Economia

Hello, a nova rede social do criador do Orkut

Com lançamento previsto para agosto, a Hello é a nova empreitada do criador do Orkut, a rede social do Google que fez grande sucesso entre os brasileiros. A Hello promete ser uma rede social para mostrar as pessoas como elas realmente são e aprofundar amizades.

A rede social em versão Android e Apple (IOS), já lançada em países como Estados Unidos e Canadá, é uma promessa de transformar uma plataforma digital em um lugar de vida real, com foco em interações pessoais e interesses . A Hello também terá o desafio de não se tornar só mais uma rede social, concorrendo com o Google+, Twitter e Instagram, e a que nenhuma delas consegue ameaçar a posição: o Facebook.

“Hello é a primeira rede social construída através de amizades profundas, não ‘gostos’. Eu inventei a hello para ajudá-lo a conectar-se com pessoas que compartilham das suas paixões”, diz o criador Orkut Buyukkokten em um comunicado publicado na internet. Para ele, os relacionamentos devem se tornar novamente divertidos, já que hoje as pessoas não fazem novos amigos nas redes sociais, apenas recebem informações de pessoas que já conhecem.

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A plataforma digital relembra uma série de recursos de seu antecessor Orkut, extinto em setembro de 2014, como o “quem visitou o seu perfil”, os selos para incentivar os usuários a usar a rede social e o sistema de convites. Outros recursos ganharam nomes como Personas, que são tags que o usuário escolhe no momento do cadastro, transformado em comunidades que unem pessoas com gosto em comum. Já o feed personalizado de notícias, relevante para as suas Personas escolhidas, será chamado de Folio.

Os Potenciais são amigos que a rede sugere apresentar a você, com base em seus interesses, de acordo com localização e personalidade. Além disso, a Helo reúne os elementos básicos que qualquer usuário gosta, como as Conexões com recursos de mensagens diretas, incluindo fotos, curtidas e comentários.

A Hello apresenta a novidade do Anonimato, uma ferramenta polêmica onde é possível fazer comentários em posts e até publicar imagens ou textos de forma anônima. Na rede, também é possível adicionar amigos, curtir o perfil da pessoa ou enviar  mensagens ou expressões, como risada e piscada, e presentes.

Com o Orkut lançado em 2004, o site foi o ponto de partida para os brasileiros se descobrirem seres aficionados por redes sociais. Inicialmente criado para fazer sucesso entre os americanos, o site conquistou mais de 30 milhões de perfis no Brasil, o que representava mais de 50% dos usuários da rede, conforme o levantamento oficial do Orkut.

Em 2013, pela primeira vez, o Brasil superou a marca de mais da metade da população sendo usuária de Internet. Ainda em 2014, após a extinção do Orkut, o Facebook, criado pelo ex-estudante da Universidade de Harvard, Mark Zuckerberg, que já tinha grande adesão no Brasil, foi substituindo a outra plataforma para os brasileiros.

O analista Lucio Uberdan, diretor da IntPolitics, focada em monitoramento de redes sociais, é cético quanto ao projeção da Hello no Brasil. “A Hello pode até crescer, ser funcional, mas não será como o Orkut, será uma rede apenas”. Segundo ele, a rede também não deve afetar a posição do Facebook. “40% da população brasileira está fora da rede e, ainda, vai entrar e passar pelo Facebook. Ele seguirá crescendo em países como o Brasil e diminuindo em grandes centros, onde jovens e adultos usam e dividem seu tempo entre várias redes”, destaca.

Conforme Lucio, a tendência é que o Facebook se torne obsoleto no futuro. “O Facebook deve terminar pois deixará de ser inovador, será uma rede pesada, cara e chata para se manter. Ele não é como o WhatsApp, que tem menos de 100 funcionários. Facebook é inviável se não for grande. Os jovens já estão saindo. Ficará velho”.

Já Marcio Carvalho, palestrante de mídias sociais na Fundação Ulysses Guimarães Nacional, defende a ideia de que a Hello terá que se adaptar ao que o brasileiro gosta. “Como toda rede social, a Hello vai precisar dar ao internauta aquilo que ele quer. Existem centenas de redes, algumas muito mais funcionais que o tradicional Facebook, WhatsApp ou Snapchat. Mas quem escolhe é o internauta. Algumas redes crescem no Brasil, outras sequer chegam.”, ressalta. Pela grande presença do brasileiro em redes sociais, Marcio também aposta que o Brasil será tendência em criação e inovação tecnológica, quem sabe até criando uma nova plataforma digital.

Para Marcio, o futuro do Facebook também irá ditar o comportamento da Hello e novas redes sociais a serem lançadas. “O Facebook faz publicidade eficiente de si mesmo, se ele for se reinventando pode ter vida útil razoável. Mas, a regra geral nas redes é que tudo é provisório. Quem navega com profundidade na rede não usa mais as redes tradicionais, o futuro é a programação pelo próprio usuário. Devemos perceber como o Facebook irá evoluir”, diz Marcio.

A presença dos brasileiros na internet

De acordo levantamento do Facebook de março de 2016, 105 milhões de pessoas ativam mensalmente a rede social. São 76 milhões de pessoas que acessam o Facebook diariamente, sendo que 69 milhões realizam através de dispositivos móveis.
Em 2014, eram 62 milhões usuários diários da rede social, o que mostra que a presença dos brasileiros não para de crescer.

Segundo dados da pesquisa do Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros (TIC Domícilios) de 2014, do Comitê Gestor de Internet, 50% das residências brasileiras possui acesso à Internet, o que representa cerca de 32,3 milhões de domicílios, sendo 67% com conexão a fio e 33% com acesso a tecnologia WiFi. A pesquisa também mostra que o celular é o dispositivo preferido para o uso da internet (76%), seguido do computador de mesa (54%), notebook (46%) e tablet (22%).

 

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  • Publicado em: 08/07/2016

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