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Roubos e até arrastões preocupam passageiros do trem

Usuários já procuram manter telefones celulares guardados por receio de ataque de ladrões

Feriado de 12 de Outubro. 6h35. O destino era o trabalho. Como em qualquer feriado, poucos passageiros ocupavam os vagões dos trens. Já ressabiado de todos os assaltos que sofreu, principalmente nos últimos dois anos, Adriano Ribeiro, editor de vídeo, já estava de olho em qualquer movimentação estranha. Ao desembarcar do trem na estação Mercado, percebeu a correria. Era um arrastão. No meio do tumulto, Adriano correu.

Não, isso não é uma ficção. Realmente aconteceu. E esse não é o primeiro ou o único caso de roubos nas estações da Trensurb. Em agosto deste ano, passageiros já haviam relatado outro arrastão, desta vez dentro dos vagões, entre as estações Unisinos e Luiz Pasteur. Na época, a assessoria afirmou que a Trensurb tinha conhecimento do fato e havia comunicado a Brigada Militar.

 

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Passageiros evitam usar aparelhos celulares nas estações / Foto: Diovana Dorneles

 

Estar atenta garantiu que a estudante de jornalismo Sabrina Martins não fosse mais uma vítima no trem. Percebendo a inquietação de um jovem, que se movimentava pelo vagão com uma das mãos no bolso, Sabrina ficou alerta. O rapaz se aproximou e parou ao lado dela. “Guardei meu celular, puxei minha bolsa para o mais perto do meu corpo e pensei em ir para o outro lado do vagão”, conta. O rapaz fez menção de descer em duas estações e, quando o trem estava parado na estação Mathias Velho, ele arrancou o celular das mãos de uma menina que estava ao lado de Sabrina. “Mesmo eu notando todos os sinais, não consigo acreditar. Sério, até quando?”, questiona.

Mas nem sempre os passageiros são pegos de surpresa, como no caso que Sabrina presenciou. Abordado por um jovem, Marco Prass, estudante de Jornalismo, teve sangue frio e não entregou o aparelho celular. “Ele chegou e pediu o celular emprestado, dizendo que era rapidinho, que só queria fazer uma ligação. Na mesma hora guardei o telefone e disse que não emprestaria”, lembra Marco. Ele relata que o jovem ficou irritado e, aos berros, falava para ele emprestar o aparelho. Percebendo que Marco não cederia, o jovem falou “tu acha mesmo que eu iria querer roubar esse Moto G? Isso é um Moto G?” e foi abordar outras pessoas na plataforma.

Porém, alguns casos vão além do roubo (o que já é bem ruim). No dia 18 de setembro, um jovem foi esfaqueado em uma tentativa de assalto nas escadas de acesso à estação Mercado. O rapaz foi levado ao Hospital de Pronto Socorro da capital.

Nossa equipe procurou a Trensurb para falar sobre a segurança que seria garantida aos usuários. De acordo com a assessoria da empresa, esta trabalharia de forma articulada com os órgãos de segurança pública para prevenir, coibir e responder a situações de ação criminosa no sistema metroviário.

A Trensurb afirma que mantém também um corpo funcional de segurança qualificado e em treinamento constante que, embora tenha essencialmente uma função operacional, de prestar assistência aos usuários do metrô, atua também monitorando todas as estações por meio de um circuito fechado de TV com mais de 300 câmeras. A empresa ainda afirma que realiza rondas móveis constantes pelos trens e estações e que, quando há necessidade, os órgãos de segurança pública são acionados para atuar em situações mais complexas ocorridas dentro do sistema.

Usuários que presenciarem ou forem vítimas de roubo podem entrar em contato com a Trensurb por meio do telefone de emergência (51) 3363-8026, mandar SMS para (51) 8463-9836 ou ainda procurar um dos colaboradores da empresa nas estações.

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