Economia

Governo anuncia parcelamento dos salários de agosto

Medida foi anunciada no último dia útil do mês

O que se paga com R$ 600? Essa é a pergunta que os servidores públicos têm feito nos últimos dias. Mesmo antes do pronunciamento oficial do governador José Ivo Sartori, do PMDB, os extratos bancários já indicavam a realidade – um depósito de R$ 500 e um de R$ 100. O parcelamento dos salários foi adotado pelo segundo mês consecutivo.

A última segunda-feira de agosto começou com a fala de Sartori explicando a difícil situação pela qual o Estado passa. Com isso, o anúncio de que os salários seriam divididos em duas a três partes. “Como disse, essa não é uma questão de vontade pessoal, mas é uma questão que se impõe por conta da realidade financeira do Rio Grande do Sul”, lamentou.

O valor fica abaixo das despesas básicas dos gaúchos. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a cesta básica em Porto Alegre custa R$ 356,17. Somando a esse valor os custos médios de água, luz, gás, telefone e passagens de transporte público, o total chega a R$ 704,37. Sendo assim, muitos são obrigados a recorrer aos limites de crédito dos bancos.

É o caso de Liandra Padilha, 24, soldado da Brigada Militar. Concursada desde os 18 anos, ela não previa essa situação. A policial conta que está na corporação desde 2009 e que sempre manteve um planejamento sobre suas contas e orçamento. Ainda assim, contraiu dívidas no início de 2015 que foram diretamente afetadas por esse cenário. “A perspectiva é que ao menos o governo pague integralmente nosso salário antes de findar o mês de setembro e que não resulte em uma ‘bola de neve’”, conclui.

Serão depositadas mais duas parcelas: uma de R$ 800, com previsão para o dia 11 de setembro, e outra, de R$ 1.400, no dia 15. Os servidores que ganham acima de R$ 2.800 terão o valor restante creditado no dia 22. Mesmo assim, a medida não agradou aos sindicatos.

O Centro de Professores do Rio Grande do Sul (CPERS), que responde pelos professores estaduais, convocou uma greve unificada no último dia 31. O sindicato é o segundo maior da América Latina, com cerca de 85 mil filiados. A estimativa da entidade é de que 90% das escolas tenha aderido à paralisação. A presidente, Helenir Aguiar Schürer, afirma que esta seguirá até que o valor integral seja pago.

Ainda que haja possibilidade de a situação ser revertida já na próxima semana, o parcelamento afeta a vida e, principalmente, o orçamento de todos. Mesmo assim, o Estado se comprometeu em pagar o valor total aos servidores. O combo de contas atrasadas e greve gera um ambiente instável, no qual os funcionários públicos estaduais não têm certeza do que acontece depois.

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