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Evento em Pelotas coloca o veganismo em pauta

1º Veganique Pelotas reuniu ativistas e simpatizantes para discutir o veganismo e partilhar receitas

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Veganique reúne pessoas na Praça Coronel Pedro Osório. / Foto: Anne Farias.

No último domingo (13), a Praça Coronel Pedro Osório, no centro de Pelotas, serviu como ponto de encontro para discussões sobre veganismo e partilha de alimentos veganos. O 1º Veganique Pelotas, organizado pela ONCA, Organização de Defesa Animal e o grupo de veganos de Pelotas no Facebook, contou com mais de 1,2 mil confirmações de presença. “O público não chegou a mil, mas deu para ver bastante gente na praça em seus grupinhos” conta a estudante de design Priscila Duarte, 24 anos, uma das organizadoras do evento.

A ideia do encontro surgiu seguindo o exemplo de outras cidades, como Porto Alegre. Após tentativas de juntar grupos para partilhar comidas veganas no Piquenique Cultura, tradicional evento de Pelotas, o foco foi realizar uma reunião própria. No domingo, panfletos e cartazes pintaram a praça chamando atenção para a causa. Simpatizante do movimento, a estudante Bianca Santana, 21 anos, aprovou a iniciativa. “Achei super legal. Não sou vegana, mas sempre que posso realizo refeições o mais próximo possível do movimento”, conta. “Esse estilo de vida me interessa bastante, principalmente pela saúde e pelo meio ambiente. Mas é difícil abandonar o churrasco”, brinca.

Estilo de vida tem se tornado mais fácil

Para Priscila, a mudança trouxe aprendizados. “Comecei a cozinhar e ser criativa na cozinha depois de me tornar vegana, além de ter várias opções hoje em dia na cidade”, conta. Para ela, o churrasco também não é problema. “Se é em família, eu levo algo de casa ou minha mãe prepara algo pensando em mim. Com amigos que não são veganos, eles têm esse cuidado, e preparam algo vegetariano sempre”, explica. “As pessoas sabem que sou vegana e pensam também em me incluir. Churrasco é mais uma desculpa para juntar pessoas e socializar do que a função da comida mesmo.”

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Participantes compartilharam lanches vegetarianos e veganos. / Foto: Anne Farias.

Para a estudante de jornalismo Anahí Silveira, 21 anos, o estilo de vida tem se tornado mais fácil com o passar do tempo. “Em Pelotas, tem sido considerável o número de estabelecimentos que estão adicionando opções veganas em seus cardápios. Empórios e produções artesanais também têm aparecido com muita frequência”, conta. Para Priscila, a dificuldade é encontrar cosméticos ou produtos de higiene que não sejam testados em animais. “Eu compro minha pasta de dente pela internet. Apesar de ser barata, não encontro na cidade. Mas agora tem pessoas do meio que já trabalham com isso, fazendo produtos de origem natural”, diz.

Exemplo disso é a estudante de artes visuais Luiza Eloi, 21 anos. Desde que se tornou vegana, Luiza vem buscando alternativas não somente no campo da alimentação, mas para todos os produtos de consumo para tentar chegar o mais perto possível da matéria prima, evitando processos industriais. “Há cerca de dois anos, venho estudando receitas de cosméticos e produtos de limpeza naturais, muito pela influência de amigas que já estavam no movimento”, conta. Foi assim que ela decidiu se dedicar ao trabalho e iniciar o projeto Kaya Ecológicos. Apesar de ser recente – o projeto teve início em setembro – o Kaya já conta com grande público. “Eu já trabalhava em um projeto de alimentação vegana. Em geral o público é formado por pessoas de Pelotas e da minha cidade natal, no litoral de São Paulo, para onde eu levo quando viajo”, explica.

Ativismo e conscientização

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Ativistas marcaram presença com quitutes veganos em uma food bike. / Foto: Anne Farias.

O grupo de veganos de Pelotas no Facebook já conta com quase 1,2 mil membros. A página da ONCA – que surgiu em Curitiba há dez anos e se espalhou por cidades como Rio Grande e Pelotas – conta com 9 mil curtidas. Os números inspiram crescimento para Anahí.

“Temos recebido muitos adeptos entre veganos, vegetarianos em transição e pessoas interessadas no movimento. Dá para dizer que somos muitos e eventos como o Veganique são a prova de que isso está acontecendo”, conta. Para a estudante, Pelotas pode alcançar o parâmetro de cidades como Porto Alegre e Curitiba em termos de opções veganas. “Estamos levando as informações adiante, dialogando com donos de estabelecimentos ainda resistentes, prestigiando as ideias que já existem. Acho que esse é o caminho pra fortalecer essa causa por aqui”, afirma.

Para Priscila, a própria comida é uma forma de ativismo. “As pessoas ficam curiosas e querem experimentar, e aí acabam se interessando pelo veganismo. Se não for assim, basta mostrar os fatos. Os motivos para se tornar vegano estão no nosso dia a dia, na nossa cara, basta procurar saber”, explica.

 

Entenda o veganismo

De acordo com a The Vegan Society, da Inglaterra (a mais antiga entidade vegana do mundo), o movimento pode ser definido da seguinte maneira:

“O veganismo é uma forma de viver que busca excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade. Dos veganos junk food aos veganos crudívoros – e todos mais entre eles – há uma versão do veganismo para todos os gostos. No entanto, uma coisa que todos nós temos em comum é uma dieta baseada em vegetais, livre de todos os alimentos de origem animal, como: carne, laticínios, ovos e mel, bem como produtos como o couro e qualquer produto testado em animais.”

Desta forma, pessoas que adotam o veganismo podem recorrer a centenas de alimentos naturalmente veganos como arroz, feijão, legumes, hortaliças e frutas, entre outros. Além disso, muitas receitas tradicionais árabes, brasileiras, italianas e orientais não têm nada de origem animal em suas composições.

Quer conhecer mais? Confira as dicas.

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