Geral

Projeto recolhe 68 mil bitucas de cigarro em Porto Alegre

POA Sem Bituca conscientiza fumantes a descartar corretamente os tocos de cigarros

betaredacao-geral-bitucaAgosto terminou mais consciente em Porto Alegre. No início do mês, as lixeiras do Centro Histórico da capital ganharam companhia: 39 bituqueiras. A ideia surgiu através do POA Sem Bituca, um projeto sustentável e inovador no Brasil, que tem como objetivo encaminhar o descarte correto das pontas de cigarro, já que elas possuem um alto poder de contaminação. Em apenas quatro semanas, o projeto já apresentou bons resultados. Segundo a prefeitura, cerca de 68 mil bitucas de cigarro foram recolhidas, o que significa que 27,2 quilos de resíduos tiveram o destino adequado. O POA Sem Bituca é coordenado pela Eco Prática e tem parceria com o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU).

Na última sexta-feira (28), foram instaladas duas bituqueiras móveis no Mini Bar, na Rua General João Telles, 541, no Bom Fim. A ideia é que os equipamentos sejam utilizados pelos fumantes que frequentam o bar. “Estamos em contato com dezenas de empresas, bares e restaurantes, e nossa expectativa é a mais positiva possível com relação a um grande número de bituqueiras em Porto Alegre”, revela Flavio Costa Leites, coordenador do POA Sem Bituca.

Segundo o Ministério da Saúde, em Porto Alegre existem em torno de 250 mil fumantes, e cada um deles produz em média 17 bitucas de cigarro por dia. Sendo assim, a cidade recebe 4 milhões e 200 mil bitucas diariamente, o que permitiria encher em um mês três apartamentos de 70 metros quadrados. O diretor-geral do DMLU, André Carús, destaca que grande parte do volume de pontas de cigarro não ia nem para o lixo, acabava nas ruas. “Grande parte das bitucas produzidas acabava no chão, dificultando a limpeza por parte dos garis”, comenta.

“Esta ação, além de dar destino adequado às bitucas, mostra a crescente sensibilização por parte dos fumantes”, explica Carús.  As pontas de cigarros coletadas pela Eco Prática são encaminhadas para uma empresa de coprocessamento e aproveitadas na geração de energia para a produção de cimento.

Para a estudante Júlia Soares, a iniciativa é genial. “Odeio estragar as lixeiras apagando o cigarro ou ficar um tempão procurando uma lixeira para pôr fora, porque eu não jogo no chão”, conta. Na opinião dela, a ideia das bituqueiras poderia ser adotada em qualquer cidade. “Eu não sei o custo efetivo do projeto, mas acho que essa atitude, junto com ações de conscientização, poderia ajudar a diminuir a poluição nas ruas de outras cidades também. Muita gente fuma. Se colocarem essas bituqueiras em pontos estratégicos, como porta de baladas, estações de trem e paradas de ônibus, acho que daria muito certo”, sugere.

Professora de Ciências em Campo Bom e especialista em Gerenciamento Ambiental, Cecilia Decarli alerta que a ponta do cigarro é um microlixo tóxico. “É um resíduo que está sendo descartado de forma incorreta, já que o mesmo é um rejeito, não tem qualquer tipo de reciclagem e não deve nem ser colocado no lixo comum.  A maioria dos fumantes ainda coloca as bitucas no chão, o que pode confundir os pássaros, que podem se alimentar dos mesmos e ter problemas de saúde”, diz Cecilia.

Lida 1040 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.