Economia

Globo lança aplicativo para smartphones e tablets

Emissora se posiciona em mercado que deve movimentar 70 bilhões de dólares no Brasil até 2017

GLOBO PLAY

Globo Play traz programas especiais, temporadas de novelas, seriados e programação ao vivo da emissora. / Foto: Reprodução

Reunir as pessoas na sala para assistir à televisão definitivamente é algo do passado. Desde a chegada do NetFlix no Brasil, em 2011, e a popularização de outros serviços de streaming como o Now, TeleCine On Demand, Clarovídeo, Vivo Play, entre outros, sentar-se diante da televisão parece ser um processo que está chegando ao fim. Como se não bastasse, a Rede Globo anunciou nesta semana mais um passo importante para contribuir com a extinção do modelo tradicional de consumir televisão.

Já está disponível para smartphones com sistema iOS e Android, além de computadores e tablets, o aplicativo Globo Play. Com ele, é possível acessar todo o conteúdo da emissora on demand, além de assistir à programação ao vivo, disponível, por enquanto, apenas para Rio de Janeiro e São Paulo. A disponibilização para outras afiliadas deverá ser feita gradativamente. Já o conteúdo à la carte está disponível para todo o Brasil. É possível acessar de forma gratuita trechos de novelas, séries e minisséries, assim como telejornais e programas de esportes. Parte do conteúdo é restrita e requer uma assinatura no valor de R$ 12,90.

Apesar do lançamento, a Rede Globo já oferecia serviços do tipo, no entanto não eram tão conhecidos. Um deles é o Globosat Play (antigamente chamado de Muu), que faz parte da Globosat e traz séries e outras produções que passam nos canais da programadora, como GNT, Combate, Multishow e SporTV. Outro era o GLOBO TV+, que foi incorporado ao Globo Play. O próprio TeleCine On Demand também pertence à Globo, a diferença agora é que a emissora da família Marinho está se rendendo aos smartphones, oferecendo também sua programação ao vivo, de forma gratuita.

“É natural, a flexibilidade de você poder assistir quando quiser, no aparelho que quiser, é algo que a TV tradicional não consegue competir. A web é uma revolução muito forte, não somente para a TV, mas para qualquer outra mídia. Se você parar pra pensar, o YouTube já é um canal de TV, o Netflix também. A Globo apenas acompanhou esse movimento, para marcar presença em todas as plataformas, inclusive nos smartphones”, explica Evandro Leopoldino Gonçalves, engenheiro de softwares e ex-funcionário da área digital da Rede Globo.

O Netflix, aliás, é tema de uma polêmica desde o início do ano. Após estimativas apontarem que a empresa terá um faturamento maior que R$ 500 milhões até o final de 2015, apenas no Brasil, emissoras de televisão e serviços de TV por assinatura entraram com um pedido em conjunto para que o Netflix seja taxado de forma especial (hoje a empresa paga menos impostos que empresas de TV a cabo e TV aberta). O faturamento do Netflix no Brasil é maior do que os rendimentos de emissoras como Band e RedeTV.

O movimento da Globo de fazer uma extensão do seu conteúdo para aplicativos também acompanha uma tendência econômica importante no país. O mercado brasileiro de apps para celular movimenta atualmente US$ 25 bilhões, com expectativa de alcançar US$ 70 bilhões em 2017, de acordo com projeção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Os números impressionantes podem ser explicados analisando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE. Segundo ela, mais da metade dos brasileiros que acessam a internet preferem usar smartphones ou tablets para navegar. Diante desta realidade, adaptar sites para que se tornem responsivos nessas plataformas é algo extremamente necessário. Os dados do IBGE são de 2014.

“O mercado tem um futuro imenso pela frente. Mesmo com a crise, ele vem crescendo de forma espetacular. O Brasil é um dos maiores consumidores do mundo em aplicativos mobile. Cada vez mais pessoas estão tendo acesso à internet, portanto é cada vez maior a necessidade de criar soluções tecnológicas para atender a essa demanda. Nos Estados Unidos já se ensina programação no ensino fundamental, através de jogos infantis. As crianças estão aprendendo a programar. Todo mundo deveria saber pelo menos o básico em programação. Ajuda em qualquer área, este é o futuro”, analisa Pedro Rossa, programador e líder técnico da Atomic Rocket Entertainment, estúdio experimental de jogos incubado na Unisinos e que cria, entre outros produtos, jogos para smartphone e plataformas interativas para aparelhos portáteis.

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