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Um resumo dos atos, fatos e efeitos do 28 de abril

Greve geral mobiliza manifestantes, paralisa transporte e afeta comércio na Capital

A greve geral do dia 28 abril afetou fortemente Porto Alegre. Manifestações contra as reformas do governo Temer mobilizaram milhares de pessoas pelas principais vias da cidade, que tiveram movimento reduzido de veículos e pessoas, uma vez que os principais serviços de transporte coletivo, ônibus e trem, foram paralisados – apenas lotações circularam. O comércio funcionou, mas parcialmente, com número reduzido de funcionários e poucos clientes.

O primeiro ato da greve geral foi o bloqueio aos portões da Carris, montado ainda de madrugada, quando movimentos sindicais começaram a chegar em frente à garagem da empresa. Esse movimento foi liderado pelo Sindicato dos Rodoviários, cujo presidente, Adair da Silva, prometeu mobilização o dia inteiro. “A greve é um ato contra as reformas trabalhista e da Previdência, que tiram os direitos do trabalhador. Os rodoviários estão na luta”, disse Adair no início da manhã. O ato em frente à Carris também teve participação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Outro sindicato que começou a mobilização ainda na madrugada de sexta foi o dos aeroviários, que trancou a Avenida Edu Chagas e a Rua Dezoito de Novembro, na zona norte de Porto Alegre.

 

Os protestos seguiram em diversos pontos da cidade durante todo o dia. Perto do meio-dia, houve uma marcha conduzida pelo Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), que rumou em direção à Avenida Borges de Medeiros.

 

 

Os servidores da segurança pública também aderiram à greve geral. Representantes das polícias Civil, Federal e Rodoviária e da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) também estiveram nas manifestações do meio-dia, na Esquina Democrática. Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Rio Grande do Sul (Sinpef/RS), Ubiratan Antunes Sanderson, a categoria é contrária às reformas. “Não aceitamos esse ataque ofensivo aos direitos dos policiais e do povo brasileiro”, ressaltou o líder sindical.

Integrantes da UGEIRM/Sindicato, entidade que representa escrivães, inspetores e investigadores de polícia do Rio Grande do Sul, protestavam fortemente contra a reforma da Previdência. De acordo com o diretor do Departamento de Aposentados da entidade, o inspetor de polícia Carlos Passos, mais de 1 mil trabalhadores da segurança se reuniram para protestar contra o projeto do governo federal.

A marcha dessas categorias começou no Palácio da Polícia, na Avenida João Pessoa. De lá, os manifestantes seguiram a pé até a Esquina Democrática, onde, em um carro de som, gritavam palavras de ordem e explicavam aos presentes o motivo da adesão à greve. O presidente do Sinpef ressaltou que as reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo governo Temer são uma desculpa para retirar direitos dos trabalhadores em favor da economia e que o problema do país está na corrupção.

 

UGEIRM/Sindicato foi uma das entidades da segurança pública que protestaram nesta sexta. Foto: William Szulczewski/Beta Redação

 

A greve também gerou impacto no comércio da cidade. Ao redor da Esquina Democrática, quase todos os estabelecimentos abriram normalmente, porém a maioria estava com o portão semiaberto. A falta de transporte público prejudicou o movimento dos consumidores e também impediu que diversos funcionários conseguissem comparecer ao trabalho. Foi o caso da loja Zapatto. “Sete funcionários não vieram trabalhar, e estamos apenas em três atendendo o público”, explicou a gerente Adriane Ferraz. Ela também informou que, devido às condições do dia, a loja fecharia às 14h. A greve também dividiu pontos de vista: entre os entrevistados, alguns se mostraram a favor, e outros, contra. O segurança Marcelo do Nascimento, por exemplo, compareceu ao trabalho por medo de perder o emprego, mas é contra as reformas.

 

Maioria das lojas trabalhou com portas semiabertas. Foto: Liane Oliveira/Beta Redação

Maioria das lojas trabalhou com portas semiabertas. Foto: Liane Oliveira/Beta Redação

 

A Avenida Assis Brasil também foi bloqueada por manifestantes. O protesto do Sindisaúde interditou os dois sentidos da via no bairro Cristo Redentor, próximo à Avenida Francisco Trein, e fez com que algumas pessoas tentassem forçar passagem.

 

 

As ações seguiram no decorrer do dia com a adesão de diversos grupos, incluindo a Tribo de Atuadores “Ói Nóis Aqui Traveiz”, que usou a arte como forma de protesto.

 

A peça apresentada trata de quatro "desgraçados" que buscam descobrir de onde vem o lucro

Com figurino, instrumentos musicais e sem microfones, o grupo apresentou o espetáculo “A Mais Valia Vai Acabar, Seu Edgar” com a Oficina de Teatro de Rua Arte e Política. Foto: William Szulczewski/Beta Redação

Durante o dia, diversos políticos de esquerda se integraram às manifestações. “É a maior greve dos últimos anos, o que é muito importante, pois a mobilização do povo é a única forma de barrar o ataque aos trabalhadores”, considerou a ex-deputada e ex-candidata à presidência pelo PSOL Luciana Genro.

Perto do final da tarde, o movimento reduziu e os manifestantes se dispersaram no Largo Zumbi dos Palmares, após percorrerem a Avenida Júlio de Castilhos, o Túnel da Conceição, a Rua Sarmento Leite e a Avenida Loureiro da Silva.

 

A caminhada começou na Esquina Democrática. Foto: Everton Cardoso/Beta Redação

Pouco tempo depois, perto das 18h, os protestos foram retomados, embora em menor número. No último ato da greve geral, manifestantes diversos – não só ligados aos sindicatos ou aos movimentos sociais – marcharam a pé do Centro até a Cidade Baixa.

Em outras cidades, o 28 de abril também foi de intensos protestos. A Beta Redação acompanhou atos da greve geral em OsórioSão LeopoldoSapiranga.

Participaram da cobertura da Beta Redação: Arthur Isoppo, Debora Vaszelewski, Eduardo Brandelli, Fernanda Salla, Fernando Eifler, Franciele Arnold, Johnny Oliveira, Laíse Feijó, Liane Oliveira, Luis Felipe Matos, Nathalia Amaral, Paulo Egídio, Ulisses Machado, Vinicius Ferrari e William Szulczewski.

 

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