Geral

Greve muda rotina do comércio no centro da Capital

Trabalhadores se mostraram incrédulos quanto ao resultado da mobilização, mas, em sua maioria, apoiam as demandas manifestadas nas ruas

Maioria das lojas trabalhou com portas semiabertas. Foto: Liane Oliveira/Beta Redação

Maioria das lojas trabalhou com portas semiabertas. Foto: Liane Oliveira/Beta Redação

A greve geral promovida pelas centrais sindicais nesta sexta-feira (28/4) também modificou a rotina dos trabalhadores do comércio no centro de Porto Alegre. Lojas localizadas na Rua dos Andradas e na Avenida Borges de Medeiros trabalharam, pela manhã, em sua maioria, com as portas semiabertas. Quase todos os empreendimentos abriram normalmente, mas com baixa no movimento e no número de funcionários, devido às paralisações nos sistemas de transporte público.

Mesmo com um número menor de pessoas circulando, alguns locais tiveram dificuldade para atender o público pelo déficit de funcionários, como a loja de sapatos e bolsas Zapatto. “Sete funcionários não vieram trabalhar, e estamos apenas em três atendendo o público”, explica a gerente Adriane Ferraz. Por volta das 11h40, quando um grupo de sindicalistas se aproximou da loja, o portão foi totalmente baixado. “Sabemos que o protesto é pacífico, mas fizemos isso por motivos de segurança”, afirma ela, dizendo que a loja seria fechada por volta das 14h.

A poucos metros dali, o segurança Marcelo do Nascimento era o único funcionário, além do gerente, trabalhando em uma loja de presentes. Segundo ele, a greve é legítima, mas “não vai adiantar muito” para pressionar os deputados na votação das reformas no Congresso, às quais se mostra contrário. “Eu acredito que não precisaria mudar nada (nas leis trabalhistas e da Previdência). O governo usa isso para melhorar as coisas para ele mesmo e tirar do trabalhador”, opina.

Marcelo é terceirizado e defende manutenção das regras trabalhistas atuais. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Marcelo é terceirizado e defende a manutenção das regras trabalhistas atuais. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Funcionário terceirizado, Marcelo conta que, além de se mostrar incrédulo com a força do movimento, decidiu não participar porque precisa do emprego. “Nessa crise, temos que garantir o dia de trabalho”, explica.

Pontos de vista

Em uma loja especializada em artigos para noivas, na Rua dos Andradas, as opiniões se dividiam. Para a gerente Lisete Martins, que também não confia na força da mobilização, o comércio não será afetado diretamente pela reforma trabalhista. Segundo ela, o que impede a empresa de proporcionar uma remuneração melhor aos funcionários é a alta carga tributária. “Os impostos sobre os empregadores são muito altos, e isso prejudica a geração de empregos”, analisa. Lisete defende também o fim do imposto sindical obrigatório, aprovado pela Câmara Federal na última quarta-feira, 26. “Eles (sindicatos) não fazem quase nada por nós, apenas a rescisão e a definição do piso”, diz, crente de que, sem o sindicato, “alguém fará isso”.

Lisete vê com leniência reforma trabalhista. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Lisete acredita que a geração de empregas é prejudicada pelos altos impostos cobrados das empresas. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

No mesmo estabelecimento, a funcionária do setor de finanças Roberta Prell substituía uma colega responsável pelo atendimento ao cliente. “Hoje fizemos um ajuste, pois algumas colegas não puderam vir”, conta. Roberta também não espera uma resposta positiva da greve, mas diz ser contrária à reforma trabalhista. “É um ataque aos nossos direitos”, resume ela, dizendo que o poder público deveria estimular o empreendedorismo como forma de diminuir o desemprego.

Realocada no dia, Roberta é contrária à mudanças na CLT. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Realocada no dia, Roberta é contrária à mudanças na CLT. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Em nenhuma das lojas visitadas pela Beta Redação houve registro de trabalhadores participantes da greve, apesar de todas elas admitirem que, se assim decidisse, o empregado não sofreria qualquer tipo de sanção.

Sindicatos

A Beta Redação não conseguiu contato, na tarde de sexta, com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Porto Alegre (Sindec). Em seu site, a instituição confirmava a adesão à greve e convocava os trabalhadores a participar, classificando as reformas como um “ataque” aos direitos trabalhistas.

Já o Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas), que havia orientado os lojistas a trabalharem normalmente, estima que 4% do faturamento mensal do comércio da Capital foi impactado com a greve. Conforme o Sindilojas, a baixa circulação de pessoas gera uma queda de 69% no faturamento diário dos negócios. Ainda de acordo com a entidade, cerca de metade das empresas registraram atrasos de funcionários, enquanto 60% apontaram falta dos mesmos devido às paralisações do transporte.

Lida 1160 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.