Economia

Green Bonds: mercado de financiamento verde cresce no Brasil

A importância de ferramentas de financiamento sustentável na luta contra o aquecimento global

Ilustração: Geralt/Pixabay-CC

Ilustração: Geralt/Pixabay-CC

No esforço internacional para  reduzir o aquecimento global, o Banco Mundial começou a incentivar investimentos que financiam projetos sustentáveis. Os primeiros Títulos Verdes foram emitidos pelo Banco Europeu de Investimento e pelo Banco Mundial, respectivamente em 2007 e 2008. São os chamados Green Bonds, que direcionam o dinheiro de investidores para projetos que tenham impactos em redução de emissões de gases do efeito estufa. O dinheiro captado nesses títulos verdes é voltado para projetos de energia renovável, eficiência energética, meios de transporte de baixo carbono, água sustentável, lixo e poluição e adaptação climática.

Esse tipo específico de financiamento apresentou crescimento exponencial nos últimos anos. Enquanto em 2013 foram emitidos US$ 11 bilhões de títulos verdes, em 2014 o número triplicou para US$ 36,6 bilhões e em 2015 US$ 41,8 bilhões. Os dados são da Climate Bonds Initiative.

Segundo Luana Betti, economista e especialista em avaliação de impacto econômico de projetos e de políticas públicas pela Fundação Itaú Social, esses financiamentos funcionam basicamente como títulos de renda fixa, “mas com a diferença de que os projetos atrelados a eles sejam verdes”, explica. “A única diferença de títulos comuns é que tem de ser verde e segue um processo mais rígido por isso”. São títulos que pagam uma certa remuneração. O modo mais fácil de entender o que é um título de renda fixa é ver cada título como um empréstimo. “Significa emprestar dinheiro para alguém, como banco, empresa ou governo. Na contrapartida, você recebe uma remuneração. Quem ganha com isso não é só o investidor. Para quem emite esse título, é uma forma de captar recursos e financiar seus projetos ou negócios, gerando mais oportunidades para o país”, explica o Portal Administradores.

“Em conjunto com os demais instrumentos de financiamento verde, os green bonds são uma forma de se direcionar o capital privado para projetos sustentáveis”, explica a economista.

O investidor empresta o dinheiro por um período de tempo definido, então, após ser utilizado no projeto o retorno ao investidor é feito com juros. É uma alternativa de investimento como qualquer outra, mas com a diferença de que existe uma preocupação ambiental e contribuição com o futuro do planeta.

Como resultado do exponencial crescimento do mercado de Green Bonds, no início deste mês, pela primeira vez o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a captação de US$ 1 bilhão em green bonds, no mercado internacional. A demanda atingiu US$ 5 bilhões em ordens, com a participação de mais de 370 investidores no processo de formação de preço dos títulos, segundo o Banco. A última vez que o Banco fez uma emissão no exterior foi em 2014.

 

(Foto: BlickPixel/Pixabay-CC)

(Foto: BlickPixel/Pixabay-CC)

 

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) recebeu no mês passado junto do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) o prêmio Green Bond Awards 2017 pelo Guia de Emissão de Títulos Verdes, lançado em 2016. O estudo trata justamente de diretrizes para ampliar o mercado brasileiro de Green Bonds que ainda é muito pequeno.

Segundo a Febraban muitos dos motivos para os títulos verdes ainda não prosperarem no Brasil são “desafios de ordem estrutural que refletem a história econômica brasileira e de ordem processual que devem ser superados para facilitar e motivar emissores e investidores a apostarem nos Green Bonds”

“Não temos dúvidas de que green bonds têm grande potencial. Esse novo mercado está experimentando ganhos substanciais no volume de negócios e alocação de capital no mundo todo. Os recursos destinados para a transição para uma economia verde serão cruciais para viabilizar soluções de baixo carbono em escala”, explicou Marina Grossi, presidente do CEBDS, no momento em que iniciaram a parceria com a Febraban para criar o guia premiado.

 

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