Economia

Investidor-anjo: o rosto invisível por trás dos empreendimentos

Startups e Investidores Anjo auxiliam o desenvolvimento economico do país em um contexto desfavorável

Em tempos de restrições econômicas, investidores e empreendedores procuram qualificar suas práticas a fim de garantirem a lucratividade de seus negócios e empresas, adequando-se ao mercado e procurando a melhor alternativa para viabilizar seus projetos. Neste contexto, figuras como startups e investidores-anjo têm assumido papel importante no desenvolvimento econômico do país, ainda que muitas vezes desconhecidas da maioria da população.

Não há um consenso acerca do conceito de startup, costuma-se entendê-las como um grupo de pessoas que atua em sociedade em busca de um modelo de negócios que tenha como pressupostos básicos a escalabilidade, o baixo custo inicial e a capacidade de operar em um conceito carregado de incertezas. Conceito-chave no que diz respeito às startups, a escalabilidade é a capacidade do empreendimento aumentar seu faturamento sem a necessidade de elevar seus custos fixos na mesma proporção.

Já o investidor anjo normalmente surge na figura de uma pessoa física, geralmente empresário, executivo ou profissional liberal, que disponha de capital próprio para investir em ideias, empresas ou modelos de negócio que no seu entender oferecem grande potencial de crescimento e, consequentemente, de rentabilidade, ainda que com algum grau de risco envolvido.

Provavelmente o maior exemplo de uma parceria de sucesso entre startup e investidor-anjo seja a história daquela que é hoje uma das maiores empresas do mundo em valor de mercado, a Apple, multinacional norte-americana do ramo de tecnologia, fundada no final dos anos 70 por Steve Jobs e Steve Wosniak, que contou com o decisivo aporte financeiro do investidor anjo Mike Markkula.

A diretora executiva Maria Rita Spina Bueno, da Anjos do Brasil, organização sem fins lucrativos que fomenta o investimento em empreendedorismo no país, explica alguns pressupostos básicos vislumbrados pelos investidores. ‘O perfil do empreendedor é muito importante, eles devem ser capazes de levar o projeto para o próximo nível e transformar suas empresas em negócios de sucesso. Associado a este fator deve se considerar também a capacidade de execução tanto dos fundadores, quanto de seus colaboradores, se possuem as competências necessárias para gerir o negócio e se tem dedicação total à empresa. Avaliar se a oportunidade de mercado é real e grande o suficiente, e se pode ser monetizada. É necessário ser capaz de resolver um grande problema e a solução proposta deve ser inovadora e difícil de copiar. Eu procuro por startups que podem construir uma vantagem competitiva e impor barreiras de entrada para competidores’, pontua.

Grande parte das startups que atuam hoje no país tem seu ramo de atividade ligado à tecnologia e a inovação, justamente por sua capacidade de escalonamento e baixa necessidade de estrutura física e de recursos humanos envolvidas no desenvolvimento de produtos e soluções nessa área. A expansão dos smartphones e a consequente demanda crescente por aplicativos, por exemplo, apresenta um campo vasto e promissor para empreendedores que já atuem ou desejam atuar nesse tipo de negócio.

O grande número de startups ligadas à tecnologia e inovação também faz com que este modelo de negócio costume absorver mão de obra bastante jovem, não raro composto pelos chamados ‘nativos digitais’, desde muito cedo envolvidos diretamente com todo o ferramental tecnológico disponibilizado atualmente. Além disso, esses jovens parecem lidar melhor com outro quesito fundamental no que diz respeito a atuação das startups, as incertezas e inconstâncias dos mercados, que levam os empreendedores a atuar em constante ‘modo beta’.

Ainda que em franco desenvolvimento e com boas perspectivas de crescimento, o papel dos investidores-anjo, assim como a atuação das startups, sofrem com o atual contexto econômico do país, conforme explica Maria Rita. ‘Apesar de ainda termos perspectiva de crescimento no investimento anjo brasileiro, a crise econômica demonstra ter um impacto na desaceleração desta atividade. São necessários estímulos para que o investimento anjo atinja seu potencial de incentivo e capitalização para startups inovadoras’, pondera.

A falta de conhecimento e incentivo ao investimento anjo também são apontadas como empecilhos para o seu desenvolvimento pleno no país. ‘O Brasil é um país de dimensões continentais, com mais de 20 milhões de empreendedores (conforme a pesquisa Global Entrepeneurship Monitor 2015, do Sebrae), e o tamanho do desafio para esta disseminação destes conhecimentos é bastante grande. Paralelamente, as condições para exercício do empreendedorismo ainda precisam de uma evolução significativa, em especial com relação a desburocratização e desenvolvimento de políticas de proteção e estimulo ao investimento anjo, a exemplo do que ocorre nos EUA e Europa, nos quais ações dessa natureza foram decisivas para o seu desenvolvimento’, salienta a diretora executiva da organização Anjos do Brasil.

Startups e investidores-anjo cumprem papel decisivo para o desenvolvimento econômico do país, na medida em que proporcionam geração de empregos, arrecadação de tributos e a produção de itens e processos de alto valor agregado, além de trazerem rentabilidade aos investidores envolvidos no negócio. Desburocratização dos processos e o desenvolvimento de políticas de incentivo criarão ambientes propícios a esse modelo de negócio, contribuindo para um sistema econômico mais robusto, lucrativo e diversificado.

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