Política

Impeachment? Prefiro meditar

Em dia histórico para a política brasileira, houve quem optou por visitar o Templo Budista de Três Coroas

Neste domingo (17), dia em que a Câmara dos Deputados aprovou o prosseguimento, no Senado, do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, algumas pessoas aproveitaram o dia ensolarado para curtir um passeio mais “zen”. O Khadro Ling, templo de estudo e prática do Budismo Tibetano, está localizado no topo de uma montanha, em Três Coroas, no Rio Grande do Sul. Longe de toda tensão do Congresso Nacional, a 2.083 quilômetros de Brasília, o espaço foi uma das opções de refúgio para aqueles que não queriam se juntar nem aos “coxinhas”, nem aos “petralhas” nas manifestações que estavam acontecendo no país inteiro. Por um momento, eles optaram pelo jeitinho “isentão” de ser.

Foto: Bárbara Müller/Beta Redação

(Foto: Bárbara Müller)

Foi o caso da moradora de Taquara e professora aposentada Suzete Medeiros: “A gente liga a TV e é só sobre isso que falam. Vim aqui para buscar um pouco de paz e fugir um pouco dessa loucura toda. O que está acontecendo com o Brasil é triste, não respeitam nem a democracia mais”, contou.

O marido de Suzete, Osvaldo Medeiros, foi ao templo só para acompanhá-la. Ele disse que, se dependesse dele, estaria em casa “assando uma carne”. Sobre a situação política atual, não hesitou em falar. “As pessoas estão se odiando cada vez mais, né? Todo mundo fala, mas ninguém escuta. Eu não defendo a Dilma com unhas e dentes, mas nunca farei campanha para Temer e Cunha”, opinou Osvaldo.

Quando questionado sobre o impeachment, o casal respondeu em coro: “Somos contra”. Suzete logo justificou: “Não é isso que vai resolver a situação do nosso país, pelo contrário, só vai piorar. Como vão combater a corrupção colocando duas pessoas ainda mais corruptas no lugar?”. “Impossível”, completou Osvaldo.

A altitude, os jardins e templos de meditação e estátuas de deuses tibetanos enchiam os olhos dos visitantes de encanto. Estes estavam atentos a tudo e, entre um clique e outro na câmera fotográfica, a expressão de satisfação e serenidade preenchia a face. É como se o lugar fizesse um convite constante para parar, respirar, observar e refletir. Sobre a vida. Sobre tudo.

Foto: Bárbara Müller/Beta Redação

Foto: Bárbara Müller/Beta Redação

Sentada na grama, apreciando a vista colorida e agradável, a artista plástica Roberta Silveira, de Novo Hamburgo, comentava, entre um gole de chimarrão e outro, que é contrária ao impeachment de Dilma. “Eu não sou de esquerda, não votei no PT na eleição passada. Mas sei que nesse momento não se trata somente de não ser a favor do partido, e sim de evitar que algo pior aconteça. Conheço muita gente que é a favor do impeachment só porque tem ódio ao PT e não pensa que a consequência desse ódio todo pode ser muito grave.”

Passar os domingos no templo budista de Três Coroas já faz parte da rotina da estudante de psicologia Verônica Andrade, de Três Coroas. “Sempre venho aqui, adoro sentar e ficar admirando a paisagem. É muito agradável!”, respondeu entusiasmada. 

Quando o assunto é política, a estudante disse não entrar em discussões para evitar desavenças com amigos e familiares. “Como convivo com pessoas tanto de esquerda, quanto de direita, prefiro não dar muita conversa para assuntos mais polêmicos. Tem gente muito fanática por aí”, explicou, e tão logo aconselhou, entre risos: “Mais amor, gente, por favor”.

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