Esporte

A importância psicossocial dentro das categorias de base do Internacional

Além de serem craques no futebol, os meninos da categoria de base precisam treinar a mente

Time da categoria de base depois de jogo no último sábado (31). Foto: Leonardo Fister/Assessoria de Imprensa

Time da categoria de base depois de jogo no último sábado (31). Foto: Leonardo Fister/Assessoria de Imprensa

Fundada em 22 de julho de 1976, a Fundação de Educação e Cultura do Sport Club Internacional (FECI) é a mais antiga das fundações ligadas a clubes de futebol do mundo. A FECI promove ações de estímulo à cultura, à educação e ao esporte para crianças, adolescentes e seus familiares, consolidando seu trabalho com propostas direcionadas ao resgate da cidadania. O Internacional, como outros clubes de futebol do estado e do país, mantém suas categorias de base, iniciando com a Sub-14 (mirim) e terminando com a Sub-20 (júnior) – um trabalho árduo, que conta com grande infraestrutura e equipe de profissionais, como nutricionistas, médicos, assistentes sociais e fisioterapeutas, que dão suporte às atividades desenvolvidas pelos atletas.

O Inter é reconhecido no país e no mundo como excelente formador de atletas. Para tanto, o time disponibiliza diversas formas de pesquisa e de recepção dos interessados em integrar suas equipes de base. Tais equipes contam atualmente com um centro de treinamentos exclusivo, localizado na cidade de Alvorada, região metropolitana de Porto Alegre. Além de todo o renome por ter se tornado um dos maiores do Brasil e pelo belo trabalho físico feito com os atletas da base, o clube não tem somente a preocupação com o treinamento físico dos garotos, mas também com sua saúde mental e psicossocial.

De acordo com a assistente social do clube, Bernadete Guichard, o Internacional conta hoje com mais de cem meninos de outras cidades e estados que estão alojados nas dependências do clube. O departamento que faz esse trabalho dispõe de três assistentes sociais, uma psicóloga, um auxiliar administrativo e quatro monitores. O atendimento aos meninos é feito sempre numa integralidade, envolvendo a equipe técnica, médicos, fisioterapeutas e nutricionistas, que trabalham juntamente em busca do bem estar desses atletas. Antes de ingressar na base da sua categoria, é feita uma entrevista individual com cada menino e com suas famílias, para que toda essa equipe possa estar a par de tudo o que aquele jovem já viveu até então.

A equipe envolvida com os meninos procura ressaltar a importância da escola e do comprometimento com os estudos. Dentro do clube, eles possuem o dever de concluir o ensino médio e, se quiserem, podem ingressar em uma universidade para cursar o ensino superior. Além de todo esse incentivo à educação, o clube ainda disponibiliza curso de inglês não obrigatório.

Bernadete explicou também como é feita a abordagem de alguns assuntos mais delicados, como drogas e doenças sexualmente transmissíveis (DST’s). “Com os meninos da Sub – 14 e Sub – 15, temos o dever de alertar e conversar com eles sobre alguns assuntos pertinentes à idade, como saúde reprodutiva, DST’s, drogas, álcool, as maneiras de prevenção de gravidez e as doenças… Com um papo extremamente reto e direto”.

A assistente social ressaltou que todo esse trabalho deve ser muito bem pensado para o objetivo maior. “O nosso maior e mais buscado resultado é o bem estar e resultado positivo desses atletas em campo, independente da sua categoria”.

Embora existam diversos incentivos, alguns garotos acabam desistindo da carreira. Grande parte das vezes, isso ocorre por conta das famílias, que vivem em cidades distantes e acabam fazendo falta na vida dos jovens atletas. Segundo Bernardete, quando isso acontece, toda a equipe trabalha para entender se realmente existe a necessidade do desligamento ou se existem soluções para reverter a situação. Para ela, a oportunidade é ímpar: além de toda a formação profissional no esporte, os meninos do Inter ganham bolsas de estudo e todo o tipo de suporte para continuar no clube.

 

Comprometimento com a base é fundamental

De acordo com o técnico da Sub-15, Rafael Bertei, enquanto estão nos treinos físicos, os meninos são cobrados a se comprometerem com o processo, para que possam alcançar e colher os frutos do trabalho que é feito em equipe. “Sem dúvida nenhuma que o  grande sonho dos meninos é chegar a ser um atleta do time profissional, por isso se fala muito em comprometimento, sempre”, contou Bertei. “O trabalho das gurias é fundamental para que o meu seja concluído com sucesso. No momento em que eu vejo que tem algo errado nos treinos, já encaminho o atleta para conversar com elas, pois, se o psicológico desses meninos não estiver bem resolvido, eles não fazem o trabalho técnico direito”, explicou o técnico.

Bertei ressaltou ainda que, ao contrário do que muitos pensam, o condicionamento físico não é o mais importante para a formação de um atleta. “Tem muita gente que pensa que os meninos entram para as categorias de base somente por saber jogar bola, e que a segunda coisa mais importante é o condicionamento físico deles, e pronto não precisam de mais nada. Mas não é. Longe disso, se eles não estiverem bem com a família, os colegas de treino, amigos, colégio e bem inseridos no ambiente onde vivem, dificilmente conseguirão ter um atleta de boa performance em campo”, frisou o técnico.

Para o treinador, a categoria Sub-15 é a mais sensível da base. “Quem trabalha com essa idade precisa ser extremamente cauteloso, pois os garotos estão há um passo de assinar um contrato profissional com o clube. Isso pode gerar um período de ansiedade que, se não identificada e bem trabalhada, pode atrapalhar em todo o treinamento físico do atleta”, destacou. “Nosso trabalho é feito em conjunto: não existe eu tentar fazer sozinho, ou a psicóloga ou então a assistente social. Se essa engrenagem não estiver bem afinada para o resultado final, dificilmente chegaremos ao nosso objetivo principal, que é o bem estar do atleta e a sua satisfação profissional”.

 

Para saber mais

Para entender mais sobre o trabalho realizado pelas categorias de base, a Beta Redação indica o artigo: Análise do perfil de liderança dos treinadores das categorias de base do futebol brasileiro, dos pesquisadores Israel da Costa, Dietmar Samulski e Varley da Costa (2009).

 

Tradição dos Poppe

Em 4 de abril de 1909, o Inter foi fundado pelos irmãos Henrique Poppe Leão, José Eduardo e Luiz Madeira Poppe. Henrique, o mais velho e influente, foi o responsável por articular a criação do novo clube. O amigo João Leopoldo Seferin emprestou o porão da casa de seu pai para a reunião de fundação do time, onde foi eleito o primeiro presidente do time, com seus meros 18 anos.

As primeiras discussões giravam em torno das cores do clube e seu símbolo.  A decisão veio então do carnaval de rua, que estava entre os blocos Venezianos e Esmeraldinos, um vermelho e o outro verde – justamente as cores pretendidas. No resultado da votação ficou então definido, e continua até os dias de hoje, o vermelho e branco. Inicialmente o brasão do Sport Club Internacional era formado com as iniciais – S.C.I. – bordadas em vermelho sobre o fundo branco. Foi na década de 1960 que aconteceu a inversão, com a combinação de letras passando a ser branca sobre o fundo vermelho.

O fundador do clube, Henrique, viu o Inter crescer, ser campeão da cidade em 1913, e derrotar pela primeira vez o Grêmio, em 1915. Ele morreu aos 35 anos, por uremia – doença provocada pelo mau funcionamento dos rins. deixando um grandioso legado para o clube.

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