nos mais de 30 discos gravados.

Uma obra que vence tempo e gerações

Aos 75 anos, Ney Matogrosso atrai também o olhar de jovens, que reconhecem em sua obra uma mensagem muito atual de luta pelo fim da discriminação de gênero e aceitação das diferenças.

Luiza Muller, 26 anos, formada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)  e atualmente mestranda em Comunicação e Informação na linha de cultura e significação, pela mesma universidade, é uma admiradora do artista.

 

Ney Matogrosso em apresentação durante os anos 70 - Foto: Ana Arantes

Ney Matogrosso em apresentação durante os anos 70 – Foto: Ana Arantes

 

Em seu trabalho de conclusão de curso A contramola que resiste – a guerrilha estética de Secos & Molhados como semiótica micropolítica, Luiza fez uma leitura de como o grupo, um produto da indústria cultural, recorde de vendas e aparições em rádio e televisão, conseguiu atrair um público heterogêneo, englobando desde crianças até idosos, incluindo pessoas de todos os nichos e ciclos sociais. Algo que, em sua opinião, era paradoxal para a época, diante da maneira contestadora e disruptiva da estética que apresentavam, usando dança, nudez e figurinos compostos que confrontavam conceitos de gênero e preceitos culturais inerentes à família tradicional brasileira.

Luiza se considera uma grande fã e diz que a atração pelo seu trabalho nasce do impulso provocativo de Ney Matogrosso, que questiona o que se esconde atrás de máscaras de moralidade na sociedade. “Através da sua performance, ele faz emergir desejos, preconceitos, amor e raiva, buscando intensamente nos shows essa relação direta com o público. Ver ele em palco é uma verdadeira experiência, é impossível contemplar passivamente. Ele tem uma pulsão de verdade que me encanta”, declarou.

Atento aos Sinais

Neste sábado, 1º de abril, o artista estará no palco do Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, a partir das 21h, para apresentar o premiado espetáculo Atento aos Sinais, que está na estrada desde 2013 e que marca a comemoração dos 40 anos de carreira.

Atento aos Sinais alia um repertório composto por músicas de compositores consagrados – Caetano Veloso e Paulinho da Viola -, de novos nomes do cenário musical – Criolo, Dani Black e Tono- e os clássicos de Secos & Molhados.

O intérprete estará acompanhado da banda formada por Sacha Amback (direção musical e teclado), Marcos Suzano e Felipe Roseno (percussão), Dunga (baixo), André Valle (guitarra), Aquiles Moraes (trompete) e Everson Moraes (trombone).

 

 

Informações

Data: 1º de Abril (sábado)

Horário: 21h

Local: Auditório Araújo Vianna (Av. Osvaldo Aranha, 685 – Bom Fim – Porto Alegre/RS)

Duração: Aproximadamente 90 min

Ingressos:

Alta Central – R$ 50 (meia)

Alta Lateral – R$ 25 (meia)

Lateral em pé – R$ 40 (meia)

Baixa Central – R$ 75 (meia) – ESGOTADO

Baixa Lateral – R$ 40 (meia) – ESGOTADO

Plateia Gold – R$ 100 (meia) – ESGOTADO

Classificação Indicativa: 16 anos. Menores de 16 anos, somente poderão entrar acompanhados dos pais ou responsáveis. Crianças até 24 meses de idade que ficarem no colo dos pais, não pagam.

Venda Online: https://www.ingressorapido.com.br/compra/?id=55920#!/tickets

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