Política

Horário eleitoral começa nesta sexta em rádio e TV

A modificação da legislação afetará diretamente os meios de comunicação

Mais curto e com maior rigor, o horário político eleitoral começa a ser veiculado em rede nacional, nas emissoras de rádio e TV, nesta sexta-feira, dia 26 de agosto. Sob nova regulamentação, a reforma eleitoral altera a maneira como os partidos políticos irão realizar suas campanhas na mídia. Dentre as mudanças está a distribuição das inserções obrigatórias, que será realizada em dois blocos de 10 minutos para os candidatos a prefeito. Além disso, 140 inserções diárias estão programadas para atender aos candidatos a vereador.

A ideia do Congresso Nacional é forçar o menor custo possível nas campanhas. De acordo com o secretário jurídico do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), Rogério da Silva Vargas, a redução no período de propaganda não ajudará na renovação da política nacional. “O encurtamento do período de campanha e uma restrição forte não favorecem o surgimento de novas caras na vida política, mas fortalecem os já conhecidos”, enfatiza. Além disso, com o veto de doação de pessoa jurídica, os candidatos e partidos têm de investir apenas recursos do fundo partidário e de doações realizadas por pessoas físicas.

Sobre a relação com os partidos e os meios de comunicação, Rogério afirma que o Tribunal realizou reuniões para esclarecer os novos regulamentos. Além desses encontros, o TRE estabeleceu uma parceria com a Associação Gaúcha das Emissoras de Rádio e Televisão (Agert) e com o Sindicato dos Radialistas que resultou em cinco seminários. “O número de 140 inserções por dia levantou questionamentos dos meios de comunicação no sentido de adequação da grade. Algumas rádios que transmitem futebol, por exemplo, estão com dificuldades durante a jornada esportiva”, destaca, salientando que tanto o TRE quanto as emissoras se submetem ao que foi estabelecido pelo Congresso Nacional. 

 

A visão dos meios de comunicação

Com essas mudanças não só os partidos foram atingidos. Os meios de comunicação, positiva ou negativamente, também são afetados com a nova lei. A diretora da TV Pampa e da Rádio Grenal, Marjana Vargas, enfatiza que algumas alterações terão de ser feitas para adequação ao que foi estabelecido pelo Congresso Nacional. “No caso da TV Pampa, será necessário abrir mais intervalos do que normalmente fazemos. Alguns programas serão encurtados para possibilitar a inserção de 70 minutos diários na grade”, afirma a jornalista.

Ela ressalta, ainda, as exibições da propaganda para prefeito, que somarão 20 minutos diários, de segunda-feira a sábado na TV (das 13h às 13h10 e das 20h30 às 20h40) e no rádio (das 7h às 7h10 e das 12h às 12h10). Marjana enfatiza que, como é uma novidade, ainda não se sabe como será o resultado, mas  diz acreditar que a audiência será melhor com a exibição de blocos mais curtos.

A jornalista referiu, também, a preocupação com o rigor aplicado nas punições nos casos de descumprimento das normas. “Nenhuma emissora pode falhar no período eleitoral. Para tanto, há necessidade de organização e envolvimento dos profissionais”, destaca. Outro detalhe importante foi a decisão do Grupo RBS que decidiu, a partir desta eleição, não ser mais o gerador da propaganda política. Essa mudança fará com que todas as emissoras de Porto Alegre estejam envolvidas neste processo, cada uma em um período determinado pelo TRE.

Marjana sugere que alguns pontos do novo regulamento poderiam ser melhor discutidos, mas isso terá de ser feito em outra oportunidade. Ainda assim, ressalta alguns pontos que prejudicam e alteram a grade de programação. “O número de dias com veiculação de propaganda eleitoral ficou reduzido, porém, diariamente, teremos mais tempo destinado à campanha. Quando se trata de leis, devemos cumprir  o estabelecido, mas não deixar de discutir nos momentos adequados”, salienta.

 

Como o eleitor vê estas mudanças?

A nova determinação do Congresso Nacional mudará também a estratégia dos partidos na campanha. Com menos tempo de TV e rádio e uma regulamentação rigorosa em relação ao uso de tecnologia de efeitos especiais e utilização da internet, as diferentes siglas e seus candidatos terão de atuar mais próximas do público. Alguns eleitores, como é o caso do administrador de empresas Marcel Ulharuzo, não sabiam desta determinação. “Ainda não me apropriei do assunto. Na verdade, vejo pouca televisão e não me informo muito pelo rádio. O meio que eu mais utilizo é a internet”, declara. Ele ainda destaca que as pessoas não olham mais tanto a televisão aberta, e na fechada não há muitas informações sobre as novas leis.

Já o publicitário Octávio Farias está por dentro do tema. Ele explica que soube das alterações na lei pelo rádio e logo se interessou pelo assunto. Farias destaca que essa nova fórmula não altera a sua relação com a política e com a forma com que cada projeto será mostrado pelos candidatos. O publicitário entende, também, que os meios de comunicação saem ganhando com a nova regulamentação por perderem menos tempo do que em outras eleições.

 

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