Cultura

Feira do Vinil movimenta mais de 1,2 mil pessoas em Porto Alegre

De clássicos a raridades, não faltam opções para quem resgata a velha vitrola

No último dia 5 de novembro ocorreu a 5ª edição da Feira do Vinil de Porto Alegre, considerada a maior do Estado. Colecionadores, profissionais da indústria fonográfica, curiosos e apaixonados pelos LPs se reuniram no pátio da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), em Porto Alegre, atrás dos famosos bolachões. O evento ainda contou com food trucks, cervejas artesanais, brechós, bancas de acessórios e discotecagem. Ao todo, passaram mais de 1,2 mil pessoas pelo local, além dos 38 expositores, que vieram tanto de dentro quanto de fora do Rio Grande do Sul, revelando uma forte e nada silenciosa cultura.

 

Mais de 1,2 mil pessoas passaram pela Casa de Cultura Mário Quintana no último sábado, dia 05 (Foto: Victoria Silva/Beta Redação)

Mais de 1,2 mil pessoas passaram pela Casa de Cultura Mario Quintana no último sábado, dia 5. Foto: Victoria Silva/Beta Redação

 

Eram milhares de discos, dos mais variados estilos e gêneros, de clássicos a raridades, passando por artistas da cena underground ao mainstream. “Trabalhamos com variados, do brega ao chique”, diz Felipe Nobre, da Tumba do Faraó. Ele conta que o público é bastante diversificado e por isso tenta agradar a todos os gostos. “Mas o carro-chefe é o clássico rock – Led Zeppelin, Pink Floyd e Beatles”, comenta.

A banca de Felipe tem endereço fixo na Rua João Pinto, conhecida “rua dos sebos” em Florianópolis (SC), mas é itinerante e participa de eventos na capital e no interior catarinense, além de Curitiba e São Paulo. Da Feira do Vinil de Porto Alegre, o comerciante participa desde a primeira edição. “A cultura dos vinis está crescendo cada vez mais. Aqui e em São Paulo o movimento é mais antigo, mas em Floripa está começando e é bem promissor”, conta, animado.

 

Do "brega ao chique": não faltam opções para os amantes do vinil (Foto: Victoria Silva/Beta Redação)

Do “brega ao chique”: não faltam opções para os amantes do vinil. Foto: Victoria Silva/Beta Redação

 

Assim como a Tumba do Faraó, a feira também é ambulante. Ocorre em formato pocket, dentro de outros eventos. Segundo Tiago Leal, da Bugio Discos, organizadora da feira, a ideia partiu do sócio-proprietário da Bugio, Caco Spector, que há anos planejava reunir diversos expositores em um local só, com atrações artísticas. Em outubro de 2015 foi realizada uma edição “preview”, na CCMQ, que por sua vez aprovou a ação, fechando o contrato de um ano com os organizadores. A intenção, agora, é levar a feira para outras cidades da região e do interior.

“Costumo vir (à feira) para dar uma olhada, ver se encontro algo diferente do que eu já tenho”, comenta a médica Ana Flávia Leivas. Com Eric Clapton e João Gilberto na sacola, ela conta que possui mais de 300 discos, “mas sempre tem alguma coisa mais barata, que a gente estava procurando”. Espaço para tantas “bolachas” também não é problema para o publicitário Renato Dias, que dispõe de um “pequeno” acervo de 500 LPs. “Faço muito garimpo. No momento, estou mais focado em música brasileira, e hoje achei um disco que é raridade”, entusiasma-se.

 

De acordo com organizador da Feira do Vinil, vendas de discos já se comparam à década de 1980 (Foto: Victoria Silva/Beta Redação)

De acordo com organizador da Feira do Vinil, vendas de discos já se comparam à década de 1980. Foto: Victoria Silva/Beta Redação

 

Os vinis estão ressurgindo? Tiago diz que não. Para ele, trata-se de uma cena já consolidada, principalmente em Porto Alegre e outras capitais do Sul e Sudeste. “O consumo de vinil no mundo já está beirando a década de 1980, época da explosão, onde mais se vendeu discos de vinil”, relata. O organizador atribui a atemporalidade dessa cultura a três fatores: “Primeiro, porque a própria indústria fonográfica quer que o vinil volte com força, pois é muito mais valor agregado ao produto e dificulta a pirataria; segundo, a própria nostalgia das pessoas; e, terceiro, porque é música – não existe alguém que não escute nenhum tipo de música”.

Se a cultura do vinil cresce, o mercado, por outro lado, ainda está engatinhando. De acordo com Tiago, no Brasil, existe apenas uma fabricante, a Polysom, até pouco tempo única da América Latina. “Mas agora está para abrir outras duas marcas no país. Assim que voltarmos a produzir vinil com qualidade, o mercado vai se fortalecer. Já existem lojas que têm o disco como carro-chefe abrindo em Porto Alegre. A tendência é cada vez mais pessoas ‘de visão’ seguirem o mesmo caminho”, prevê. Enquanto isso não acontece, boas opções para quem quer botar a vitrola para tocar não faltam.

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