Esporte

Gaúcha vive o sonho do basquete norte-americano

A atleta busca a profissionalização no país com maior tradição no esporte

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A gaúcha Thais Matté atua há 2 anos no basquete norte-americano. Foto: Leigh Swartzfager

 

Suor, esforço, talento e um vídeo levaram a gaúcha Thais Matté, 21 anos, a realizar dois de seus sonhos: estudar e jogar basquete nos Estados Unidos. Atualmente, a armadora atua no basquete universitário norte-americano pela Lindenwood University, na cidade de Belleville, no Estado de Illinois.

Mas até chegar lá Thais teve que “ralar” muito. Para começar, ela não queria jogar basquete. A paixão pelo esporte começou apenas quando foi proibida por um professor de praticar seu esporte preferido na época, o futsal. Então, em estado de “raiva”, a pequena Thais, ainda com seis anos, resolveu jogar basquete. Nos treinos em Galópolis, bairro da cidade de Caxias do Sul, a jovem acabou se apaixonando pelo esporte e foi se destacando nas categorias de base. A atleta participou de algumas competições nacionais pela Seleção Gaúcha e foi convocada para a Seleção Brasileira de sua categoria, aos 15 anos.

 

Thais (ao centro), mostra uma de suas inúmeras medalhas jogando ainda pelo Galópolis (Foto: arquivo pessoal)

Thais (ao centro), mostra uma de suas inúmeras medalhas jogando ainda no Brasil. Foto: Arquivo pessoal

 

Porém, a falta de estrutura do esporte no Brasil incentivou a pequena Thais, que tem somente 1,65m de altura, a sonhar com voos mais altos. Com a visão de um basquete norte-americano forte, a atleta procurou quais seriam os meios para conseguir jogar lá. Com isso, descobriu que poderia mandar um vídeo para a NJCAA, que é uma associação de atletas juniores americanos. Produziu o vídeo com alguns de seus lances e enviou. Quando já havia perdido a esperança, o inesperado aconteceu: a jovem recebeu um convite da Genesee Community College, em 2014, para estudar e jogar lá. Mesmo com a desconfiança de muitas pessoas, a gaúcha decidiu ir.

 

Veja o vídeo que Thais enviou à NJCAA: 

 

 

No entanto, toda a desconfiança em torno da gaúcha acabou se transformando em força e empenho. Como resultado disso, nas duas temporadas pelo Genesee, Thais ganhou destaque em algumas oportunidades, sendo escolhida para o título de Atleta da Semana em mais de uma ocasião.

Confira a entrevista completa com Thais Matté.

 

Beta Redação: Como você começou a jogar basquete?

Thais: Comecei a jogar basquete quando tinha seis anos, no (clube) Galópolis. Eu sempre quis jogar futsal, já que meu irmão gêmeo jogava, mas como era a única menina, o treinador não me deixou jogar. Então, de raiva, comecei a jogar basquete e me apaixonei pelo esporte.

 

Beta Redação: Como foi a sua ida para os EUA?

Thais: Sempre tive em mente jogar fora do país. Eu acompanhava a NBA e via como eles eram incentivados, como era maravilhoso aquele lugar, então eu sempre quis vivenciar isso. Vim para os Estados Unidos para jogar e estudar, consegui vir pra cá depois de muito treino e persistência. Fiz um vídeo com partes de jogos meus e mandei para a liga NJCAA. No entanto, somente depois de uns quatro meses, já sem esperanças, recebi um e-mail da técnica do Genesee Community College.

 

Beta Redação: Por ter 1,65m de altura, isso já te gerou alguma dificuldade no esporte?

Thais: Minha altura sempre me deu desvantagem. Muitas vezes fui ignorada ou até cortada de times por causa disso. Mas sempre tive em mente que, se eu desse 200% em quadra todas as vezes que jogasse, minha altura não ia me impedir de chegar aonde queria. Então, passava metade do meu dia dentro de quadra treinando, 4 horas por dia, de 5 a 6 vezes por semana. Além disso, quando eu fui selecionada pelo Genesee Community College, muitas pessoas duvidaram de mim e até me criticaram. Falaram inúmeras vezes que eu jamais seria capaz de vir para cá jogar, devido à minha altura. Isso foi o que mais me deu vontade de continuar, só para poder provar a todos que eu conseguiria.

 

Beta Redação: Atualmente, como é sua vida nos EUA?

Thais: Eu gosto bastante da minha vida aqui na Lindenwood University, pois dependo só de mim, não tenho que dar explicação de nada para ninguém. No entanto, sei que tenho que me virar e que não posso errar, porque se eu não me puxar na escola, não jogo basquete. Então isso dá o incentivo de ir bem na escola e no basquete, afinal, uma coisa depende da outra. A vida aqui é muito boa, recebemos um incentivo enorme da escola e da comunidade, isso faz toda a diferença.

 

Beta Redação: No Brasil, quais as suas principais conquistas no esporte?

Thais: Jogando pelo Galópolis, fui selecionada para representar a Seleção Gaúcha de base em seis campeonatos. Também fui convocada para a fase de treinamento da seleção brasileira, quando tinha 15 anos.

 

Beta Redação: Qual seu principal objetivo para o futuro?

Thais: O próximo passo seria me formar e, com sorte, ser contratada por algum time profissional. Gostaria também de atuar na Liga de Basquete Feminino (LBF), até porque assim eu estaria mais perto de casa. Mas, ao mesmo tempo, eu preferia jogar na Liga Europeia, pelo nível de lá, além do incentivo que as jogadoras recebem, que é mil vezes mais do que a LBF. Além disso, pretendo um dia representar o Brasil numa competição mundial.

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