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Entre espadas e canecos cheios de hidromel

Primeira Feira Medieval de São Leopoldo apresenta produtos e costumes característicos da época

Durante a 12ª Aldeia Sesc Capilé, o Museu do Trem foi palco para a primeira Feira Medieval de São Leopoldo. Organizada pelo grupo Bando Celta, a iniciativa contou com várias atividades e produtos inspirados nos hábitos medievais. Confira alguns deles:

Pão Medieval

A expositora Kirstin Polly conta que não existem tantas diferenças do pão medieval para o que consumimos hoje. As principais, segundo ela, é que o alimento produzido séculos atrás não levava conservantes, nem leite e é 100% natural. “Naquela época, nem todos tinham condições de manter um animal para ter leite, então utilizavam mais a água. Também usamos açúcar mascavo e farinha integral”, conta. Polly, que é alemã nascida em Wuppertal, trouxe a receita do pão de seu país de origem. “Na era medieval, o pão era feito em forno a lenha, então, hoje, precisamos usar alguns truques para deixar a casca com a mesma textura” explica.

Cutelaria

A cutelaria é uma profissão pouco conhecida hoje, mas que, na idade média, era muito mais famosa e presente. Cuteleiro(a) é a pessoa que fabrica ou vende instrumentos de corte, como facas, espadas, adagas, machados, navalhas etc. Maurício Pinto trabalha há mais de 6 anos nessa profissão. Para forjar uma espada e deixá-la pronta, o profissional leva cerca de 20 dias. “Para deixar a espada pronta, lixada e com todos os acabamentos, levamos esse tempo”, relata. Ele explica, também, que, para fazer todos os produtos, realiza uma pesquisa prévia. “Busco por referência para tentar reconstruir o mais fiel possível aos artigos medievais”, comenta. Outro estilo ainda é o Brut di forge, ou bruto da forja, que são aqueles instrumentos que mantém o aspecto original do aço recém-saído da forja, levando menos tempo para ficarem prontos.

Música medieval

O Bando Celta é um grupo que agrega diversos artistas e funde música com dança, teatro, literatura, audiovisual, além de realizar projetos em arte-educação e organização de festivais. “Buscamos divulgar mais da cultura medieval e entretenimento, em diferentes âmbitos da arte”, contextualiza Renato Velho, um dos integrantes. Durante os shows musicais, os sons do violino, violão, flauta e tambor compõem a melodia. Com figurino celta, o grupo toca versões de músicas brasileiras que dialogam com a música celta, como o clássico nordestino Asa Branca.

Artesão e Armeiro

Esse é o trabalho de Ismar Vieira da Silva, mais conhecido como Ismarvel. Ismar trabalha fabricando espadas, machados, adagas e outras armas em madeira inspiradas na época medieval. “As mais características são as templarias que tem o formato de cruz e são maiores. Hoje, estão bem na moda por causa da série Game of Thrones”, explica. Geralmente, o profissional leva um dia para fabricar uma espada sem pintura. Com a pintura, leva mais tempo.

Caneco Viking

Outro utensílio muito utilizado durante a época medieval é o caneco de madeira. Cláudio Reis conta que o processo para fabricação do utensílio é parecido com o de barris. Eles são todos feitos a mão e levam cerca de dois dias para ficarem prontos. “O processo é todo artesanal, escolho a madeira que irei utilizar, uma por uma, para ter certeza que o produto ficará perfeito”, relata Reis.

Armaduras e Arco e Flecha

Buscando difundir o esporte do Arqueirismo e uma reconstituição histórica sobre armamentos medievais, a Confraria Trescoroense de Tiro com Arco e Flecha participa de diversos eventos. Jeferson Dias, doutor em história e integrante do grupo, compartilha algumas curiosidades sobre os trajes de guerra, principalmente sobre o peso. “Sempre pensamos que eles eram muito pesados. Um traje completo pesava cerca de 40 kg, porém, hoje, um traje de guerra militar pesa, em média, 33 kg. É pouca a diferença”, explica Dias. O grupo busca recriar armaduras e armas medievais o mais fiel possível, mas sempre utilizando alguns materiais mais modernos. “Antes eles não tinham cola, então utilizavam outro produto, como escamas de peixes, para ter o mesmo efeito”, exemplifica Dias. Durante a feira, quem estava pelo local podia ter a experiência de atirar com arco e flecha.

