Geral

Estudantes criam frente feminista na Unisinos

Alunos se unem por uma universidade com menos desigualdades de gênero

Um grupo formado para dar voz às mulheres e discutir sobre temas sociais. Criado em agosto do ano passado, a Frente Feminista da Unisinos reúne estudantes de vários cursos da universidade, que se uniram para discutir temas como machismo, o papel da mulher na sociedade e desigualdades de gênero.

Segundo Mariana Rodrigues, uma das idealizadoras da Frente, o grupo surgiu da necessidade de um espaço de discussão de gênero dentro da universidade. “No meio acadêmico, é possível notar uma ausência de espaços de militância organizados por mulheres. Algumas de nós já participávamos de movimentos estudantis, mas esse é o primeiro grupo formado apenas com mulheres dentro da universidade”, comenta.

Estudante de Direito, Calíope Bandeira também é uma das organizadoras da Frente. Ela comenta que a ideia surgiu no início do ano passado, quando o caso do estupro coletivo no Rio de Janeiro foi divulgado. “Quando o caso foi noticiado, eu, a Mariana e mais algumas meninas decidimos nos unir e criar um espaço onde só mulheres pudessem interagir e tomar decisões. A partir daí já marcamos reuniões e começamos a montar o grupo”, relembra. Atualmente, a Frente Feminista da Unisinos conta com página e grupo no Facebook.

Em 2016, a Frente realizou dois atos dentro da universidade: um jogral e uma roda de conversa com a participação do Fórum de Mulheres de São Leopoldo e Marcha Mundial das Mulheres. A Frente também foi responsável pelo desenvolvimento de panfletos, que circularam pela universidade tratando a questão da desigualdade de gênero.

O grupo tem o apoio do Diretório Central de Estudantes (DCE), e segue trabalhando para reforçar a união e interação das alunas.”Esse ano ainda não realizamos nenhuma ação, ainda não tivemos tempos para nos organizarmos. Mas quem se alguma estudante se interessa e deseja participar ou sugerir algo para o grupo é bem-vinda”, ressalta Calíope.

Discussão de gênero na universidade

Para a professora e pesquisadora Maria Clara Aquino Bittencourt, do Programa de Pós -Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos, a discussão sobre desigualdade de gênero dentro da universidade é fundamental. “O tema é absolutamente relevante não só no âmbito da comunicação, mas como uma questão que precisa ser discutida sob diversas abordagens. O contexto universitário é rico e efervescente para debater o questões sobre desigualdades de gênero”, aponta.

Docente dos cursos de Jornalismo e Comunicação Digital, Maria Clara explora a temática de gênero seguidamente nas disciplinas em que ministra. “Na universidade, a formação de grupos que discutam o machismo e a violência contra a mulher é potencializada pelas ferramentas de comunicação digital e a visibilidade dessas iniciativas se fortalece através das redes digitais”, salienta.

A professora aponta que  a formação de grupos de militância dentro do ambiente acadêmico é positiva, mas ressalta que deve haver limites. “Vejo o crescimento desse tipo de ativismo com bons olhos, mas também me preocupa a utilização desses espaços como forma de potencializar e estimular a disseminação do ódio e do preconceito contra minorias. Nesse sentido também é preciso estimular o debate, criando iniciativas que estimulem o combate a esse tipo de prática, visando sempre o uso desses espaços e ferramentas de forma colaborativa, visando o bem comum e o diálogo na busca pela igualdade de direitos”, opina.

Lida 773 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.