Cultura

Jornalistas buscam apoio para criação de Dossiê

Iniciativa investigará possível deficit estrutural e orçamentário em espaços culturais de Porto Alegre

Um grupo de quatro jornalistas se reuniu para investigar a situação das estruturas dos teatros públicos e das salas de ensaio na Capital. Com o objetivo de responder quais são e como estão as condições estruturais dos teatros porto-alegrenses, quem os utiliza e quanto tempo eles permanecem abertos. O projeto Dossiê Palcos Públicos de Porto Alegre traz consigo a ideia de estimular a discussão sobre a precariedade desses locais. As jornalistas Adriana Lampert, Michele Rolim, Naira Hofmeister e Roberta Fofonka fazem parte da equipe que realizará a reportagem. Ambas já atuaram, ou ainda atuam, na área cultural de meios de comunicação.

De acordo com a jornalista independente Naira Hofmeister, organizadora da iniciativa, a cultura teatral é divulgada nos veículos de imprensa, contudo ainda não há uma abertura real. “Na imprensa, há espaço à cultura, mas muito vinculado à agenda cultural, o que está em cartaz, lançamentos, etc. Isso é ótimo e necessário, mas fica faltando debater as questões de fundo como infraestrutura e orçamento”, analisa.

O fechamento do Teatro de Câmara Túlio Piva, há dois anos, e a restauração da Usina do Gasômetro, onde dez grupos teatrais trabalham com incentivo do programa Usina das Artes, corroboram com a necessidade de debater e estimular a criação de locais adequados para essa finalidade.

 

Crédito/Adriana Marchiori

Peça Movimento sobre Rodas Paradas, da Cia Incomodo-te, é encenada no estacionamento do Teatro de Câmara Túlio Piva em protesto ao fechamento do local. Crédito/Adriana Marchiori

 

A atual situação política brasileira é fator de interferência na ampliação e manutenção dos espaços teatrais, tanto que, ao assumir interinamente o cargo de Presidente do Brasil, Michel Temer tentou fechar o Ministério da Cultura. “Sabemos que o discurso é de crise e de cortes. E sabemos que nessas condições, a área da cultura é uma das primeiras a ser atingida”, destaca Hofmeister.

Conforme a jornalista de economia do Jornal do Comércio e integrante da Cia Teatrofídico, Adriana Lampert, a ideia do projeto surgiu devido a proximidade das colegas de jornalismo com o meio cultural.

“A Michele é crítica teatral, a Roberta é bailarina e eu sou atriz. Portanto, sempre nos foi muito evidente esse sucateamento. A cultura em Porto Alegre está bastante carente de políticas públicas, mas principalmente de espaços para que os artistas possam trabalhar. Esta é sem dúvida a principal questão a ser resolvida”, conta a jornalista.

Há ainda o sucateamento do Centro Cenotécnico e a luta diária dos ocupantes das salas da Usina das Artes, que reclamam da falta de segurança e investimentos estruturais no local. De acordo com a fotógrafa Adriana Marchiori, que desde 2012 faz cobertura de peças teatrais, é visível a queda na qualidade estrutural dos teatros porto-alegrenses e a resistência dos grupos na utilização desses espaços.

“Um ponto importante nessa discussão é que não existe espaço suficiente que acomode a demanda por temporadas na cidade. O que tem seu lado positivo, pois reforça que Porto Alegre é uma cidade com uma forte produção teatral. Mas, faltam salas e as temporadas são muitos curtas. Então, o pessoal precisa ser criativo pra ocupar outras frentes”, revela a fotógrafa.

Essa falta de estrutura não dificulta somente a apreciação do espetáculo pela plateia, mas, também, a produção fotográfica do evento devido a precariedade da iluminação e do cenário do ambiente. Segundo Marchiori, conceder um teatro em condições para um grupo de teatro apresentar uma peça, é proporcionar um espaço em condições para que um grupo de trabalhadores praticarem seu ofício. “Os teatros públicos de Porto Alegre, além de insuficientes, apresentam deficiências estruturais que prejudicam o trabalho dos grupos, o que pode ter consequências no meu trabalho, que é um registro do trabalho deles”, destaca a fotógrafa.

Dossiê Palcos Públicos de Porto Alegre

Para que a reportagem seja realizada, o grupo de jornalistas disponibilizou o projeto no site de financiamento coletivo www.catarse.me. Caso a meta não seja atingida até o dia 03 de outubro, elas se dispõem, com a verba doada, a realizar uma matéria sobre um assunto específico dentro desta mesma temática. “A ideia é, com o recurso arrecadado, propor uma investigação pontual dentro do universo que pensamos em abordar originalmente”, afirma Hofmeister, que também é responsável pela produção do Dossiê Caís Mauá, veiculado, em março e abril de 2016, no Jornal Já, em Porto Alegre.

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