Economia

Inflação e juros

Especialistas e líderes setoriais ouvidos pela Beta Redação fazem prognósticos para a economia sob o governo de Michel Temer

Laís Albuquerque, Douglas Demoliner e Guilherme Moscovich

O avanço da inflação e as altas taxas de juros foram um dos assuntos mais comentados em relação ao governo Dilma nos últimos meses. Com a continuação do processo de impeachment, as expectativas são para a forma como o presidente interino, Michel Temer, irá lidar com esses aspectos da economia.

O professor de economia Cláudio Branchieri, formado pela UCS e especializado pela UFRGS, aponta que a inflação e os juros estão intimamente conectados porque quando a inflação aumenta, os juros precisam aumentar também. Ele traz o que seria a solução para o equilíbrio entre os dois: “Para baixar a inflação e consequentemente baixar os juros, você tem que trazer de volta o equilíbrio fiscal e a capacidade de investimento do setor privado. Sem isso você não consegue reduzir a curva de inflação”.

O projeto “Ponte para o futuro”, lançado pelo PMDB e apontado como o plano de governo de Temer, concorda com a visão do economista. O documento foca no equilíbrio fiscal, obtendo superávit e reduzindo progressivamente o endividamento público. Tem também como meta alcançar em três anos a estabilidade entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB), fixar a taxa de inflação no centro da meta de 4,5% ao ano e reduzir os juros básicos reais em linha com uma média internacional de países relevantes. Na visão de Branchieri, essas metas são possíveis, pois a inflação já está em uma curva descendente. “A expectativa do mercado é de que até 2017 a inflação já esteja dentro da meta. Ela não deve chegar à meta exatamente, mas chegará a pelo menos 5% ou 5,5%” afirma.

Até a manhã de quarta-feira, Henrique Meirelles era o preferido de Temer para assumir como Ministro da Fazenda. Para Branchieri, Meirelles vai ser uma espécie de superministro, que abraçará também a Previdência Social. “Todo mundo sabe que ele (Meirelles) é um cara bem ortodoxo. Ele vai trazer a inflação como um pilar de sua política econômica de que não abrirá mão”, aposta Branchieri.

O economista aponta que a prioridade do governo Temer será o equilíbrio das contas públicas. “Eles irão traçar um plano de equilíbrio fiscal de curto, médio e longo prazo, mudando talvez a legislação”, explica Branchieri. Além disso, acredita que haverá uma espécie de “desburocratização” para incentivar o investimento e a competitividade entre as empresas. “O que o Temer está sinalizando é a redução do déficit público, o pagamento das contas públicas e a sinalização para o setor privado de que eles vão ter vez no próximo governo. Essas medidas já abrem perspectivas bem positivas para, em médio prazo, a inflação cair e a própria taxa de juros também cair”, aposta Branchieri.

Cláudio Branchieri é a favor do impeachment, pois vê as “pedaladas fiscais” como um crime de responsabilidade.

 

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