Caneco de Chifre

Provavelmente, você já deve ter visto um caneco de chifre em algum filme de fantasia ou histórico. Rafael Luft fabrica esse produto a partir de chifres de descarte. O profissional tenta reproduzir o mesmo processo de produção, até mesmo com o revestimento de cera de abelha. “Após o lixamento externo e interno, forro o interior com cera de abelha. Desse modo, o cheiro de chifre não fica tão forte, apenas se sente o aroma do mel”, explica. Luft garante que o produto não da sabor à bebida, porém avisa que não deve ser utilizado líquidos quentes ou deixar o caneco no sol para que a cera não derreta.

Hidromel

Hidromel é uma bebida alcoólica fermentada à base de mel, água e especiarias. Não se sabe ao certo quando ela surgiu, mas há registros de que sua fabricação é anterior a do vinho e da cerveja. Cássio Gonçalves Reis trabalha na fabricação da bebida há dois. “Existem vários tipos de hidromel, trabalhamos mais com o Metheglim (que é feito com noz moscada) e o Sangue Viking, que leva flor de hibiscos”, conta. A produção e o tempo de fermentação varia de quatro a oito meses, dependendo da receita. Ponto importante destacado por Reis é a procedência do mel. Eles utilizam o alimento que vem de uma floresta ambiental, pois esse é mais parecido com o mel utilizado antigamente. “Antes, o mel utilizado era o mel da floresta, não existia mel de laranjeiras ou outros tipos, então buscamos ser o mais fiel possível à tradição”, comenta.

Comidas veganas

“Nem só de carne o povo medieval se alimentava”, informa Graziele Stenert, bruxa e cozinheira no Caldeirão 13. “Os filmes e seriados sempre mostram que o povo só se alimentava de carne, mas eles comiam muita comida vinda da horta”, aponta. Com esfirras, empadas, tortinhas e pastas, Stenert busca mostrar e divulgar a comida vegana durante feiras e eventos. “O nome é Caldeirão 13, pois eu sou uma bruxa moderna e o principal instrumento de trabalho das bruxas é o caldeirão”, explica.

Tambores

Dentro dos instrumentos musicais, outro muito utilizado durante a época medieval eram os tambores. “Normalmente, os tambores são feitos de madeira com couro de cabrito, entretanto, o melhor couro é o de cavalo, mas é mais difícil de conseguir”, explica Marilei Tavares, que fabrica os tambores da “Eclipse do Pampa”. Os instrumentos, levam, geralmente, cerca de 20 dias para ficarem prontos.

Sobre a Feira

A Feira Medieval ocorreu no dia 06 de maio fazendo parte da 12ª Aldeia Sesc Capilé. Para a  gerente do Sesc de São Leopoldo, Andréa Guedes, o evento foi um sucesso. “Ano passado, trouxemos o Bando Celta para fazer um show. Como vimos que o público gostou, resolvemos trazer a Feira neste ano”, comenta Guedes.

Esta é a terceira Feira Medieval organizada pelo Bando Celta. Renato Velho, representante do grupo no evento, comentou que este foi o primeiro com entrada franca e teve boa aceitação do público. Velho destaca que o projeto vem de um árduo trabalho de pesquisa, visando trazer uma melhor qualidade e entretenimento ao público. “Muitos vieram até o evento para ver o que iria acontecer e gostaram. Recebemos muitos elogios, tanto durante a Feira, quanto nas redes sociais”, finaliza Velho.

 

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