Esporte

Futebol feminino ganha representatividade em jogo digital

Principal jogo de futebol virtual no momento, o FIFA 16 terá, pela primeira vez, equipes femininas

betaredacao-esporte-futebolfeminino6Dentro de um mês, o futebol feminino estará dentro das casas de pessoas do mundo todo. Isso porque a EA Sports, empresa desenvolvedora do jogo de futebol virtual mais vendido no mundo (o último título, FIFA 15, rendeu mais de U$ 3 bilhões), anunciou em maio deste ano que a franquia contará pela primeira vez com times femininos.

A tentativa de trazer as atletas para dentro do FIFA não é tão recente. Em entrevista após o anúncio oficial, o produtor executivo Nick Channon disse que desde 2012, durante as primeiras tentativas, a ideia era contar com as mulheres assim que fosse possível representá-las fielmente dentro do jogo. Em 2013, Veronica Boquete, capitã da seleção espanhola de futebol, chegou a iniciar uma petição na internet através do site change.org pedindo a inclusão de times femininos, que contou com mais de 47 mil apoiadores.

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Após muito tempo investido em captura de movimentos e expressões faciais, além do trabalho de olheiros para definir as características individuais de cada atleta, a equipe decidiu dar o primeiro passo. O FIFA 16, que chega ao Brasil dia 25 de setembro, contará com 12 seleções femininas (entre elas a brasileira e a atual campeã mundial, a norte-americana) que poderão ser utilizadas em modos amistosos online e offline.

 

Anúncio anima fãs de ambos os sexos

A recepção pelo público feminino foi mais que calorosa. Thays Malessa, 25 anos, estudante de Nutrição, é fã de videogames desde pequena. Costumava jogar a versão FIFA 98 da franquia, ainda no PlayStation One, e se animou com a novidade anunciada para este ano. “Achei excelente a representação. As mulheres têm se destacado cada vez mais em diferentes esportes, e ainda assim os videogames não têm visto isso com prioridade, e sim como algo inferior”, conta.

O anúncio causou comoção até no lado da concorrência. Apesar de preferir o Pro Evolution Soccer (PES), Marlane Sobrinho de Oliveira, estudante de Recursos Humanos, 21 anos, ficou surpresa. “Até que enfim, né? Já estava mais do que na hora de mostrar que as mulheres também jogam futebol, tanto na vida real quanto no videogame”, explica.

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Enquanto parte do público masculino encarou a novidade como “desnecessária”, outros se mostraram animados. Pelo Twitter, o produtor brasileiro Gilliard Lopes, que também trabalha no jogo, agradeceu a manifestação de parte dos seguidores, que pediam a brasileira Marta na capa da versão brasileira do FIFA.

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A inserção das mulheres no jogo também possibilitou, pela primeira vez, que jogadoras dividissem a capa com o craque mundial Lionel Messi, garoto propaganda da série. Já a versão norte-americana do jogo traz a atacante Alex Morgan, enquanto a versão australiana conta com a zagueira Stephanie Catley, e a canadense, com a atacante Christine Sinclair.

Manifestações machistas surgiram após o anúncio da EA Sports, mas, felizmente, parecem ter sido sufocadas com a expectativa criada em cima da novidade. A estudante de Jornalismo Luiza Meira, 20 anos, participante de grupos para garotas gamers no Facebook, encara o fato como um avanço. “Para mim, é um grande passo na valorização do esporte feminino. Visibilidade é importante. O futebol e o videogame são espaços dominados por homens, e as mulheres são, desde cedo, repelidas desse espaço. É de se esperar que quando tomamos eles e mostramos que podemos ser tão boas quanto, isso incomode”, comenta.

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